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Swift Carbon Racevox 2020 - Primeiras Impressões

Pedalamos a Racevox, nova all-arounder da Swift Carbon, nas lindas paisagens do Rio de Janeiro


6 SET, 2019     Gustavo Figueiredo    
     


Como bom paulistano, confesso (envergonhadamente) que, quando recebi um convite da Swift Carbon para conhecer a nova Racevox pedalando no Rio de Janeiro, fiquei levemente apreensivo. Os motivos eram muitos e passavam por detalhes como a fama negativa da cidade e o simples fato de, depois de algumas (várias) experiências ruins nas estradas de São Paulo, inclusive uma tentativa de assalto em plena Marginal Pinheiros, eu realmente estava convencido a me manter longe das "speeds" - meu último intensivo de estrada foi justamente testando a Sense Prologue Disc.

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A Racevox   Pedro Cury

Porém, o fim de semana que marcou a apresentação da Racevox me surpreendeu, não somente pela alta qualidade dos pedais, mas também pelo próprio desempenho da bicicleta. A bem da verdade, fazia bastante tempo que não me divertia tanto com uma estradeira.

A Swift Carbon Racevox

A nova Racevox, bike apresentada mundialmente há alguns meses e oficialmente no Brasil no fim de semana dos dias 17 e 18 de Agosto, é uma legítima all-arounder, expressão que indica uma bike criada para fazer de tudo um pouco, e tudo muito bem. A bike que utilizamos foi uma Racevox com freios convencionais e configuração mais simples. A linha ainda contará com mais duas versões: a Disc, que vem com um grupo Ultegra R8050 Di2 e a Factory, equipada com um pacote eletrônico SRAM AXS.

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Cabeamento integrado   Pedro Cury

Apesar de ser a versão mais básica, a Racevox testada está longe de ser uma bike de entrada. O modelo é construído ao redor de um quadro com fibras de carbono Mitsubishi M40 com diversos detalhes que prometem um ótimo desempenho, sendo o primeiro deles a geometria - ela utiliza exatamente os mesmos comprimentos e ângulos da consagrada Ultravox. As trocas de marcha e frenagens são feitas pelo grupo Ultegra R8000 completo com cassete, pedivela e freios de montagem direta - mais sobre eles em breve.

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Canote bi-partido   Pedro Cury

O modelo possui diversos atributos que, em teoria, melhoram sua aerodinâmica, começando pela rodas Sentec Full Carbon com 37mm de altura e pelo cabeamento totalmente interno, passando por dentro do guidão e da mesa com o novo sistema FSA ACR - apenas o cabo da ferradura dianteira passa por fora. Outros detalhes como tubo inferior com um rebaixo, a área frontal suavizada, o seat-stay mais baixo e o canote de selim bi-partido com seção mais quadrada proporcionam, segundo a marca, uma excelente capacidade de furar o ar. A rodagem fica a cargo dos pneus Schwalbe Raceguard 700x25c com o selim sendo um Fizik Aliante Versus.

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Selim confortável   Pedro Cury
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Grupo R8000 Ultegra   Pedro Cury

No geral, o acabamento da bike agradou. A cor azul cai muito bem com as linhas da bike e, na área da caixa de direção, o desenho vincado formado pelo tubo superior, o inferior e a caixa deixam claro o DNA da bike - as formas podem ser encontradas em todas as novas bikes de carbono da Swift Carbon e da Sense.

Ficha Técnica

Quadro: Swift Full Carbon Mitsubishi M40 / Tapered / Canote Semi-integrado / Cabeamento 100% Interno ACR System / Flat Mount Brake / Eixo E-thru 12 x 142mm
Garfo: Swift Full Carbon 1.1/8 1.1/5
Caixa de direção: FSA ACR System
Guidão: Sentec Aero RS1 Ultimate 400mm (S) 420mm (M / L / XL)
Avanço: FSA ACR NS Carbon 31.8 x 100mm (S / M) 110mm (L / XL) - 6°
Canote: Racevox Carbon Semi-integrado
Selim: Fizik Aliante Versus
Trocadores: Shimano Ultegra R8000
Freios: Shimano Ultegra R8000
Câmbio dianteiro: Shimano Ultegra R8000
Câmbio Traseiro: Shimano Ultegra R8000
Central: Shimano BB8000
Pedivela: Shimano Ultegra R8000 52x36d 170mm (S) 172.5mm (M / L / XL)
Corrente: Shimano HG601
Cassete: Shimano R8000 11x28
Roda Dianteira: Sentec Full Carbon 37mm / Raios Sapim CX Ray / Cubos Sentec SL
Roda Traseira: Sentec Full Carbon 37mm / Raios Sapim CX Ray / Cubos Sentec SL
Pneus: Schwalbe Raceguard 700 x 25c
Peso divulgado: 7.5 kg
Preço sugerido: R$ 17.990,00

Pedalando a Racevox no Rio

Para testar todas as capacidades da bike, o pessoal da Swif Carbon, em parceria com a RioCycling, preparou dois roteiros especiais, ambos em partes do circuito utilizado pelo pelotão profissional de ciclismo de estrada nas olimpíadas Rio 2016. No primeiro dia, a tônica foi o passo no plano e a responsividade em subidas curtas e duras - para isso, o grupo saiu do Vogue Square Fashion, hotel localizado na Barra da Tijuca, e partiu em alta velocidade pela incrivelmente bonita orla do Rio de Janeiro.

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Na passada   Pedro Cury

Logo de cara, a alta responsividade e a posição agressiva da Racevox agradaram. A bike testada tinha o tamanho M e, imediatamente, deu para sentir que a palavra Race em seu nome não esta ali a toa. Isso porque, além de deixar o corpo mais alongado, deu para sentir que boa parte da força aplicada aos pedais se transfere rapidamente para o eixo traseiro, fazendo a bike pular para frente com grande facilidade.

Este detalhe, que provavelmente tem a ver com as grandes proporções da caixa de centro, pode ser sentido ainda melhor na curta subida da prainha. Apesar de estar bastante fora de forma, encarar a inclinação não foi muito complicado, principalmente por conta das características citadas acima. Porém, o que mais chamou a atenção certamente foi a capacidade da Racevox nas descidas, algo que pode ser melhor avaliado no dia seguinte, quando o grupo partiu para um teste de montanhas. Famosas subidas como Canoas, Mesa do Imperador, Vista Chinesa e a subida que leva até a estátua do Cristo Redentor estavam no roteiro.

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Bike encara bem subidas curtas   Pedro Cury

Nas rampas longas e de inclinação variada, deu para sentir que a Racevox realmente sobe muito bem. Mas, para a minha atual (falta de) forma, a relação semi-compacta com cassete 11/28 e coroas 36 x 52 mostrou-se um pouco exagerada. Para mim, naquele cenário, provavelmente um cassete compacto ou um pinhão de 32 fariam mais sentido mesmo estando em melhor forma.

Vale destacar que, com muito trabalho e viagens constantes acumulados, a falta de treinos realmente pesou. No segundo dia de pedal, já sai do hotel desidratado e cansado e, logo no começo de nossa jornada, senti muitas cãibras nos quádriceps e nas panturrilhas. Mas, mesmo assim, segui o pedal até o final. Aqui fica meu agradecimento para o pessoal da RioCycling e para o espírito "Always Racing" da Racevox. Trata-se de uma bike que faz você querer ir mais e mais longe, até para poder pegar mais uma descida com ela, ou dar de cara com mais uma paisagem deslumbrante da Cidade Maravilhosa.

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Alta capacidade em curvas   Pedro Cury
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A volta do pedal   Pedro Cury

Quem já pedalou no Rio, inclusive o Vincenzo Nibali, sabe muito bem que as curvas do circuito olímpico não são fáceis e exigem cautela. Mas, com a Racevox, a vontade de acelerar nas descidas é grande. Ao se aproximar de uma curva, seja ela em qualquer velocidade, basta aplicar a técnica correta para descidas de estrada para que a bike te "puxe" para a tangência, em um comportamento que praticamente implora para que você pilote de forma agressiva.

No geral, foi justamente esta tendencia de "cavar" a tangência das curvas que mais agradou, já que algumas bikes de estrada exigem um comportamento diferente, obrigando o ciclista a brigar com o guidão e com o jogo de corpo para que a bicicleta rume para a parte mais interna da curva.

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Bike encara bem subidas longas   Pedro Cury

Os freios de montagem direta certamente não tem a mesma potência do que um disco, mas para um dia seco e um ciclista leve, eles mostram-se fortes e precisos o suficiente para acompanhar os ciclistas locais nas descidas de montanha mais insanas, mesmo que eles estivem rodando com bikes com freios a disco.

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Freios de montagem direta   Pedro Cury
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Freios de montagem direta   Pedro Cury

No tocante ao conforto, o selim agradou bastante, mas a rodagem me pareceu levemente áspera. Apesar de existirem bikes no mercado com maior capacidade de filtrar as irregularidades do terreno, a personalidade da Racevox está dentro do esperado para uma bike com espírito "race". O guidão possui uma base bem plana que, na bike de teste, estava em uma posição não ideal para minhas mãos. Felizmente a mesa pode ser ajustada e, se ela fosse minha, com certeza rotacionaria o guidão alguns poucos graus para trás, só para a parte plana do guidão aero se encaixa melhor na palma da minha mão.

Conclusão

A Racevox cumpre sua promessa de ser uma bike faz tudo. Ela sobe bem, anda bem no plano e desce como poucas bikes de estrada são capazes de descer. Seu preço, pela configuração e pelo quadro de molde exclusivo, é interessante.

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Bike vai longe, sem cara feia   Pedro Cury

O único "defeito" na bike, ao menos para mim, é a relação semi-compacta, mas isso não se aplica a todos os ciclistas. Mesmo sua posição mais alongada e agressiva não chegou a incomodar, mas talvez ela seja um pouco "race" demais para ciclistas com dores nas costas ou com alongamento ruim. Até por isso, a marca tem também modelos mais indicados para o endurance como a Attack G2, conhecida no Brasil como Sense Prologue.

Mais informações no site da Swift Carbon Brasil.


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