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Froome libera seus impressionantes dados fisiológicos


4 DEZ, 2015     Gustavo Figueiredo    
     


Seja pelo desempenho impressionante ou pelo fato de ter surgido como uma grande potência no esporte de uma hora para outra, Chris Froome, bi-campeão do Tour de France, é alvo de constantes críticas e acusações de doping. No último Tour, ele foi alvo de acusações e até de agressões físicas, sento atacado com cuspe e urina por alguns torcedores mais exaltados.

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Foto: Sky / Divulgaçãi


Cansado da situação e almejando aumentar a transparência no ciclismo, Chris Froome passou por uma bateria de testes fisiológicos e exames laboratoriais para tentar, de uma vez por todas, limpas as suspeitas que pairam sobre seu desempenho. O relatório apresentado a imprensa contém dados colhidos em Agosto de 2015 entre o Tour e a Vuelta, e também em 2007, antes do dele despontar como um principais corredores de Grandes Voltas do pelotão atual.

Os testes

Tanto em Agosto de 2015 quanto em 2007, foram realizados três testes de desempenho. Dois em potência sub-máxima, um no quente e outro no frio e um teste de Vo2max.

Os testes em potência sub-máxima servem para medir quanta potência o atleta consegue sustentar. Já o teste de Vo2max indica a quantidade de oxigênio que Froome consegue processar. Basicamente, é a cilindrada do motor.

Peso

Chris Froome pesou 69,9kg em Agosto, 2.9kg a mais do que seu peso no Tour de France. No dia do teste, Froome tinha uma taxa de gordura corporal de 9.8%. Em 2007, ele pesava 8kg a mais, com 16.9% de gordura.

Resultados do Vo2max

Em Agosto, Froome conseguiu atingir a marca de 84.6 mL/kg*min de Vo2Max. Para se ter ideia do que isso significa, basta fizer que atletas amadores bem treinados possuem, em média, entre 50 e 60. Greg LeMond, um dos maiores ciclistas de todos os tempos, tinha o Vo2max na casa de 92 mL/kg*min.

Ou seja, Froome tem um motor grande, capaz de processar imensas quantidade de oxigênio, o que se traduz em potências elevadas. Em 2007, o Vo2max de Froome era de 80.2. Como a medida do Vo2 leva em conta o peso do atleta, reduzir a gordura sem perder massa magra faz com que o Vo2max acabe sendo mais alto.

Potência

De 2007 para 2015, os números de potência de Froome praticamente não mudaram. Em 2007, ele gerou uma potência máxima de 540 watts por 30 segundos. Em 2015, sua potência máxima no mesmo teste foi um pouco mais baixa, ficando em 525 watts.

A potência que o atleta consegue sustentar, também conhecida como FTP, ficou em 420 watts em 2007 e 419 em 2015. Isso quer dizer que, apesar de perder um pouco da explosão com a perda de peso, Froome ainda consegue manter praticamente a mesma potência por períodos mais longos de esforço. Isso explica a velocidade impressionante que ele consegue manter em provas de contra-relógio e subidas de montanha.

Como comparação, um atleta amador extremamente forte tem um FTP de 350 watts. Na média, a maioria gira ao redor de 250 watts.

Exames de Sangue

Froome também liberou alguns dados do seu passaporte biológico. Com esse sistema, as entidades de controle de doping monitoram todos os padrões biológicos do atleta. Com isso, mesmo que nenhuma substância dopante seja encontrada, é possível detectar variações que só poderiam acontecer com uso de drogas de desempenho.

Um dos números mais importantes são os reticulóides, que são os globulos vermelhos em formação. Um número elevado de reticulóides indica o uso de EPO, substância que estimula a formação de globulos vermelhos, responsáveis pelo transporte do oxigênio no corpo. Em todos os testes, Froome acusou valores dentro do padrão normal.

Conslusão

Com essa miríade de números, valores e dados, a única conclusão que podemos tirar é que, dopado ou não, Froome é um monstro. Seu elevado FTP e o baixo peso são responsáveis por sua alta velocidade nas subidas.

Outro detalhe importante é que toda essa força sempre esteve lá. A diferença é que o atleta conseguiu perder bastante peso sem perder potência. Isso explica a transição de um ciclista que andava "no meio do pelotão" para um vencedor de grandes voltas.

Infelizmente, não temos como saber se esse números são resultado de doping ou não. Porém, de uma forma ou de outra, Froome foi o primeiro a revelar detalhes bem profundos de seu desempenho, e isso certamente é um passo importante para aumentar a transparência do esporte.

Agora, seria bastante interessante outros atletas seguirem os mesmos passos. Infelizmente, como ninguém mais mostrou interesse em fazer isso, parece que é preciso uma boa dose de cuspes, urina e agressões para que atitudes assim sejam tomadas.


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