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Mundial de Mountain Bike 2009 - Exclusivo: Henrique Avancini está fora

O impossível aconteceu


2 SET, 2009     Guiné    



Anunciamos que o atleta Henrique Avancini estava de malas prontas para se encontrar com a seleção brasileira de mountain bike nesta semana, para representar o Brasil no mundial da modalidade em Canberra, Austrália.

Mas ele enviou um e-mail para nossa redação nesta quarta-feira, relatando a desistência.

Desde o início do ano, o site Pedal vem apoiando o atleta como mídia oficial no Brasil. Nesse caso, infelizmente publicaremos abaixo tudo que ele escreveu no e-mail - na íntegra - sobre sua desistência.


"Meus caros, venho através deste, tentar explicar, em síntese, a ocorrência de fatos que impediram a minha participação no campeonato mundial do ano corrente.

Primeiramente, gostaria de adiantar-lhes que em nenhum momento não estive ou demonstrei não estar interessado em participar da referida competição, e isto buscarei justificar através dos fatos ocorridos, que serão narrados abaixo.

Após a realização do campeonato brasileiro na cidade de Resende-RJ, ocorreu o anúncio da lista de atletas convocados para o mundial, na qual eu estava incluído. Quatorze dias após este fato eu embarcaria para Itália, de onde seria meu ponto de partida para uma série de competições. Neste tempo não seria possível com que o visto fosse concedido no Brasil uma vez que o processo leva cerca de quatro semanas. Porém, antes de viajar à Europa fui pessoalmente ao escritório da Embaixada Australiana no Rio de Janeiro, onde fui informado que não seria possível a obtenção do visto neste tempo e que o visto só era emitido em Brasília.

Imediatamente procurei saber se era possível a obtenção do visto na Itália, e desta vez recebi uma resposta positiva, porém os vistos para a Austrália na Europa são emitidos de Berlim na Alemanha. Levantei todos os documentos necessários que estavam ao meu alcance até o dia de ir para Europa de onde daria continuidade ao processo, ou melhor, daria início.

O primeiro problema foi que quando cheguei na Itália, os órgãos públicos estavam em recesso e eu precisava de uma cópia autenticada do meu passaporte na Itália. Mas mesmo se eu tivesse feito não seria suficiente, pois ainda esperava uma carta convite da Federação Australiana de Ciclismo, que eu havia solicitado quando ainda estava no Brasil e que também tinha pedido que fosse solicitada pela Confederação Brasileira de Ciclismo. Após, segui para Suíça e França onde disputei provas do calendário internacional regressando no dia 17 de agosto. E no dia 18 de agosto recebi a carta convite da Federação Australiana, e no mesmo dia me dirigi até uma outra cidade e enviei meus documentos à Embaixada Australiana em Berlim através do serviço de postagem mais rápido existente.

No dia 24 de agosto recebi uma notificação da Embaixada Australiana solicitando o envio do meu passaporte original já que a minha documentação tinha sido aceita e que o visto seria concedido. Enviei o passaporte no mesmo dia e chegaria no dia seguinte, na terça-feira, em Berlim. O prazo normal para análise dos documentos é de quatro semanas, podendo sofrer atraso. Mas através de uma grande ajuda do Embaixador brasileiro nos Estados Unidos que contatou a Embaixada Brasileira em Berlim e esta entrou em contato com a Embaixada Australiana em Berlim para que meu caso fosse tratado com urgência. Então o processo de quatro semanas seria feito em uma semana e isso contando com o tempo de envios de documentos entre Civitanova (Itália) e Berlim. O que me daria tempo para viajar no Sábado dia 29 e chegar no dia 31 na segunda-feira no local da prova. Antes mesmo de receber a confirmação que o meu passaporte estava pronto para ser coletado, acionei o serviço da UPS para que fosse coletado no dia 27, quinta-feira e assim chegaria em minhas mãos na sexta a tarde, quando começaria minha viagem rumo ao aeroporto de Roma. Ao ligar para Embaixada fui informado que o meu passaporte estava pronto para ser coletado e se encontrava na recepção. Portanto o passaporte seria coletado a tempo. Porém na sexta feira, no início da tarde, ao ligar para Embaixada Australiana fui informado que o meu passaporte ainda se encontrava na recepção, onde estava desde as 13:23 horas do dia anterior. Contatamos a UPS e eles informaram que passaram na Embaixada às 13:33 de quinta feira e que não havia nada para ser coletado em meu nome. Com isso não receberia o passaporte a tempo para embarcar no Sábado dia 29. A opção era mandar o passaporte direto para o Aeroporto de Roma (240 km distante da minha residência), onde chegaria no Sábado e lá eu tentaria reavê-lo. O serviço foi contratado e pago, porém a UPS mais uma vez não coletou o meu passaporte alegando que não tinha informação para fazê-lo (isso foi o que a Embaixada me disse), ao ligar para UPS eles informaram o contrário, foi dito que a Embaixada não tinha nada a ser entregue para o nome Henrique Avancini. Então foi solicitado e pago mais uma vez que a UPS fosse recorrer na sexta-feira o meu passaporte e mais uma vez sem sucesso desta vez, foi dito pela UPS que a Embaixada não tinha informações sobre Henrique Avancini e a Embaixada, posteriormente, informou que ninguém da UPS compareceu para o recolhimento do passaporte.

A partir deste momento tudo se complicou. Eu já tinha mudado o vôo para terça-feira (onde chegaria apenas um dia antes da prova), já era ‘loucura’, mas eu estava disposto e empenhado em fazer. Porém o passaporte não chegaria na segunda-feira dia 31. Então o mais rápido era enviá-lo na segunda-feira, e recebê-lo na terça, mas eu não teria tempo de pegar o vôo de terça dia 1 de setembro. Porém mais uma vez a UPS não recolheu meu passaporte por motivo desconhecido, então depois de muitas ligações para embaixada, uma funcionário se ofereceu em ajudar e me mandou um formulário para que eu preenchesse e então ela me enviaria o passaporte no final de segunda-feira dia 31. Mudei o meu vôo para quarta-feira, porém chegaria na hora ou depois da largada, o que era realmente ‘insano’, então tentei comprar uma nova passagem em meu nome com uma rota alternativa que fosse possível eu chegar pelo menos uma hora mais cedo do que o outro vôo, porém todas as opções eram ainda mais tardes. Neste momento tudo se perdeu, porém ainda tinha uma possibilidade, tentar uma exceção junto à UCI para que eu competisse no Sábado na categoria elite e assim eu chegaria na sexta-feira a tarde e teria tempo de competir. Porém não era possível já que mesmo que abrissem uma exceção, precisariam do meu passaporte, esta noticia, tive às 02:30 da madrugada de quarta-feira, onde foi posto um ponto final na minha participação no campeonato mundial deste ano. Tinha recebido meu passaporte na terça-feira a noite.

Acreditem ou não, isso é um resumo sem detalhes do que realmente aconteceu. Porém acho que já deixo claro o quanto eu queria participar desta prova, primeiramente por objetivo pessoal, já que estou em minha melhor forma da temporada, e também representar meu país e conquistar pontos para o ranking individual e de nações.

Não foram medidos esforços, tempo e gastos em minha tentativa de chegar à Austrália, porém não foi possível.

Agradeço a todos que ajudaram neste difícil momento de minha carreira e vida e a Deus a quem entrego cada momento de minha existência."


:: Crítica

O impossível aconteceu. O que falar depois de ler uma coisa dessa? Nada. É muito triste saber que mais um grande atleta está fora deste mundial. E só quem perde é o nosso querido e amado mountain bike.

O esforço que Henrique Avancini deve ter feito - sem falar dos gastos - chegou num limite ímpar. Sabemos da dignidade do atleta e não vem o caso falar de mentiras. Então, encerro! Mais nada a declarar.

Apenas torcer para os nossos outros grandes atletas que estão em Canberra.

Boa sorte Fred, Sherman, Vando, Rubinho, Pscheidt e Markolf.

Boa sorte Brasil!


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