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UCI oferece ajuda para outros esportes com problemas de doping


10 NOV, 2015     Gustavo Figueiredo    



Nos últimos vinte anos, o ciclismo passou a ser visto como um esporte de dopados. Na verdade, tudo começou com o escândalo da Festina, 1998, que detonou uma verdadeira bomba no pelotão. Ano após anos, mais e mais casos de doping passaram a fazer parte da rotina do esporte, até culminarem no relativamente recente banimento de Lance Armstrong, que ainda perdeu todos os seus títulos do Tour de France. De lá para cá, apenas casos isolados de doping foram reportados.

O clima no pelotão, todavia, continua sendo pesado. Para isso, basta ver o que aconteceu com Froome no Tour deste ano. Durante várias etapas, o atleta foi hostilizado por torcedores. Alguns mais exaltados chegaram a cuspir e a jogar copos de urina no líder da SKY.

Porém, a verdade é que o ciclismo só ganhou esta imagem por que, de todos os esportes, certamente é onde mais existe investigação, controle e punição para os que "roubam no jogo". Passaporte biológico, exames de madrugada e atletas que não podem viajar no fim de semana sem informar sua localização exata são coisas que simplesmente passam longe de existir em outros esportes. No futebol, por exemplo, já tivemos casos de equipes inteiras dispensadas do anti-doping para comemorar a conquista de um título.

Porém, na última semana, uma verdadeira bomba explodiu no atletismo. Sob pesadas acusações de suborno, doping organizado, envolvimento de técnicos e até do governo, a Agência Mundial Antidoping (Wada) pediu nesta segunda-feira a suspensão da Rússia de todas as competições de atletismo, inclusive os Jogos Olímpicos Rio 2016. Porém, não se deixem enganar: isso é apenas a ponta do iceberg e, muito provavelmente, o problema não está só no atletismo e muito menos só na Rússia.

Para Brian Cookson, presidente da UCI, o ciclismo tem importantes lições para os outros esportes. "Não é meu papel comentar sobre outros esportes. Porém, como já falei antes, ao menos que eles passem a lidar com os problemas que o ciclismo lida há 20 anos, cedo ou tarde eles terão os mesmos problemas que tivemos", disse.

Como exemplo, temos o caso da Operacion Puerto, que colocou o ciclismo sob forte investigação em 2006. Neste trabalho da polícia espanhola, o médico Eufemiano Fuentes foi acusado de fornecer tratamentos de doping para atletas de várias modalidades. Porém, o único que deu continuidade às investigações e puniu atletas foi o ciclismo, mesmo que nos arquivos do Dr. Fuentes estivessem nomes de estrelas do Tenis e do Futebol.

"Ficaríamos felizes em colaborar com outros esportes, com a WADA e com agências internacionais para ajudar como nós pudermos. Isso não significa que somos perfeitos, longe disso. Mas acredito que aprendemos algumas lições e podemos compartilhar", completou Cookson.








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