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Tour de France 2018 - Análise - Percurso variado e acaso podem dificultar vida da Sky


17 OUT, 2017     Gustavo Figuereido    



Com o percurso do Tour de France 2018 finalmente revelado pela A.S.O, uma coisa parece ter ficado claro: a organização parece ter apostado em um percurso extremamente variado para tentar deixar a prova mais imprevisível, aumentando assim a emoção da competição.

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Em sua próxima edição, a grande volta francesa terá uma enorme mistura de terrenos, com etapas passando por trechos de paralelepípedos, linhas costeiras sujeitas a ventos cruzados, estágios curtos, longos, planos, montanhosos e com terreno bastante ondulado - basicamente, a A.S.O jogou todas as cartas na mesa.

Grande volta em dois estágios

Com apenas 3329km, o Tour de France 2018 será um dos mais curtos dos últimos anos e, ao longo de seus 21 estágios, terá 35km de contra-relógios por equipes, 21,7km de paralelepípedos da Paris-Roubaix na etapa 9, uma chegada ao alto do L’Alpe d’Huez, três dias nos Alpes com o resultado final sendo decidido em várias etapas de montanha nos Pirineus. Fechando a conta, teremos os curtos 31km do contra-relógio individual na etapa 20, realizados em um terreno "para roladores explosivos", segundo a organização.

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Percurso do Tour 2018   ASO

Em sua primeira parte, o pelotão enfrentará 9 etapas para velocistas e roladores, com a corrida começando em Vendée, passando pela costa norte da França e pela Bretanha. O contra-relógio por equipes acontece no terceiro dia de prova nas onduladas estradas de Cholet.

Na sexta etapa teremos uma explosiva chegada ao alto do Mur de Bretagne, com e etapa 9 batendo record de quilometragem nos paralelepípedos e levando os atletas para o primeiro de dos dias de descanso.

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A etapa dos paralelos   ASO

Na etapa 10, realizada logo depois do dia de descanso, teremos a chegada ao alto do Plateau des Glières, uma escalada de 6km e 11% de inclinação com estrada de terra no final. No dia seguinte, muitas subidas amontoadas nos curtos 108km da etapa 12, com a etapa rainha realizada no dia seguinte - um estágio com 5 mil metros de escalada e chegada ao alto do L’Alpe d’Huez.

As escaladas voltam a figurar na etapa 16, que terá 218km e três grandes montanhas nos últimos 80km. A etapa 17 terá diminutos 65km, sendo 38 deles morro acima e chegada ao alto do Col de Portet - 16km a 9%.

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Etapa Rainha   ASO

A etapa 19 passará por montanhas míticas como o Tourmalet, com diversos desafios de escalada antes da chegada em descida na cidade de Laruns. Por último, um contra-relógio de 31k nas onduladas estradas entre Saint-Pée-sur-Nivelle e Espelette.

O que isso quer dizer?

Com poucos contra-relógios, uma enorme variedade de terrenos, tipos de etapa e equipes reduzidas para oito atletas, o Tour de France 2018 cria mais possibilidades para outras equipes ou mesmo o acaso colocarem a Sky de Froome em maus lençóis.

A primeira parte da competição tende a ser bastante imprevisível e exigirá a presença de atletas bons de passo, com características de especialistas em clássicas. Já a predominância de subidas na segunda parte cobrará um preço alto para os escaladores.

"É um bom equilíbrio entre etapas longas e curtas, o que pode deixar a corrida bem interessante", explicou o frances Romain Bardet, afirmando que o percurso de 2018 é mais adequado para ele do que o de 2017.

O contra-relógio por equipes na etapa 3 muito provavelmente colocará a Sky em uma posição de liderança, forçando o trabalho do time britânico logo no início da competição - o que pode gerar um grande desgaste dos atletas perto do fim do Tour, com muitas chegadas ao alto aumentando as chances de ciclistas como Romain Bardet (AG2R-La Mondiale), Thibaut Pinot (FDJ), Simon e Adam Yates (Orica-Scott) e Nairo Quintana (Movistar).

"Temos muitas coisas novas neste Tour e muita insegurança causada pela imprevisibilidade para o líder e isso fará a corrida ser muito atrativa. Acho que é bom para o ciclismo", analisou Bardet.

Todavia, vale lembrar que embora esta salada de estágios possa dificultar a vida da Sky, o time britânico e seu líder largam como favoritos. Afinal, eles possuem uma grande variedade de ciclistas a disposição - coisas que só o dinheiro pode comprar.


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