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Teste - Suspensão DT Swiss OPM O.D.L 100 2017


11 JAN, 2018     Gustavo Figueiredo    



A DT Swiss OPM O.D.L 100 2107 é uma suspensão dianteira com 100mm de curso voltada ao praticante de cross-country com foco no alto rendimento e baixo peso. Conheça mais detalhes e o funcionamento do modelo no teste a seguir.

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A DT Swiss OPM O.D.L 100 em ação   Thiago Lemos

Ficha Técnica

Curso: 100mm
Mola: A ar com tecnologias NCS e APT
Amortecimento: Hidráulico com tecnologia O.D.L
Números de posições de retorno: 28
Números de posições de compressão: 18
Off-set: 29 - 45mm, 27,5 - 41mm
Opções de espiga: Tapered
Opções de eixo: 15mm
Ajustes externos: Compressão, retorno e trava
Diâmetro: 32mm
Material: Magnésio e alumínio
Opções de rodas: 29 e 27,5
Adaptador de freio: Direct Mount
Regulagens:Pressão do ar, volume da câmara, compressão e retorno
Cores: Preto
Peso: 1635g com espiga inteira
Peso da trava: 25g
Preço na data da publicação: R$ 4 499,90.

Tecnologias

NCS - Negative Coil Spring

Trata-se de um sistema de mola negativa de metal que, segundo a marca, garante uma ótima leitura de terreno. Com ele, a mola negativa fica comprimida quando a suspensão está estendida. Ao atingir um pequeno buraco, a força da mola ajuda a quebrar a resistência inicial do movimento da haste.

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Sistema NCS

APT - Adaptable Progression Tune

Este sistema permite variar o volume da câmara de ar para configurar a curva de progressividade da suspensão. Com ele, é possível criar um curso mais linear (menos espaçadores, mais volume) ou mais progressivo (mais espaçadores, menos volume). Esses espaçadores precisam ser colocados internamente, logo não é um ajuste externo pra ser alterado a todo momento.

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Adaptable Progression Tune permite controle de progressividade

O.D.L - Open, Drive, Lock

O ODL nada mais é do que o sistema progressivo de trava da DT Swiss. No modo Open, a suspensão trabalha com seus circuitos de compressão de alta e baixa velocidade totalmente abertos, permitindo o máximo de liberdade de movimento. No modo "Drive", o circuito de baixa velocidade é fechado, deixando o funcionamento da suspensão mais travado. Já o modo "Lock" bloqueia os movimentos da suspensão.

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Impressões iniciais

A DT Swiss OPM O.D.L 100 é o tipo de componente que deixa os tarados por engenharia de cabelo em pé. Na nomenclatura da DT, o OPM significa One Piece Magnesium, referente a construção em magnésio das bengalas e da ponte. O acionamento remoto da trava é uma peça linda, que transmite o elevadíssimo padrão de engenharia desta suspensão - admitimos que ficamos babando alguns minutos na peça antes de instalá-la.

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A trava remota é uma belíssima peça   Pedro Cury

A suspensão possui regulagem de pressão de ar no topo da haste esquerda, de compressão no topo da haste direita e de retorno na parte de baixo, também do lado direito. O controle da trava é feito pela alavanca remota que vai no guidão.

A OPM é construída com o arco invertido. Segundo a DT Swiss, isso aumenta a rigidez do conjunto, deixando um modelo de 32mm com a rigidez estrutural de um com 34mm sem aumentar de peso. Também para aumentar a precisão da pilotagem, a OPM O.D.L 100 possui eixo de 15mm e espiga tapered.

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Eixo de 15mm com blocagem RWS   Pedro Cury

Os adesivos são de muito bom gosto e, no geral, a DT é uma suspensão de desenho sóbrio, com o constraste entre o preto da carcaça com o branco e cinza dos adesivos. Quebrando um pouco o "marasmo", temos detalhes em vermelho na blocagem e no parafuso de regulagem de retorno, com o botão da compressão na cor azul.

A blocagem conta o sistema RWS que aperta o eixo com muita eficiência e facilidade, permitindo ainda ajustar a posição final da blocagem. Infelizmente, quando o eixo está quase totalmente apertado é preciso puxar a alavanca e acertar sua posição para evitar que ela raspe na canela - caso isso aconteça, um adesivo plástico protege a peça contra riscos.

Um detalhe extremamente importante é que a DT utiliza um off-set de 45mm. Hoje, a maioria das bicicletas aro 29 são projetadas com off-set de 46 ou 51mm. Se sua bicicleta utiliza off-set de 51, esta suspensão não deve ser utilizada.

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Adesivos sóbrios e de bom gosto   Pedro Cury

Por curiosidade, instalamos a OPM O.D.L 100 em um quadro para off-set 51mm e o resultado foi uma frente lenta e preguiçosa - algo que não combina com provas de cross-country.

O Teste

O teste foi realizado ao longo de 3 meses, com a suspensão sendo utilizada em situações típicas dos circuitos do cross-country olímpico e dos estradões das maratonas, além de trilhas técnicas e repletas de pedras grandes e erosões profundas. Saltos, drops, curvas com parede e até algumas trilhas de downhill também fizeram parte do nosso mix.

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A bela estrutura da ponte invertida da DT Swiss   Pedro Cury

Instalação acerto inicial

A DT Swiss OPM O.D.L 100 2107 vem com uma espiga extremamente longa que deve ser cortada. A instalação seguiu sem nenhum percalço até o momento da colocação da pinça de freio. Nesta hora, ficamos confusos sobre o lugar ideal para passar a mangueira.

Em um primeiro momento, passamos a mangueira pela frente da caixa de direção e por cima da coroa, pelo lado esquerdo. Porém, esta configuração acabou riscando o componente em um pedal de menos de duas horas.

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Regulagem de retorno mostrou-se eficiente   Pedro Cury

Depois, passamos a mangueira como recomendado - por baixo do tubo inferior e por cima da coroa, pelo lado direito. Embora seja um pouco melhor, esta forma também cria a possibilidade de atrito entre os componentes.

No fim, a melhor maneira encontrada de passar a mangueira foi imitar o que encontramos em uma suspensão com a ponte pela frente, simulando uma abraçadeira com uma cinta plástica e passando a mangueira pela frente do garfo.

Para nosso primeiro pedal, regulamos a suspensão cerca de 20% de SAG, mais ou menos no meio da faixa recomendada pelo fabricante. Depois de uma rápida regulagem no controle de retorno, deixamos a compressão no mínimo e saímos para pedalar.

De cara sentimos a suspensão bastante dura, utilizando pouco do seu curso. Além disso, sentimos o modelo um pouco áspero. Essa sensação, porém, diminuiu bastante depois de alguns pedais, provando que até uma suspensão de alta gama precisa de um período de amaciamento.

O destaque positivo fica para a abraçadeira bipartida que pode ser instalada sem tirar manoplas e demais componentes. Além disso, não existe nenhum tipo de regulagem de pressão do cabo, bastando prendê-lo tensionado para obter uma regulagem perfeita.

Regulagem fina

A DT Swiss OPM O.D.L 100 é bastante sensível à regulagem de pressão. Com alterações muito pequenas no SAG, é possível alterar bastante a sensação de pedalada. Com 20%, por exemplo, o modelo mostra-se bastante duro, sendo possível pedalar com eficiência até no modo Open - um acerto muito bom para estradões, por exemplo.

Já com 25% de SAG, o funcionamento é macio e suave, perfeito para os trechos com descidas mais técnicas. No fim, a melhor combinação entre funcionamento e eficácia de pedalada, para nós, foi encontrado com 23% de SAG, 15 cliques no retorno a partir do mais rápido, compressão 100% aberta, dois espaçadores na câmara de ar e o modo Drive e Lock sendo utilizados nos trechos de pedalada.

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A compressão foi deixada no mínimo   Pedro Cury

Porém, independente da pressão, a DT mostrou ter uma ótima leitura de terreno e resistência ao fim de curso, com a argola atingindo o máximo apenas em aterrissagens de saltos ou em impactos fortes com peso na suspensão - independente do caso, nunca sentimos batidas secas na suspensão.

A regulagem de retorno também nos pareceu bastante efetiva e, embora o botão tenha 28 posições, encontramos um acerto bem próximo do perfeito em apenas algumas tentativas. A regulagem de compressão, por outro lado, não agradou.

Mesmo com a regulagem de compressão no mínimo, sentimos que ela poderia ser ainda mais fraca. Isso porque, em buracos médios e grandes, a suspensão nos pareceu um pouco amarrada, com um pouco de dificuldade em mover-se com a velocidade necessária para absorver pancadas maiores.

Alterando o volume de ar - A mudança do volume de ar da suspensão é uma tarefa muito simples e com um grande efeito no trabalho da suspensão. Para mudar a progressividade da suspensão, basta retirar ou colocar espaçadores dentro da câmara de ar.

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Nossa suspensão veio com dois espaçadores e, desta forma, apresenta uma evidente progressividade. Durante nosso teste, retiramos os espaçadores para deixar a curva mais linear e, embora isso tenha permitido uma absorção um pouco melhor de impactos rápidos, a suspensão acaba ficando mais molenga, perdendo um pouco de sua eficiência de pedalada.

Para contornar o problema, aumentamos a pressão de funcionamento, mas isso acabou prejudicante a absorção de impactos pequenos é médios - no fim, o uso de dois espaçadores parece ser coerente com a proposta "XCZeira" da DT.

Pedalando

Nas descidas, a DT Swiss comportou-se como uma máquina de XC. Isso quer dizer que seu funcionamento tende a ser um pouco mais duro. A bem da verdade, foi preciso utilizar 25% de SAG, o máximo do recomendado, para obter um desempenho perfeito nas descidas.

Com essa configuração, a sensação de confiança nas curvas realmente impressiona, com o pneu dianteiro seguindo muito bem todos os contornos e irregularidades do terreno.

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O modelo pode ser usado sem dó no XC   Thiago Lemos

Embora esta configuração não tenha causado impactos de fim de curso, ela claramente mostrou-se muito mole para pedalar com a agressividade necessária em uma prova de XCO, por exemplo. Por isso, acabamos aumentando um pouco a pressão para atingir 23% de SAG.

Já nas subidas, o baixo peso fica perceptível, facilitando encaixar a frente da bicicleta por cima de obstáculos. A suspensão apresenta um bom suporte no meio de curso para pedalar em pé e, depois que nos acertamos com o SAG, a eficiência de pedalada foi o ponto alto.

Também conta muito para esta eficiência o acionamento remoto da trava. O botão tem um toque muito suave e trocar entre os três modos de trabalho rapidamente torna-se intuitivo.

Nos trechos de single plano ou em leve subida, onde é preciso pedalar em pé manobrando a bicicleta por entre as árvores, o modo Drive provou ser uma ferramenta muito útil. Com ele, é possível despejar potência sem comprometer a pilotagem da bicicleta, algo que aconteceria com a suspensão travada - com o fim do teste, já estamos sentindo falta desta opção.

Já o modo Lock, bloqueia quase que totalmente a suspensão, não permitindo nenhum movimento e sprints na subida, por exemplo. O pouco movimento com a trava acionada só aparece em situações forçadas e que não acontecem em um pedal real.

Apesar de ser linda e funcionar muito bem, não temos como negar que a trava remota é uma peça delicada e exposta, que certamente levaria a pior em um impacto contra uma pedra, por exemplo.

Durante o teste, levamos um tombo ao enroscar o guidão em um cipó e a trava empenou levemente, passando a enroscar entre o modo Open e Drive. Felizmente foi possível desempenar e o funcionamento voltou ao normal, mas isso demonstra uma certa fragilidade do belo componente.

Não sentimos problemas de flexibilidade no chassis em curvas e frenagens fortes - com o modelo trabalhando bem mesmo sob pressão - ponto positivo principalmente devido ao baixo peso da suspensão.

Pros

- Sistema O.D.L
- Altíssima eficiência de pedalada
- Leitura de terreno

Contras

- Regulagem de compressão muito forte
- Roteamento da mangueira do freio
- Fragilidade da trava

Conclusão

A DT Swiss OPM O.D.L 100 é um modelo que vai agradar em cheio ciclistas que querem o máximo de eficácia para competições de XC. Seja pelo baixo peso ou pela regulagem mais dura de compressão, o modelo transpira eficiência de pedalada. Seu acabamento é impecável e transmite um elevado nível de engenharia.

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Eficiência de pedalada é o ponto alto da DT Swiss   Thiago Lemos

A regulagem de compressão poderia ser um pouco mais solta, melhorando a absorção de impactos grandes para ciclistas leves. Para os que desejassem puro desempenho, bastaria dar uns clicks a mais no botão.

Para saber mais, acesse o site oficial da DT Swiss.

Piloto: Gustavo Figueiredo - Strava.

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