Teste - Specialized S-Works Camber 29 2016


29 NOV, 2016     Gustavo Figuereido     2    



A Specialized Camber é uma trail bike, definição que está no meio do caminho do cross-country e do Enduro / All Mountain. Ou seja, uma bike mais para diversão do que competição, equilibrando boas características tanto pra subidas como descidas.

Testamos o modelo S-Works, nome que a Specialized dá para a configuração topo de linha, tanto das mountain bikes, quanto nas bicicletas de estrada.

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Ficha Técnica

Quadro - Carbono FACT 11m, aro 29, em carbono FACT IS, Porta SWAT integrada, passagem totalmente interna dos cabos, gancheiras de 142 mm, curso de 120 mm
Amortecedor - FOX/Specialized com tecnologia Mini-Brain e ajuste remoto com AUTOSAG
Garfo - RockShox RS-1 29, mola pneumática Solo Air, 120 mm de curso, desenho invertido, eixo passante Maxle Ultimate de 15 mm
Mesa e guidão Syntace F109, elevação de 6 graus e Specialized em carbono FACT de 750 mm de largura
Freios - Shimano XTR - Rotores 180mm Frente e 160mm trás
Câmbio traseiro e trocador - SRAM XX1, 11 velocidades
Cassete - SRAM XX1, 11 velocidades, 10-42
Corrente - SRAM PC-XX1, 11 velocidades
Pedivela - SRAM XX1, em carbono, eixo PF30, 28 dentes
Aros e rodas - Roval Traverse SL, de carbono,, 24 furos na frente e atrás
Pneu dianteiro - Specialized Purgatory Control 29x2.3
Pneus Traseiro - Specialized Ground Control 29x2.3
Selim - Body Geometry Henge Expert, 143 mm
Canote - Command Post IRcc, curso tam P: 100 mm, outros: 125 mm
Peso: 11,70 kg sem pedais
Preço: R$ 57.999

Geometria

Veja a geometria da Specialized S-Works Camber 2016 aqui.

Tecnologias em destaque

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Tecnologia Brain - Já presente há alguns anos na Epic, o sistema usa uma válvula de inércia para ativar as suspensões apenas quando necessário. A ideia é evitar que o ciclista precise se preocupar em travar ou destravar a suspensão de acordo com o terreno.

A Camber usa um novo sistema ajustado para trail bikes, chamado Position-Sensitive Micro Brain, que deixa a suspensão livre nos 25% iniciais do curso para absorver pequenos impactos e permitir "preloadar" a suspensão quando necessário.

Porta SWAT - A porta SWAT é uma das últimas inovações da marca, que permite levar dentro do quadro componentes como câmaras de ar, bomba, gels, etc. O quadro também vem com a chave de corrente integrada a caixa de direção e a o canivete allen integrado ao quadro. Você pode ler sobre o surgimento da tecnologia SWAT aqui.

Auto Sag - Outra exclusividade da marca é a válvula de auto-sag. Com ela fica muito mais rápido fazer o ajuste inicial da suspensão traseira.

A Bike

Difícil achar alguém que não ache a bicicleta absolutamente linda! O quadro, todo em carbono tem curvas que misturam funcionalidade com design e combinam perfeitamente com as rodas de carbono e a suspensão Rock Shox RS-1, também em carbono. A bike é toda preta, com detalhes em vermelho nas rodas, guidon e parte do quadro.

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Reforço inferior do quadro e passagem do cabeamento interno

Algumas tecnologias são exclusivas da marca, como o Auto Sag e a tecnologia SWAT. A última, para nós, é super bem vinda. Ter um canivete allen e uma chave de corrente integrados é interessante, mas a porta SWAT podemos chamar de sensacional, já que permite levar uma câmara de ar, bomba e o que mais couber.

Reforçam a identidade "trail" da bike, o canote ajustável Command Post IRcc - com 10 posições intermediárias, o guidon de 750mm com uma leve inclinação, o disco de freio dianteiro com 180mm (o traseiro com 160mm), rodas de perfil largo e pneus tamanho 2.3". Para tirar peso e diminuir a complexidade, a bike segue a tendência de não aceitar câmbio dianteiro, sendo compatível apenas com sistemas de 1 coroa.

Porém, toda essa alta tecnologia e exclusividade vem com um preço. Já foi a época que uma bike top custava quase o preço de um carro. Nesse caso, por R$ 58 mil (novembro 2016), a bike custa quase o preço de 2 carros! É uma bike cara mesmo no mercado internacional. A boa notícia é que existem diversas configurações onde você terá a mesma geometria e comportamento parecido, começando em menos de R$ 12 mil.

O Teste

Levando ao Extremo - Camber no Enduro
Podemos dizer que levamos a Camber ao limite ao participar de duas etapas do Brasil Enduro Series. Isto é, porque em uma prova de Enduro, as especificações da Camber estão no espectro menos agressivo quando comparadas com bikes de 160mm nas suspensões e geometrias dedicadas.

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Foto: Rodrigo Philipps

Na teoria então, a Camber com seu curso reduzido e geometria menos agressiva, teria apenas como vantagem seu baixo peso da montagem S-Works. Esse era o comportamento esperado.

Porém, a realidade é que a bike surpreendeu muito na pilotagem. Nas descidas, as suspensões bem progressivas ao mesmo tempo que não deixam bater no final de curso, mantém uma excelente leitura de terreno com seus 120mm. É acreditar na bike e deixar ela trabalhar.

Claro, nas situações de alto nível técnico, a bike já começa a ficar arisca. Porém, sua capacidade de atropelar obstáculos ainda se destaca. Suas rodas 29 com pneus e aros largos permitem usar uma pressão bem baixa, deixando tudo mais fácil. Outro ponto de destaque foram os freios Shimano XTR - foram potentes e não falharam em nenhuma situação.

A pilotagem poderia ficar ainda mais agressiva com um guidon rise e a mesa inclinada para cima, mas decidimos testar a bike na configuração original.

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A única situação de problema neste uso extremo foi uma queda de corrente, que não era esperada para o grupo XX1. Algumas bikes até mesmo de cross-country já estão vindo com um pequeno guia de corrente e seria muito bem vindo também na Camber.

Cross-Country Olímpico
Partindo para o outro extremo, testamos também a bike na pista olímpica de cross-country do Rio. Pela natureza da pista, o teste acabou valorizando também a parte de pilotagem mais técnica. Com a Camber foi bem fácil não só "zerar" todos os obstáculos, mas também se divertir encontrando todas as linhas dos temidos rock gardens (vídeo abaixo).

Trilhas do dia-a-dia
Já um teste mais dentro do objetivo da bike, foi nas nossas trilhas locais, que podemos considerar como o clássico mountain biking, com subidas medianas e descidas de single track rápido e apertado.

A bike sobe surpreendentemente bem. Definitivamente não tem um desempenho racing de bike de cross-country, mas em situações que achamos que fosse perder tração, como subidas lameadas e com pedras, bastou manter a cadência e uma posição neutra. Até mesmo pedalando em pé e mais inclinado para frente, a Camber manteve bastante tração.

Também para nosso uso, não sentimos falta de marchas para subir e ter apenas uma coroa na verdade foi uma vantagem, para deixar o guidon mais livre no uso da alavanca do canote ajustável.

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Foto: Rodrigo Philipps

O comportamento em termos da bike ser fácil de mudar de direção, é bastante positivo. Como já tínhamos reparado na primeira vez que andamos na Camber, ela é super fácil de acostumar. Um ponto que demoramos um pouco mais, foram nas curvas, mas difícil avaliar se foi por estarmos mais acostumados com as 650b ou uma questão de geometria realmente. A realidade é que depois de mais intimidade com a bike, nossas curvas ficaram muito melhores.

Outro destaque é que os aros de perfil largo em conjunto com os pneus 2.3" permitem usar pressões bem baixar pra aumentar o controle e tração. Chegamos a usar 19 psi na frente e 21 atrás em algumas situações, sem qualquer surpresa.

Sistema Brain - Ame-o ou deixe-o
A ideia do Brain é excelente. Ao invés de ter uma alavanca (ou duas!) controlando quando você quer bloquear ou não a suspensão, o sistema funciona automaticamente. O modelo de cross-country Epic que usa um conceito similar, já recebeu algumas críticas, com relatos de funcionamento um pouco fora do esperado.

Para nós, a questão foi mais psicológica. Será que realmente estamos tirando o maior proveito das suspensões ? Essa foi a pergunta, somada a uma tendência errada de querer colocar o sistema menos sensível nas descidas e mais sensível nas subidas (ajuste que não pode ser feito pelo guidon).

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Na prática, sendo observadores e críticos, não sentimos qualquer mal funcionamento do Brain. Absolutamente nenhum problema de endurecimento ou travamento em descidas. Nas subidas, percebemos sim em algumas situações as suspensões segurando um funcionamento que roubaria energia, como desejado.

A pergunta que fica é se seríamos mais eficientes controlando as suspensões pelo guidon como nos sistemas convencionais ou se realmente o Brain nos fez o grande favor de simplesmente ignorar as suspensões. A resposta não temos.

Uma reflexão interessante também é que o perfil do usuário da Camber não é de competidor e a simplicidade no uso pode ser muito mais vantajosa que um suposto ganho de desempenho em algumas subidas.

Suspensões - Desempenho geral
Nos outros aspectos, o funcionamento das suspensões foi excepcional. Tanto a suspensão dianteira, quanto traseira, são muito progressivas e com ótima leitura de terreno. A tração em subidas e curvas também foi excelente, não só pelos pneus, mas pelo bom funcionamento das suspensões.

O único ajuste a fazer, além da sensibilidade do Brain, é a velocidade do retorno. O Auto Sag facilita encontrar o ponto de pressão ideal na suspensão traseira. Então, o maior trabalho é apenas testar quais os melhores ajustes funciona pra sua pilotagem e esquecer!

Encarando as pedras

Diferente de algumas críticas, a Rock Shox RS-1 não nos causou nenhum problema. Foi colocado em debate a questão da torção, por ser uma suspensão invertida, porém, no nosso uso, em nenhum momento sentimos qualquer problema mesmo nas situações mais técnica.

Uma crítica que procede é que quando se tira a toda dianteira, cada bengala roda de forma independente, dificultando a recolocação do eixo. Isso aconteceu 2 vezes com a gente. Teria atrapalhado em uma competição, mas também se ficar atento ao retirar as rodas, o "problema" é minimizado.

Para quem é a Camber
A maior qualidade da bike é a versatilidade. Qualquer perfil de piloto vai se divertir muito na Camber e podemos até dizer que quem compete sem pretensões pode usá-la em um cross-country ou enduro. A bike é perfeita para quem quer curtir o verdadeiro mountain biking.

Quem já tem uma pegada mais extrema, puxando mais pro downhill, vai gostar mais dos modelos de mais curso e quem só pedala em estrada de terra não vai tirar proveito de suas qualidade.

Quem é do cross-country e já tem uma bike dedicada, vai encontrar na Camber uma bike que inspira muito mais confiança em trilhas técnicas, podendo ajudar muito nesse tipo de treinamento. Além de tornar os rolés muito mais divertidos.

Pontos Positivos

Versatilidade
Peso

Pontos Negativos

Preço
Falta guia de corrente

Conclusão

Uma trail bike, com geometria acertada, boas suspensões e pesando menos de 12 kg é um sonho pros padrões atuais. Isso somado à algumas tecnologias exclusivas da Specialized, coloca a Camber como forte candidata à melhor bike da categoria.

Piloto
Pedro Cury (Strava)

Vestuário
Camisa Troy Lee Designs Ruckus, bermuda Troy Lee Designs Ruckus, luvas Troy Lee Designs XC, joelheira Specialized Atlas, capacete Specialized Ambush, óculos Tifosi, meias Troy Lee Designs.


Comentários


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    Pedro Cury    Rio de Janeiro - RJ

    Pedro Cury    Rio de Janeiro - RJ

    E aí Fabio, o tamanho do guidon não me incomodou. Entre 740 e 760 eu acho legal. 780 eu já acho muito. Se trocasse, seria por um com mais rise. Mas é uma questão bem pessoal.
    6 mes(es) atrás - Denunciar


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    Fabio    São Paulo - SP

    Fabio    São Paulo - SP

    Guidão estreito. Até Scalpel está vindo com maior.
    6 mes(es) atrás - Denunciar





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