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Teste - Sense Move 2020


26 FEV, 2020     Pedro Cury     2    
     


Apesar da fama conseguida em suas bikes de alta performance para estrada e MTB, a Sense Bike surgiu inicialmente fabricando bicicletas urbanas, isso no ano de 2009. Dessa vez, tivemos a chance de testar a Sense Move 2020, a bike mais simples da linha urbana, com quadro e outros componente fabricados em Manaus e peças de nível básico.

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Sense Move 2020 numa das paisagens mais bonitas do Rio   Pedro Cury

Ficha Técnica

Quadro: Alumínio Sense 6061 Series T4/T6 geometria comfort
Garfo: Sense 700c aço
Aros: Sense 29" Disc
Cubos: Sense
Pneus: Chaoyang 700x45c
Freios: Freio A Disco Mecânico 160mm
Rotores de Freios: 160mm
Passadores: Shimano EF41
Câmbio dianteiro: Shimano Fd TY500
Câmbio traseiro: Shimano Rd TY300
Pedivela: Shimano TY301 42x34x24d
Movimento central: Neco 122.5mm
Caixa de Direção: Sense Over
Cassete: Shimano TZ500 7v 14x28d Roda Livre
Corrente: KMC Z7
Selim: Selle Royal Milano
Canote: Sense 31.6x350mm Com Amortecedor
Guidão: Sense Alumínio 31.8x640mm
Manoplas: Sense Ergonomica
Avanço: Sense 31.8x90mm +10°
Garantia: 5 anos para o quadro. Demais componentes de acordo com o fabricante.
Peso divulgado: 13.7 kg
Preço Sugerido: R$1.490

Impressões Iniciais

A Move agradou nossa equipe em termos visuais, tanto no conjunto como um todo, quanto nos detalhes. A bike tem um visual que puxa mais para o esportivo do que para o recreativo. O quadro é levemente rebaixado pra facilitar o uso para pessoas de menor estatura, porém sem ser exagerado e nem feio como outros modelos específicos. A bike ainda conta com uma segundo pintura em tons de creme e marrom, que tem uma pegada muito mais clássica.

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Sense Move 2020   Márcio de Miranda

O tubo de direção tem um visual robusto e o garfo acompanha a mesma direção de forma elegante até a roda. O cabeamento do freio traseiro é parcialmente interno, na parte do tubo superior, enquanto os outros cabos passam discretamente por baixo do quadro. O modelo ainda vem com furações para instalação de para-lamas e bagageiros, o que amplia as possibilidades de utilização da bike.

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Sense Move 2020 tem cabeamento interno parcial   Pedro Cury
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   Pedro Cury
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   Pedro Cury

A gancheira é usinada e vazada, com um visual mais próximo de uma mountain bike. E pra completar os pneus largos pneus de 45mm, combinados com os freios a disco, dão à bike um ar de confiança e robustez - um pacote que parece pronto para encarar o dia-a-dia.

Pesos

Como de costume, realizamos a pesagem dos componentes da bicicleta. Você pode conferir as imagens na galeria.

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Sense Move 2020 desmontada   Pedro Cury

Totais

Total Divulgado: 13.7 kg
Total Aferido: 14 kg

Rodas

Pneus (unidade): 980 g
Câmara de ar: 155 g
Roda Traseira (sem fita): 1.145 g
Roda Dianteira (sem fita): 1.100 g
Rotores de Freio (par): 250 g
Blocagem Dianteira: 45 g
Blocagem Traseira 49,5 g

Componentes

Manoplas: 150 g
Canote de selim: 646 g
Avanço: 188 g
Selim: 400 g
Guidão: 527 g
Garfo: 1.191 g
Quadro: 2.070 g
Manete de Freios + passadores (par): 493 g
Pinças de Freios (par): 287 g
Movimento Central: 285 g
Pedais (par): 280 g

Transmissão

Corrente: 331 g
Cassete: 438 g
Câmbio Traseiro: 316 g
Pedivela: 1.011 g

Análise

Comparada com outras urbanas com pegada mais fitness nacionais em sua faixa de preço, a Sense Move custa um pouco menos, e seu pacote de componentes parece ser bem resolvido. Quando comparada com bike importadas, seu preço é bem inferior.

Custando menos de 1500 reais, a Move tem um valor praticamente imbatível em sua categoria, já que nesta faixa de preço quase todas as bikes são montadas com componentes bem semelhantes, quase sempre com grupos Shimano Tourney de 21 velocidades. Existem exceções e modelos que aparentemente são um pouco mais bem equipados, mas ao que tudo indica são bikes em estoque, já que a especificação indica que elas foram produzidas há alguns anos - além disso, elas não tem o canote com amortecimento.

O ponto negativo em nossa avaliação fica por conta das pinças de freio sem marca que equipam a bike. Apesar de funcionarem, é sabido que as pinças da Shimano costumam oferecer uma boa durabilidade, facilidade de ajuste e funcionamento eficiente a longo prazo.

Talvez uma boa opção para a Sense seja descartar o canote com amortecimento e tentar produzir uma bike com cubos, central e pinças Shimano.

O Teste

Para testar a Sense Move 2020, tivemos nosso editor Pedro Cury, que apesar de estar mais envolvido com bicicletas esportivas, também usa bike como meio de transporte em sua rotina. Também convidamos Daniel Brandão, outro ciclista que usa a bike quase que diariamente, mas também tem grande envolvimento com mountain biking e outras modalidades.

O teste foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, em diversos dias, da mesma forma que seria um uso padrão deste tipo de bike. Porém, fomos ao extremo ao usá-la em um dia de enchente, apenas pela curiosidade!

Impressão Geral

A primeira sensação ao subir na bike é que ela não te coloca numa posição tão relaxada, com a coluna reta, como esperamos de uma bike urbana de passeio. Ao mesmo tempo, também não chega a ser uma posição tão inclinada como de algumas mountain bikes. Para nós é um meio termo interessante, que não compromete o conforto e dá mais margem a uma direção mais ágil.

Foto 74454
Sense Move 2020   Márcio de Miranda

De cara se nota as manoplas ergonômicas Sense Ergo. Em um primeiro momento, achamos que elas eram uma certa frescura, mas na verdade foram bem-vindas, pois trazem um pouquinho mais de conforto, sem comprometer qualquer outra área.

Também de imediato se nota uma rolagem muito silenciosa e suave, graças a seus pneus slick bem largos, capazes de absorver bem as irregularidades do asfalto.

Direção Ágil
Esse foi um dos pontos positivos da bike. A configuração é de uma bicicleta de passeio, porém a Move permite uma pilotagem muito mais ágil, sendo fácil mudar de direção, se locomover bem pelo trânsito e até subir e descer calçadas. Nos sentimos muito mais numa mountain bike que em um modelo de passeio.

Garfo Rígido ou Suspensão?
Uma das maiores dúvidas de quem quer uma bike de passeio é sobre ter ou não suspensão. A nossa escolhe sempre foi por ter um garfo rígido. Isso porque, uma suspensão que traz qualquer benefício será mais caro que uma bicicleta nesta faixa de preço. Então, os fabricantes optam por colocar suspensão horríveis só para agradar o desejo - e fantasia - de um público que não necessariamente entende muito de bicicleta.

A verdade é que suspensões baratas funcionam muito pouco, apenas para uma determinada faixa de peso (já que possuem uma mola padrão, sem ajustes e não substituível), apenas para uma leve sensação de conforto e depois de um tempo sem a devida manutenção, podem até travar. No fim das contas, elas só servem para aumentar o peso da bike.

O conforto que essas suspensões podem trazer, são facilmente conseguidas usando um pneu mais largos, como é o caso da Sense, e uma calibragem correta.

Subindo

Em um uso urbano, não esperamos ter que encarar grandes subidas ou pelo menos não por muito tempo. Nessas condições, a Move vai bem, desde que a exigência não passe dos limites de uma relação com 24 dentes na coroa e 28 dentes no pinhão da marcha mais leve. No Rio de Janeiro, ela atendeu perfeitamente.

Transmissão


A bike foi montada com um mix de componentes Shimano Tourney TY500 e TY300. Apesar de ser o mais simples da linha, temos que tirar o chapéu para a Shimano: o sistema todo funciona muito bem, com passagem de marchas precisas e silenciosa.

Foto 74455
Sense Move 2020   Márcio de Miranda

A configuração da transmissão traz 21 marchas, montadas em uma pedivela com 42 x 34 x 24 dentes e cassete 14 / 28 dentes. Por ser um grupo simples, a diferença entre a marcha mais leve e a mais pesada não é muito grande. Isso quer dizer que, se você precisar de muita velocidade final ou for encarar subidas muito inclinadas, corre-se o risco de ficar sem marchas adequadas com a Move.

Também não existem muitas opções de upgrade, já que o cubo traseiro aposta em um sistema de catraca e não de cassete com roda livre. Isso quer dizer que, para aumentar o número de marchas por exemplo, seria preciso trocar praticamente a transmissão inteira.

No final das contas, para a proposta e faixa de preço da bike, essa configuração vai atender a necessidade.

Freios

Os freios ficaram como um ponto polêmico na nossa análise. Eles serem a disco traz vantagens inegáveis: funcionam melhor na chuva, não ficam travando se a roda empenar, costumam ser mais fortes e são mais bonitos.

Bikes urbanas são conhecidas por terem freios ruins e o da Move está bem acima da média nesse quesito. Em situações mais extremas em que precisamos parar bruscamente, eles funcionam muito bem.

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   Pedro Cury

Porém, não gostamos muito da pegada e modulação (dosagem da frenagem). É preciso um pouco mais de força do que gostaríamos para acioná-lo mesmo de forma leve. A ergonomia também ficou um pouco abaixo do desejado, com a manete sendo meio grande.

A bike que veio para nós estava com cabos e conduítes já gastos e contaminados, e isso pode ter interferido nesta sensação. Alem disso, por estarmos acostumados com freios hidráulicos, nosso grau de exigência também pode ser maior, e talvez essa não seja uma característica que incomode todo mundo.

Mas o que realmente é um ponto negativo é que a manete do freio é integrado com o passador de marchas. Dessa maneira, torna-se muito mais difícil um upgrade dos freios para um sistema hidráulico, já que isso implicaria trocar também os passadores.

As pinças dos freios não tem marca e não está na especificação do site da Sense quem é o fabricante. Mas, seja como for, pode ser que pinças Shimano, já conhecidas por sua grande qualidade, ajudariam muito nesse desempenho.

Numa discussão final, ficamos divididos se um bom V-Brake teria sido uma opção melhor que os discos mecânicos.

Rodas e Pneus

O pneus foram um dos pontos positivos da bike. Os Chaoyang de tamanho 700 x 45c trazem um misto excelente de rolagem e conforto, que certamente deixa claro que é melhor ter um garfo rígido com pneus grandes do que uma suspensão ruim.

Com esse tamanho, você pode optar por rodar com uma calibragem um pouco menor para aumentar o conforto, sem riscos de furar. Além de dar um visual muito mais legal à bike.

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Sense Move 2020   Márcio de Miranda

Por outro lado, quem quiser deixar a bike mais rápida, pode trocar os pneus por mais finos, já que existem muitas opções na medida 700c, que também é equivalente ao 29".

Cockpit

O conjunto guidão e avanço trazem uma posição confortável e esportiva à bike. O selim não é esportivo como de uma mountain bike, mas também não largo estilo "sofazão" de algumas bikes urbanas, o que achamos ser um meio termo interessante. Vale destacar que selins muito grandes costumam ser extremamente desconfortáveis, principalmente em pedaladas mais demoradas.

O canote com sistema de amortecimento é algo que não agradou o perfil dos nossos pilotos de teste. A verdade é que o amortecimento funciona muito pouco. Pesando em torno de 70 kg, só é possível sentir que esse amortecedor existe quando se desmonta da bike depois de alguns minutos pedalando, ou seja, ele abaixa uma vez e fica ali parado. Porém, fora deixar a bike mais pesada, ele também não trouxe problemas.

O pedais são bem simples, provavelmente os mais básicos que já vimos em qualquer bicicleta. Acreditamos que uma bike que tem uma agilidade acima da média para a categoria poderia vir com pedais um pouco melhores.

Pros

- Agilidade
- Custo x Beneficio

Contras

- Freios com manete integrada
- Pedais

Conclusão

A Sense Move é uma bike urbana com uma pegada levemente esportiva, pneus confortáveis e uma boa relação custo benefício. Seu pacote mostrou-se ágil e despojado no uso urbano, com seus componentes satisfazendo bem para sua proposta.

Foto 74457
Sense Move 2020   Márcio de Miranda

Para ficar perfeita, ela poderia ter freios um pouco melhores e, honestamente, o canote com sistema de amortecimento poderia ser deixado de lado. Os pedais da bike também não são muito bons, mas este é um problema de simples resolução, inclusive se sua intenção for fazer uma troca por pedais de encaixe.

Para saber mais, acesse a página da Move Disc no site oficial da Sense Bike.


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Comentários

  • avatar

    jrcleber    Vila Velha - ES

    jrcleber    Vila Velha - ES

    Tenho a move 2018, me surpreendeu, excelente custo beneficio para o q se propõe.
    A unica mudança dos modelos novos q gostaria de ter na minha 2018 talvez seria o freio a disco.
    Acho a relação de marchas da 2018 melhor e a mudança do garfo de alumínio para aço, não me agradou por morar em região litorânea.
    A minha está com 6.500km rodados, unica mudança q fiz, foi recentemente o canote e selim. Outras peças q troquei foram devido a desgaste, mas pegando peça semelhante/idêntica q foram: sapatas, corrente, cassete e movimento central.

    2 mes(es) atrás - Denunciar


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    am.araujo    São Paulo - SP

    am.araujo    São Paulo - SP

    A sense move de 2018 era uma bike muito boa pra uso urbano, o fato de vir com kit fechado shimano tornava a bike um trato, a única diferença era o uso de v-brake, algo que pra uso urbano não incomoda tanto. Porem, com o dolar pela hora da morte, acredito que a sense não conseguiria manter esse valor, infelizmente somos reféns do cambio. Mas pra quem deseja uma bike urbana com pegada mais esportiva, a Sense Activ tem um ótimo custo x beneficio também.
    2 mes(es) atrás - Denunciar




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