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Teste - Scott Spark 920 2018

Testamos esta bike de XC que aposta na previsibilidade e na excelente trava Twinloc para conquistar diversos tipos de terreno


2 AGO, 2018     Gustavo Figueiredo     8    



Lançada em 2017, a nova geração da Spark chegou trazendo um desenho completamente novo, deixando a linha de bikes full suspension de XC Scott em um patamar de desenvolvimento extremamente elevado. Pilotada por ninguém menos do que Nino Schurter em boa parte de sua temporada perfeita, não é pouco dizer que os modelos da linha estão entre os mais desejados e cobiçados do mercado atual.

Foto 68319
   Pedro Cury

No teste a seguir, dissecamos a Spark 920, quinta bike mais avançada de uma linha que conta com nada menos do que 20 produtos - isso sem contar a linha RC, que tem um projeto com menos curso e geometria para circuitos de XC, somando mais 6 modelos.

Vale lembrar que, em 2017 tivemos a oportunidade de pedalar diversos modelos da linha Spark durante uma viagem para Lenzerheide, na Suíça.

Ficha técnica

Quadro: Spark 3 Carbono / IMP / Triangulo HMF / Balança Alumínio SL 6011 / 12x148mm
Garfo: FOX 34 Float Performance Air Grip 3 / 3-Modos / 15x110mm / tapered / 120mm / regulagem de retorno
Shock: NUDE EVOL Trunnion customizado SCOTT 3 modos / DPS / Controle retorno / Curso 120-85
Sistema de trava: SCOTT TwinLoc controle de canote integrado
Caixa de direção: Syncros Pro Drop in
Câmbio traseiro: Sram GX / Eagle 12 Speed
Trocadores: Sram GX Trigger
Freios: Shimano SLX M7000 180/D e 160/T
Pedivela: Sram X1 1000 Eagle GXP Boost PF 32D
Movimento Central: Sram GXP PF integrated / shell 41x92mm
Guidão: Syncros FL2.0 T-Bar Alumínio Flat / 9° / 740mm
Manoplas: Syncros Pro lock-on grips
Mesa: Syncros FL2.0
Canote: FOX Transfer Dropper Remote 31.6mm / 125mm
Selim: Syncros XR2.0 / CROM rails
Rodas: Syncros XR2.5 CL D: 15x110mm, T: 12 x 148mm Boost 25mm Tubless ready 28F
Corrente: Sram CN GX Eagle
Cassete: Sram GX / XG1275 / 10-50 T
Pneus: Maxxis Forekaster / 2.35 / 120TPI Kevlar Bead TR Tubeless Ready / EXO / 3C maxx Speed
Peso Divulgado: 12.7Kg
Peso Aferido: 12.5kg
Preço sugerido: R$ 25.999,90

Impressões iniciais

Assim como aconteceu com a Scale 980 que testamos há alguns meses, o primeiro contato com a Spark 920 nos deixou impressionados com a beleza da bicicleta. A combinação de pneus grandes e cravudos com a suspensão de 120mm, cores agressivas, mesa curta e guidão largo dão um ar de "moto big trail" para a bike, fazendo com que ela chame bastante a atenção.

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A combinação de verde neon, preto e vermelho lembra bastante a pintura da bicicleta utilizada por Nino e, em inúmeras ocasiões, escutamos pessoas comentando a passagem da bicicleta durante a Copa Internacional de MTB em Araxá, quando nosso teste começou.

O cabeamento é totalmente interno, deixando um visual limpo quando se olha a bike de lado. Ao olhar para o guidão ou ao pedalar, porém, a sensação se inverte, já que inúmeros conduítes, mangueiras e alavancas causam uma certa estranheza visual na dianteira da bicicleta.

Foto 68447

De uma forma ou de outra, a Spark transpira agressividade e modernidade, seja por seu projeto bastante atual ou pelos detalhes de acabamento como as faixas verdes que ganham pequenos traços pretos perto do fim, antes de tornarem-se vermelho.

Com o passar do tempo, a bicicleta vai revelando cada vez mais detalhes de sua intrincada construção - uma verdadeira obra de engenharia suíça com um acabamento tão bem trabalhado quanto sua parte técnica.

Componentes

No cockpit da Spark, temos uma predominância de componentes Syncros, marca própria da Scott que faz manoplas, guidão de 740mm e a mesa FL2.0 de 60mm com os espaçadores integrados à caixa de direção Syncros Pro Drop tapered.

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Foto 68449

Segurando o confortável selim Syncros XR2.0 temos um canote dropper Fox Transfer com cabeamento interno, 125mm de curso e 31.6mm de diâmetro. Ele é acionado por uma trava que opera também as funções do TwinLock, sistema que controla simultaneamente as duas suspensões da bicicleta e ainda serve de abraçadeira para a manopla esquerda.

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Foto 68459

Curiosamente, praticamente todos os parafusos da bike, incluindo os da mesa e do canote, são no padrão torx. Embora este padrão ofereça algumas vantagens sobre o allen, tivemos problemas para apertar um simples parafuso de manopla que se soltou durante um pedal - normalmente multi-ferramentas não contam com uma grande variedade de chaves torx.

Foto 68442

Em linhas gerais, o pacote de componentes agradou no uso, mas nem tanto na praticidade, já que em algumas ocasiões nos deparamos com empecilhos mecânicos para realizar tarefas simples.

Pesos

Devido a complexidade técnica e aos custos envolvidos na desmontagem completa do quadro, com retirada de freio, todos os conduítes e central press-fit, alguns componentes não foram pesados separadamente. A desmontagem, pesagem e remontagem foi realizada na oficina H.Bike.

Foto 68751

Totais
Total Divulgado: 12.7kg
Total Aferido: 12.48kg

Rodas
Dianteira montada sem disco e eixo: 2.000g
Traseira montada sem disco e eixo: 2.155g
Travas dos discos: 25g
Eixo Traseiro: 55g
Eixo Dianteiro: 70g
Disco: 165g

Componentes
Shock: 275g
Manoplas: 85g
Canote de selim: 545g
Twinloc com controle de canote e cabos: 105g
Mesa: 145g
Caixa de direção: 50g
Espaçadores: 25g
Selim: 265g
Guidão: 320
Suspensão Dianteira: 1825g
Freio dianteiro: 265g
Quadro estimado: 2500g

Transmissão
Corrente: 250g
Cassete: 450g
Câmbio Traseiro: 295g
Pedivela: 635g
Trocador com cabo: 135g

Geometria

No papel, a Spark 920 é uma bike de XC bastante moderna, com uma traseira curta, frente longa e caixa de direção relaxada. Nosso teste foi realizado com uma bike tamanho M, que tem um alcance de 432.7mm - longo quando comparado com outras trail bikes de marcas tradicionais, mas nada exagerado.

Foto 68742

Com 67.2 graus de caixa de direção, ela também pode ser considerada uma bike "relaxada", colocando a Spark em um patamar de ângulos de comprimentos mais normalmente encontrados em bicicletas com mais suspensão, voltadas ao all-mountain ou enduro não muito agressivo. Com apenas 438mm, a traseira também pode ser considerada curta.

A bem da verdade, o único ponto levemente destoante da característica super moderna da Spark é seu tubo de selim com 73.8 ° graus de inclinação - atualmente, muitas bikes já utilizam seat tubes com 74, 75 e até mais de 76 graus para facilitar o trabalho do piloto em subidas inclinadas.

O Teste

A Spark 920 foi testada em uma grande variedade de situações. Com ela, encaramos trilhas e estradas de terra de todos os tipos e participamos de algumas competições. Além disso, andamos com a bike em algumas pistas de XCO e até em trechos de asfalto, tudo para testar tudo o que ela é capaz de fazer.

Foto 68327
   Thiago Lemos

No geral, a bicicleta impressionou por sua grande capacidade de andar em velocidades elevadas em todos os tipos de terreno, passando sempre uma sensação de enorme tranquilidade ao ciclista. Este comportamento é fruto de uma geometria "long, low, slack" fica reforçado pelo excelente trabalho da suspensão e pela presença do canote dropper.

Além disso, a Spark mostrou ser uma bicicleta muito versátil, cobrindo uma ampla gamas usos. Durante o teste, buscamos diferentes regulagens de suspensão e modificamos muitas vezes a altura da mesa - com apenas estes recursos, foi possível adaptar a bicicleta a uma enorme variedade de condições.

Twinloc

Se o quadro de carbono IMP é a alma da Spark 920, certamente o Twinloc é seu sistema nervoso. Afinal, é ele quem controla de forma precisa os "braços e pernas" da bike, permitindo que ela apresente uma grande capacidade de adaptação durante a pedalada - sem que você toque em qualquer regulagem da suspensão.

Foto 68427

O sistema conta com três modos de atuação: descidas, controle de tração e trava total. O interessante do Twinloc é que, ao trocar do modo "descida" para o "controle de tração", o Shock, que tem duas câmaras de ar, passa a funcionar apenas com uma - reduzindo seu curso e aumentando a progressividade. Na realidade o curso não é mecanicamente reduzido, mas com a diminuição do volume de ar, ele fica efetivamente limitado.

Foto 68436
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Além disso, o controle hidráulico também é alterado, possibilitando um trabalho consistente da suspensão. Na dianteira, somente o controle de compressão é modificado, gerando um efeito semelhante mas não idêntico.

Outro detalhe é que, ao colocar a alavanca na posição "Controle de Tração", o volume de ar do shock é reduzido, mas o do garfo não. Com isso, o SAG traseiro diminui enquanto o dianteiro segue inalterado. Isso efetivamente modifica a geometria da bicicleta durante a pedalada - aumentando o ângulo da caixa e do seat-tube, posicionando a bike com mais eficiência para subidas.

O Twinloc permitiu utilizar a bike com uma configuração bem macia, o que deixou a aderência nas curvas e em terrenos irregulares impressionante. Além disso, aquelas pequenas ondulações que freiam a bicicleta praticamente somem.

Ao mesmo tempo, trechos de pedalada e subidas em terreno irregular são um prato cheio no modo "controle de tração". A trava total também foi amplamente utilizada, já que comutar entre os modos torna-se rapidamente intuitivo.

Descendo

Descer é algo que a Spark 920 faz com incrível naturalidade. A bem da verdade, ela sente-se tão confortável ladeira abaixo que, em muitas ocasiões, fizemos nossos melhores tempos em segmentos muito utilizados durante os testes mesmo sem perceber que estávamos indo tão rápido.

Foto 68323
   Thiago Lemos

Esta situação repetiu-se em diferentes tipos de trilha, indo do estradão praticamente liso até trilhas mais esburacadas e singles. Em uma das provas de maratona que corremos, acabamos fazendo bons tempos nos trechos de descida, levando até um KOM - isso sem ter feito nenhum reconhecimento de percurso.

Embora o Strava não seja um instrumento preciso de medição de tempo, a própria experiência de ver os outros atletas comendo poeira mostra que a Spark está vários patamares acima de uma bike de XC no quesito descidas.

Além da geometria bem mais relaxada e dos 20mm a mais de suspensão, o canote dropper é algo que faz diferença até no estradão liso, principalmente em curvas de alta velocidade. Além de permitir uma posição mais aerodinâmica, é possível abaixar mais na curvas, rebaixando o centro de gravidade e aumentando a velocidade de contorno - não é preciso salientar a diferença brutal que o banco baixo faz em descidas mais técnicas.

Foto 68322
   Thiago Lemos

Durante a Maratona Internacional Estrada Real em Ouro Branco, conseguimos ganhar bastante tempo descendo em uma velocidade claramente maior do que outros ciclistas. Apesar de não ter grandes desafios técnicos, o terreno solto e pedregoso com diversas curvas de alta e média velocidade foram uma excelente pedida para o conjunto da Spark.

Também encaramos trilhas extremamente agressivas, com muitas pedras grandes, erosões e buracos. Nesta situação, a Spark mostrou uma ótima capacidade de seguir a linha escolhida. Para quem está acostumado com uma bicicleta de XC, os 120mm de curso satisfazem, principalmente porque a bike comporta-se muito bem nesta situação. Já quem está acostumado com bikes com mais curso fica menos impressionado, mas também sente que a bike que tem mais suspensão do que realmente tem.

Ela também encara drops inclinados sem reclamar, com a frente longa, o garfo mais deitado e o canote dropper trazendo bastante confiança para o ciclista. Porém, esta incrível tranquilidade da Spark pode parecer prejudicial em algumas situações - principalmente quando o terreno é menos inclinado e técnico.

Em curvas de baixa velocidade em falso plano e no plano, sentimos que a Spark só mantém uma boa aderência com o peso do piloto bem deslocado para frente, em uma posição pouco natural. Além disso, seu comportamento nos pareceu um pouco lento em algumas trilhas menos técnicas de XCO como as do parque Cemucam, em Cotia.

Foto 68326
   Thiago Lemos

A grande verdade é que a 920 é um "cavalo selvagem" que não gosta muito de espaços confinados. Com isso, em circuitos pouco técnicos, mais planos e lisos, sentimos claramente o sintoma de ter "bike de mais para trilha de menos".

Não que ela seja lenta em situações assim, mas se comparada a uma bike puramente de XC, certamente ela exige mais jogo de corpo e deslocamento de peso para frente para contornar as curvas.

Incrivelmente, este sintoma desaparece completamente quando levamos a bike para o "mundo real". Na natureza, a Spark 920 sente-se em casa, encarando com desenvoltura praticamente tudo o que você vai encontrar em trilhas normais, ficando a limitação apenas para coisas absurdas como trilhas de downhill.

Subindo

Apesar de ser extremamente eficiente nas descidas, a Spark 920 também é uma bicicleta boa de subidas. Apesar de não ser super leve, seu peso de 12.5Kg é bastante respeitável para uma full suspensension com 120mm, canote dropper e pneus 2.35''. Vale ressaltar que é possível retirar o canote e substituir os pneus, o que pode economizar bastante peso - mas é algo que nós não faríamos, já que ela funciona muito bem em sua configuração original.

Foto 68324
   Thiago Lemos

A trava Twinloc mostrou-se muito eficaz montanha acima. Com ela, é possível variar rapidamente entre os três modos de uso, alternando entre travado, controle de tração e totalmente aberto a cada variação do terreno.

Algo que notamos ao brincar com ela é que a maior parte da movimentação indesejada de suspensão vem do garfo e não do conjunto traseiro. Certamente isso deve-se ao bom projeto cinemático da Scott, com uma geometria de links que elimina boa parte da movimentação indesejada - princialmente quando se pedala com suavidade.

Outro detalhe inerente a construção é a excelente rigidez do quadro. Nos sprints, foi possível perceber uma boa transmissão de potência, com a bicicleta acelerando com vontade para encarar trechos técnicos de subida ou em saídas de curva.

Apesar disso, não podemos negar que a combinação entre mesa curta, frente longa e caixa deitada deitado exigem que o peso seja deslocado para frente em trechos mais inclinados, principalmente para manter a relaxada frente na linha desejada.

Mais uma vez, esta característica não impediu a transposição da maioria das subidas que encaramos, apenas exigiu um posicionamento diferente e um pouco mais de equilíbrio em baixas velocidades.

Pedais Longos

A Spark 920 é uma bicicleta incrível para pedais longos. Mais do que isso, ela é capaz de cobrir rapidamente muitos quilômetros em uma grande variedade de terrenos, sendo uma ótima escolha para maratonas, ultra-maratonas e pedais épicos.

Foto 68460
   Pedro Cury

Apesar de ser um pouco "over" para quem vai correr pela vitória na elite, ela é a pedida ideal para uma ampla gama de competidores, sendo o Twinloc um dos grandes responsáveis pro isso. Com ele, é possível manter uma regulagem bem macia da suspensão quando ela está aberta, apostando nos outro dois modos para momentos de pedalada. Em provas longas, isso significa menos desgaste sem abrir mão da eficiência.

Mais do que economizar bunda, costas, braços e pernas, a Spark economiza sua mente, já que sua tocada estável e previsível permite encarar descidas duras e rápidas mesmo depois de muitas horas e quilômetros de pedal - com ela, é possível ser rápido do início ao fim de uma prova.

Em situações normais de uso, os 120mm de suspensão e a grande eficiência da Spark foram uma combinação ideal entre conforto, estabilidade e velocidade - uma combinação que agradou a nós e também ao experiente Odair Pereira. Em conversa com o experiente atleta, ele nos contou que usou uma Spark 900 para correr e treinar para diversas provas - apesar de poder usar qualquer outra bike da linha Scott.

No quesito Pedais Longos, o único ponto baixo da 920 é o suporte único de caramanhola, o que pode acabar forçando o uso de uma mochila de hidratação. Nas provas que participamos, foi possível completar com apenas uma caramanhola, mas sentimos que algumas situações como provas mais longas e pedais em locais isolados poderiam ser um problema.

Suspensões

Totalmente reprojetada para a nova versão da Spark, a suspensão traseira foi um dos pontos de maior destaque da bike. Com valores de anti-squat ao redor de 90% no ponto de SAG* em quase todas as marchas, ela mostrou uma boa eficiência de pedalada, com a trava refinando o uso conforme a situação.

Foto 68456

A Spark conta com uma traseira de alumínio flexível com o shock apoiado na região do movimento central, um ponto naturalmente mais reforçado do quadro - confira todos os detalhes da suspensão da Scott Spark na matéria de lançamento da bike.

Nas frenagens, valores de anti-rise ao redor de 90% no ponto de SAG possibilitou frenagens seguras e sem mergulhos excessivos - embora isso possa ter roubado um pouco de potência de frenagem do trem traseiro.

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Foto 68452

O curso traseiro é bastante linear, mas em linhas gerais foi possível trabalhar com uma regulagem macia sem sofrer com impactos de fim de curso ou bob exagerado. Ao longo do teste, variamos o SAG do shock entre 20 e 26%. Com esta variação, conseguimos adaptar a bike à diferentes situações de uso.

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Também gostamos bastante da atuação da FOX 34 Float Performance. Mas, diferente do conjunto traseiro, sentimos algumas dificuldades para acertar o funcionamento da dianteira - foi preciso um bom tempo de uso e muitas experiências para finalmente nos entendermos com a suspa.

Foto 68429

No começo do teste, sentimos a suspensão um pouco amarrada em impactos de alta velocidade, o que foi contornado com uma regulagem com o retorno um pouco mais rápido do que o recomendado pela fábrica. A ideia foi fazer a suspensão trabalhar em uma área mais alta do curso, ganhando assim um funcionamento mais vivo. No fim, a aposta deu certo.

Conforme citamos acima, o garfo movimenta-se um bastante em momentos de pedalada, mas a trava resolve esta "dificuldade" rapidamente. Além disso, apesar de não contar com o tratamento Kashima nas hastes como as FOX de gama superior, seu funcionamento mostrou-se suave em impactos pequenos.

Em linha gerais, tanto a suspensão traseira como a dianteira mostraram-se extremamente capazes e versáteis, podendo ser reguladas para funcionarem muito bem em uma enorme variedade de terrenos e situações.

Freios

Normalmente, os freios hidráulicos da Shimano não decepcionam, e mais uma vez este foi o caso. Equipada com os excelentes SLX M7000 e discos de 180mm, a Spark não mostrou dificuldades em parar, com sua velocidade podendo ser facilmente controlada com apenas um dedo em cada manete mesmo em trilhas com inclinação elevada.

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O modelo utiliza a tecnologia Servo Wave da Shimano, que movimenta um maior volume de óleo no começo do curso do manete. Isso acelera o contato da pastilha com o disco, além de afastar mais os componentes quando a alavanca não está apertada. O sistema tem muitas vantagens, mas sempre que migramos de sistemas diretos para o Servo Wave, sentimos uma tendência de travar as rodas nas primeiras frenagens bruscas.

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Apesar de não contar com pastilhas ou discos Ice-Tech, não tivemos problemas de fadiga ou super-aquecimento ao longo de nosso teste. Porém, sentimos que o freio traseiro engoliu um pouco de ar em algum momento, precisando de algumas bombadas para recobrar o curso depois de transportes com a bike deitada.

Transmissão

O SRAM GX Eagle que equipa a Spark 920 utiliza um cassete 10-50 e uma coroa de 32 dentes. Esta configuração apresenta uma boa amplitude de marchas e, ao menos para nós, todos os usos foram contemplados, com subidas e decidas sendo encarados sem sustos ou faltas de marcha.

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Mesmo com a coroa X-Sync prendendo bem a corrente, a guia da Scott tratou de evitar qualquer descarrilamento, com a transmissão trabalhando de forma precisa e silenciosa em todas as situações encontradas por nossa equipe.

Ao desmontar a bike para pesagem, reparamos em um grande arreste na transmissão ao girar o pedal para trás. Verificando os componentes, descobrimos que a polia inferior do câmbio estava praticamente travada.

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Ao desmontar a polia, encontramos as pequenas esferas do rolamento bastante contaminadas com sujeira e até pedaços de mato. Além disso, a mesma roldana tem o fama de ser flexível e não guiar perfeitamente a corrente com o pinhão de 10 dentes engatado, o que pode causar a destruição do câmbio traseiro - felizmente, não sofremos nada parecido durante nossos testes.

Rodas e Pneus

Apesar de não serem super-leves, as rodas e principalmente os pneus da Spark mostraram-se extremamente bem adequados à proposta da bike. Os Maxxis Forekaster 2.35 mostraram uma ótima aderência em uma grande variedade de terrenos, com a estabilidade da carcaça sendo o ponto de destaque.

Foto 68444

Durante o teste, brincamos com pressões extremamente baixas e, mesmo chegando a usar menos de 20 PSI, não sentimos o pneu dobrando em excesso. Vale lembrar que eles são montados em aros com 25mm de largura interna.

Seja na frente ou atrás, os cubos Boost sustentam 28 raios e eixos passantes de 15mm na dianteira e 12mm na traseira, criando um conjunto robusto e confiável, que não empenou nenhum milimetro durante o teste.

Foto 68445

Os pneus tem composto triplo, com o centro da banda utilizando uma borracha mais dura para priorizar a rodagem e cravos laterais mais macios para aprimorar a aderência em curvas. Além disso, existe uma camada inferior de borracha ainda mais dura, o que junto com a proteção EXO nas laterais cria um pacote extremamente resistente contra furos e rasgos.

Aproveitando o fato de rodas e pneus serem tubeless ready, nossa bike já veio montada sem as câmaras e com liquido selante - o que resultou em zero furos durante os testes, mesmo rodando em terrenos bem agressivos.

Além da boa aderência em subidas, descidas e curvas, gostamos muito da previsibilidade do Forekaster. Ao abusar nas curvas, por exemplo, conseguimos reduzir a velocidade com derrapagens precisas e controladas.

Manutenção

Não costumamos colocar este item na maioria dos testes, mas no caso da Spark, sentimos que vale a pena citar algumas coisas sobre este quesito. Isso porque, apesar de ser extremamente bem construída, a Spark é uma bicicleta para mecânicos experientes e com bons equipamentos.

Foto 68432

Ao observar a bike e, principalmente ao desmonta-lá, percebemos que a Spark é fruto de uma engenharia muito moderna, cuja beleza técnica se iguala a sua complexidade. Esta característica pode ser encontrada em uma infinidade de parafusos torcx diferentes, no complexo cabeamento ou na peça que integra TwinLoc, controle do canote e abraçadeira de manopla.

Para se ter ideia, o parafuso que prende esta peça fica escondido atrás de um cotovelo do cabo do canote. Isso quer dizer que uma tarefa simples como mudar a posição da trava exige soltar o cabo do canote e soltar um mini parafuso torcx. Além disso, quando a manopla gastar, você terá que comprar outra Syncros compatível - embora seja possível cortar o encaixe com um estilete e utilizar outras manoplas de sua preferência.

Outro detalhe é que não é possível mudar de forma independente o controle do canote e a trava da suspensão. Ai, ou o acionamento da trava fica muito para frente ou o do canote muito para cima, em uma posição que nos pareceu pouco ergonômica em algumas situações.

No mais, um mecânico menos experiente pode sentir dificuldades até para trocar o cabo do canote ou o da trava do Shock - se forem retirados sem os devidos cuidados, a dor de cabeça para recoloca-los é garantida.

Pros

-TwinLoc
-Versatilidade
-Previsibilidade

Contras

-Mecânica mais complicada

Conclusão

Capaz de encarar trilhas e diferentes provas com desenvoltura, a Spark 920 destaca-se pela grande flexilidade de uso e pela incrível capacidade de engolir diferentes terrenos em altíssima velocidade, sempre passando muita tranquilidade e previsibilidade para o piloto - uma verdadeira máquina para pedais épicos.

Foto 68321
   Thiago Lemos

Em situações puramente de XC, ela pode ser um pouco preguiçosa, exigindo mais do piloto para contornar curvas apertadas em terrenos menos agressivos com velocidade. Não é a toa que, para estas situações, a Scott possui a versão RC da Spark, que conta com uma geometria um pouco mais curta e ágil e apenas 100mm de suspensão - ideal para um XC mais técnico mas ainda uma XC.

Piloto: Gustavo Figueiredo - Strava

Vestuário: Camiseta La Maglia Summer, Bretelle La Maglia Forro Italiano, Meia Hupi Laranja e Capacete Scott Centric Plus.

Para saber mais sobre a bike, acesse a página da Spark 920 no site oficial da Scott Brasil.

*Análise feita com ajuda do André, do Canal AndreXTR.


Comentários

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    Regis    

    Regis    

    Qual a diferença entre a 920, e a 900 tean, elas tem o mesmo curso de suspensão, sei que na frente a900 e de 100 milímetros e a920 110 mm, em ângulo de chão qual a diferença?
    3 mes(es) atrás - Denunciar


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    Cebo    São Paulo - SP

    Cebo    São Paulo - SP

    FredGuardini , parabéns pela compra! Ficamos felizes em saber que nossos testes ajudam o consumidor. Vamos continuar tentando descrever as bikes exatamente como elas são - em seus defeitos e qualidades. :)

    Abraços e bons pedais!

    4 mes(es) atrás - Denunciar


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    FredGuardini    Campinas - SP

    FredGuardini    Campinas - SP

    Cebo, muito obrigado pelo seu comentário, chamei a 920! Obrigado pelo seu comentário! Estou adorando ela, agressiva e precisa ao mesmo tempo! E junto, adquiri um canote rígido de carbono, com o mesmo selim, etão quando eu for para lugar que sei que não haverá single, troco o dropper (que é muuuuito bom) pelo rígido, diminuo o peso e ótimo, tenho praticamente uma 900 RC Team, que estava de olho no início!!
    4 mes(es) atrás - Denunciar


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    Daniel   

    Daniel   

    Excelente review! Parabéns! Agora mais disposto a ter uma 920!
    4 mes(es) atrás - Denunciar


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    Cebo    São Paulo - SP

    Cebo    São Paulo - SP

    FredGuardini, em teoria a RC é uma bike menos adequada para encarar terrenos super técnicos do que a Spark normal, justamente por ter uma geometria menos relaxada. Eu ficaria com a RC para circuitos de XCO, já que ela é mais ágil e com a normal para trilhas em geral e provas de longa duração. Seja como for, as duas bikes são excelentes.
    4 mes(es) atrás - Denunciar


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    FredGuardini    Campinas - SP

    FredGuardini    Campinas - SP

    Considerando a grande maioria das trilhas em nosso país, vale a pena mesmo ter uma RC? Já que seu uso limita-se a circuitos mais técnicos???
    4 mes(es) atrás - Denunciar


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    Adilson    

    Adilson    

    Isto sim é um teste drive de verdade, muito esclarecedor.. paraben s!!
    4 mes(es) atrás - Denunciar




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