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Teste - Rodas Vzan Clamber 2016

Rodas apostam no custo-benefício e no baixo peso para agradar escaladores


2 DEZ, 2015     Gustavo Figuereido     2    



Para o ciclista de estrada, a subida é a situação mais desafiadora do esporte. Afinal, gostando delas ou não, o fato é que pedalar envolve enfrentar ladeiras e, muitas vezes, ser bom nelas significa vencer ou perder uma competição – mesmo que seja só aquele pega com os amigos no fim de semana.

Para quem gosta das montanhas, até pouco tempo a Vzan oferecia as LEV-460, que pesavam pouco mais 1600g o par. Embora fosse leve, este modelo sofria um pouco com dois problemas: a falta de rigidez e os empenos frequentes. Recentemente, no Brasil Cycle Fair 2015, a Vzan apresentou a Clamber, que veio para substituir com vantagens a LEV-460.

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Leves e relativamente rígidas, a Clamber é uma boa pedida para as subidas


Ficha Tecnica

Medidas 700C - 622x15mm
Altura - 23mm
Furação dianteira - 20 furos
Furação traseira – 24 furos
Peso Dianteira - 710g
Peso Traseira - 805g
Peso Par - 1.515g
Pneu compatíveis – de 19mm a 28mm
Raiação - Pillar PDB 1.7mm / Niple Preto 14mm
Cubo Dianteiro - ROAD V11 de 20 furos
Cubo Traseiro - ROAD V11 de 24 furos (Freehub Shimano de 11/10/9/8 veloc.)
Cores - Preto
Blocagem - Alumínio c/Cromolibidenio
Opcionais - Freehub para Campagnolo
Preço - R$ 1.000,00

Primeiras Impressões

Ao tirar as rodas da embalagem, logo se percebe o cuidado e Vzan com o transporte de seus produtos. Na caixa, tudo veio bem acondicionado, com blocagens e fitas de aro em saquinhos separados dentro da caixa de papelão.

O acabamento é satisfatório e da para perceber que a anodizagem foi bem feita. A única ressalva são os adesivos dos grafismos, que poderiam ser um pouco mais discretos. Porém, o modelo segue o padrão de identidade visual do fabricante e, a bem da verdade, grafismos são questão de gosto. No meu caso, prefiro os mais limpos como os da HED.

Os cubos são bem acabados e não apresentaram nenhum tipo de folga ou jogo. Além disso, o Freehub vermelho é bem bonito e traz consigo um anel espaçador para que o ciclista possa utilizar 11, 10, 9 ou 8 velocidades. Embora sejam bem feitas e funcionais, as blocagens tem um acabamento de plástico pouco refinado.

Quanto ao peso, encontramos uma pequena diferença do informado pelo fabricante. Enquanto a traseira pesou 810g, a dianteira ficou em apenas 670g, 40g a menos do que o informado. Vale lembrar que essa pesagem foi feita com a roda sem blocagens e fitas de aro. Um peso bastante respeitável para rodas que custa cerca de mil reais.

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O bom acabamento está na anodização e também no belo free-hub vermelho


Principais características

Perfil reto

Uma das maiores dificuldades em fazer uma roda leve é que, ao retirar material do aro, inevitavelmente ela acaba ficando mais mole. Para contornar este problema, a Vzan apostou em um perfil reto, o que aumenta a rigidez do modelo.

Isso acontece por conta do canto vivo na estrutura do aro, que cria um formato mais resistente se comparado aos modelos mais arredondados. Tanto é verdade que a maioria dos aros super leves voltados aos escaladores apostam neste tipo de desenho.

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As extremidades dos aros são retas para melhorar a rigidez e a resistência


Material de construção

Ao afinar as paredes do aro para reduzir peso, a Vzan acabou escolhendo um material mais nobre para a construção da Clamber, o alumínio 6061. Com esta nova liga, que substituiu o 6063 utilizado nas LEV-460, o fabricante afirma que as rodas ficaram mais resistentes, mesmo tendo perdido cerca de 100g se comparadas as suas antecessoras.

Anodizagem

Além de riscar com mais facilidade, uma roda pintada sempre será mais pesada do que uma idêntica, porém anodizada. Por isso, a Vzan optou por evitar a tinta na Clamber, mantendo o bom acabamento e, de quebra, reduzindo alguns gramas do conjunto.

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O acabamento anodizado promete resistência e baixo peso


O Teste

Por cerca de quatro anos, utilizei um par rodas Vzan LEV-460 de forma relativamente satisfatória. Embora fossem leves e baratas (pouco mais de R$ 650,00 na época), elas empenaram algumas vezes. Além disso, depois de cerca de três anos de uso intenso, tive problemas com raios quebrados – felizmente não tive dificuldades em encontrar similares para substituição, inclusive na própria Vzan.

Nos sprints mais fortes, era possível perceber uma ligeira ineficiência na transmissão de potência. Porém, em linhas gerais, nunca tive grandes problemas ou decepções com o componente.
Com este histórico em mente, esperava que as Clamber tivessem um comportamento parecido com os da LEV, mas me enganei. Além do menor peso, as rodas são claramente mais rígidas e resistentes.

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Subir forte em pé ou trechos de paralelepípedos não foram problema para as rodas


Ao todo, rodei um pouco mais de mil quilômetros com as rodas até agora. No cardápio constam as duras subidas do L´Étape Brasil, treinos nas esburacadas avenidas da USP e pedais em grupo nas estradas de São Paulo, indo dos lisos acostamentos da Bandeirantes a estradas vacinais mal conservadas.

No L´Étape, o baixo peso do componente fez toda a diferença. Porém, com subidas longas e ritmo moderado, foi complicado testar a rigidez das rodas, já que raramente se esprinta em uma prova assim. Porém, durante a competição, tive a primeira prova da resistência do componente ao entrar em um trecho de paralelepípedos e lombadas a mais de 60km/h – situação que fatalmente empenaria minhas antigas LEV-460.

O teste de rigidez veio nos treinos subsequentes ao L´Étape. Fazendo intervalos curtos e sprints, pude perceber que as Clamber torcem um pouco, mas nada que prejudique o desempenho - ainda mais se levarmos em conta que são rodas para escaladores leves, que preferem subir sentados. Todavia, talvez elas sejam um pouco moles para ciclistas mais pesados e fortes.

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A roda dianteira não flexionou nem nas curvas mais agressivas


No plano, a diferença aerodinâmica entre a LEV-460 e a Clamber (que é mais baixa) não chega a ser sentida. Porém, se comparada a um aro aerodinâmico de 60mm, existe uma maior dificuldade em manter o passo.

Uma solução poderia ser a adoção de aros de perfil mais largo, com desenho toroidal. Além de melhorar o conforto por ter a "cama" do pneu mais larga, este tipo de aro ainda melhora o fluxo de ar ao redor da roda, principalmente quando utilizados com pneus de 25mm. Porém, um aro com essas caracteristicas fatalmente seria mais pesado, fugindo da proposta da Clamber.

Pontos positivos

Baixo peso
Custo reduzido

Pontos negativos

Levemente flexíveis
Não muito aerodinâmicas

Conclusão

Para quem procura uma roda leve que não custe os olhos da cara, a Clamber é uma excelente opção. Certamente existem modelos mais leves e rígidos no mercado, mas eles podem custar, facilmente, quatro ou cinco vezes mais do que as Clamber.

Além disso, a Vzan é amplamente conhecida pela disponibilidade e agilidade em substituir componentes, o que nem sempre acontece com produtos importados. Neste quesito, um raio ou um rolamento da Vzan tende a custar menos do que um similar importante, principalmente nesses tempos de dólar alto.

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O acabamento da blocagem deixa um pouco a desejar, mas o componente funciona bem


Porém, atente-se a um detalhe: as Clamber são rodas para atletas leves e tem um limite de peso de 80kg. Para quem pesa menos de 70kg e gosta de subidas como eu, elas são uma boa opção, mesmo em situações de asfalto levemente judiado. Todavia, atletas mais pesados e quem andem em asfalto muito ruim provavelmente estarão melhor servidos com rodas mais resistentes.

Site do fabricante: http://www.vzan.com.br/
Página do produto: Vzan Clamber


Comentários

  • avatar

    Paulo bik   

    Paulo bik   

    Muito bom os produtos vzan é inquestionável mas obicervei que na procura pelos raios 27.5 Everest css não achei.
    6 mes(es) atrás - Denunciar


  • avatar

    CHRISTIAN M.A.    Brusque - SC

    CHRISTIAN M.A.    Brusque - SC

    pesando entre 76 a 78 com treinos intensos, elas não empenariam fácil ?
    só uma duvida..

    8 mes(es) atrás - Denunciar




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