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Teste pedivela Shimano Hone 2006


13 NOV, 2006     Pedro Cury    



:: Como surgiu o Hone

Recebemos da Shimano o pedivela desse grupo que aqui no Brasil muita gente ainda desconhece, o grupo HONE. Esse grupo surgiu, junto com o grupo Saint, pela necessidade de componentes mais voltados para as necessidades das modalidades All Mountain, Four Cross, Freeride e Downhill. Essas modalidades extremas exigem mais dos componentes do que outras modalidades como o Cross-Country e Maratona, pois são praticadas em pistas técnicas que exigem demais da bicicleta. Quando falamos técnicas, realmente queremos dizer muito técnicas. Estamos falando de saltos de mais de 3 metros de altura por 6 metros de distância em média, mas muitas vezes bem maior que isso, coisa para expert ou profissional. Ou, mesmo sem saltos, pistas mais agressivas com muitas pedras, descidas íngrimes e "socação", como gosta o pessoal de all mountain.

O grupo Hone não é o mais extremo, é recomendado para All Mountain / Enduro e fica abaixo do grupo Saint, que é o recomendado para freeride e downhill. Apesar disso, alguns pilotos de downhill e four-cross que estão preocupados com peso, têm neste grupo uma ótima oportunidade de enxugar algumas gramas sem comprometer tanto a resistência. Realmente para os que procuram essa característica, alguns componentes do grupo, como o pedivela que testamos, caem como uma luva! Além disso, as peças desse grupo são mais baratas que do Saint, seu superior, tendo um ótimo custo-benefício. Vale lembrar apenas que a Shimano não indica o grupo para esse uso mais extremo, fica como opção dos pilotos mais experientes, sendo recomendado o pedivela versão duas coroas.


:: Dados Técnicos

Peso: 930g (para 3 coroas)
Cores oferecidas: preto
Configurações: 2 coroas + proteção ou 3 coroas (22 / 32 / 42 dentes)
País de fabricação: Japão
Tamanhos oferecidos: 170mm e 175mm
Sistema de encaixe: Hollowtech II (Integrado)
Acompanha os rolamentos externos e espaçadores para serem usados em quadros com caixa 68mm e 73mm.
A versão de duas coroas é para uso mais extremo e tem o eixo em aço, já o Hone 3 coroas possui eixo em alumínio.

Um grande diferencial nos pedivelas mais modernos da Shimano é o sistema Hollowtech II. Anteriormente, existia a tecnologia Hollowtech, em que dentro do braço do pedivela, existia um espaço vazio, para diminuir o peso (foto 5). Agora, com o Hollowtech II, além desse espaço, o sistema de encaixe do pedivela no quadro é totalmente diferente. Não existe mais a necessidade do movimento central. O braço do pedivela direito já é integrado no eixo e no quadro são presos rolamentos externos, por onde entra esse eixo. O braço esquerdo, então, "abraça" o eixo pelo outro lado do quadro, sendo fixado por dois parafusos (foto 6 e 7).

Esse sistema traz grandes vantagens, como:

- Redução de peso: não existe mais a necessidade do movimento central que ficava dentro do quadro. Esta peça normalmente era pesada e foi substituida pelos rolamentos externos, bem mais leves e resistêntes.

- Maior resistência: O eixo é muito mais grosso que os eixos dos sistemas anteriores, portanto bem difícil de quebrar. O rolamentos também são maiores e mais resistentes, aumentando a durabilidade. Acabou aquele barulho irritante de eixo empenado e rolamentos gastos de antigamente!

- Menor torção: Também pela espessura do eixo e maior área de contato com os rolamentos, existe uma maior rigidez do sistema.

Esse novo pedivela precisa de ferramentas especiais para que seja encaixado no quadro. Normalmente vemos isso como uma desvantagem, porém nesse caso é compreensível, já que não existiria outra maneira de cumprir essa tarefa. É preciso também de uma outra pequena ferramenta, para "tampar" o eixo do lado esquerdo. Essa sim, poderia ser adaptada para o uso de uma chave allen convencional. Apesar disso, as duas ferramentas são baratas e as melhores oficinas já as possuem.

Outro detalhe importante é que, como em toda peça moderna, é preciso seguir a risca as instruções de instalação, ou seja, usar um torquímetro para apertar os parafusos do braço esquerdo. No manual de instruções isso fica bem claro e é bom ser seguido para evitar problemas de garantia (foto 7). Também é aconselhável lixar a fina camada de tinta do quadro na parte externa (borda do buraco do movimento central) para evitar que os rolamentos tenham alguma diferença milimétrica de encaixe, já que isso pode gerar problemas na linha da corrente (chainline). Essa recomendação não deve ser seguida para quadros de carbono. Na verdade, é uma recomendação para qualquer tipo de movimento central e de caixa de direção, mas nem todo mundo fica atento a este fato.

Assim como em outros modelos, é possível intercambiar coroas, desde que seja na mesma furação (4 furos). Também é possível usar rolamentos feitos por outras empresas, o que pode ser vantajoso com os novos rolamentos de cerâmica que estão surgindo no mercado.


:: Primeiras impressões

De cara o que mais chama atenção no componente é o design. Ele é todo preto (exceto os rolamentos que são prateados). Tem um design robusto, sendo mais largo que os modelos anteriores e com um tipo de "pintura" (anodizado) fosca. Fica muito bonito em qualquer bike que for montado.

A facilidade de instalação é outro ponto impossível de não ser notado. Basta encaixar os rolamentos no quadro dando um pequeno torque na chave, encaixar o eixo que é integrado ao braço direito e encaixar o braço esquerdo do lado oposto. Depois é só apertar dois parafusos, colocar a tampinha e pronto! Para tirar basta fazer o inverso. Nada mais de chaves para desengatar o pedivela.

Ao pedalar, quem ainda usa pedivelas de eixo quadrado conseguirá sentir diferença. A pedalada parece que fica um pouco mais "limpa". Quem abusava do eixo quadrado também conseguirá sentir menos torção, principalmente quem pratica modalidades mais extremas e coloca todo seu peso nos pedais em algumas manobras.


:: O teste

O piloto de downhill Guilherme Renke testou o pedivela por 3 semanas e foi segundo colocado na 2a Etapa do Estadual de Downhill do RJ 2006, categoria Elite, durante este período. Mais informações sobre o piloto em http://www.guilhermerenke.com/.

Renke montou o pedivela em uma bike profissional de downhill, usando pedais clip. A bike percorreu a trilha de downhill de Paty de Alferes e da Vista Chinesa, ambas no Rio.

Depoimento Renke:

"Senti muita confiança nas retomadas de curvas e aceleração com o Hone, no entanto, sua grande vantagem é o peso leve devido ao sistema Hollowtech, isso facilita pois no DH procuramos sempre o mais leve possível. Fora o visual!"


Outro piloto a testar foi Pedro Cury, que pratica freeride urbano e biketrial. Este piloto não compete no esporte, mas como prometemos, fizemos fotos que mostram situações em que é possível ver uso intenso da peça.

Pedro usou o pedivela por 2 meses e decidiu deixar em sua bike, sendo sua escolha de equipamento. Foram testadas situações de grande exigência da peça, principalmente em relação a impactos. No trial existe muitas batidas na proteção das coroas e esse impacto é transmitido diretamente para os rolamentos. Nas fotos é possível observar o desgaste que ocorreu na proteção durante o período de teste, já que a proteção era nova. Não faltaram situações de erros com batidas violentas da proteção e o Hone continuou firme e forte!

Depoimento Pedro Cury:

"Gostei muito do Hone. Eu ainda estava preso ao sistema de eixo quadrado que rangia e empenava. Era muito comum sentir uma enorme torção quando preparava para alguma manobra de trial. Agora tudo fica mais firme! Além de empenar movimento central, também já perdi pedivela porque o encaixe do braço quadrado ficou redondo com o desgaste e isso não acontece com esse novo sistema. Certamente esse pedivela deverá durar anos sem problemas!"


:: Conclusão

Certamente o pedivela Hone é um ótimo upgrade para quem ainda possui os sistema antigos. É indiscutível a qualidade desse sistema, que já é usado há tempos no BMX, modalidade conhecida pelo abuso do equipamento. Agora que foi possível adaptar esse sistema ao MTB sem adição de peso, não tem como voltar atrás. Mesmo sendo mais caro que os sistemas anteriores, vale a pena pela maior durabilidade e desempenho.


:: Onde comprar

Bike Tech Jardins (SP)
http://www.biketechjardins.com.br/

Intertrilhas (MG)
http://www.intertrilhas.com.br/

Star Bike (RJ)
http://www.starbike.com.br/

Freebike (RJ)
http://www.freebike.com.br/

Loja Downhill Brasil
http://www.downhillbrasil.com.br/

Representante nacional oficial (manuais e informações):
http://www.shimano-bic.com.br/


Fotos (24)

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