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Teste - Gonew Endorphine 10.3 2016


9 ABR, 2017     Gustavo Figueiredo     8    
     


Criada em 2014, a Gonew é uma marca própria pertencente ao grupo Netshoes. Sob o guarda-chuva da linha Endorphine, a loja de vendas online oferece diversas opções de bicicletas.

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Endorphine 10.3

Desta vez, testamos a 10.3, uma bike voltada para o mountain biker amador, equipada com um bom pacote de componentes e quadro de fibra de carbono.

Ficha Tecnica

Quadro: Carbono, tamanhos: 17" (testada), 19" ou 21"
Suspensão: Suntour XCM 100MM com trava remota e 100mm de curso
Freios: Disco Hidráulico Shimano BR-AM396
Câmbios e passadores: Shimano Alivio M4000
Corrente: KMC Z99
Pedivela: Triplo Shimano FC-M4050 Shimano Alivio
Marchas: 27
Aros: 29, Alumínio Parede Dupla
Pneus: CST Critter 29 x 2.1
Cubos: Shimano TX505 Center Lock
Canote: Alumínio
Selim: Gonew
Pedal: Gonew plataforma de plástico
Guidão: Gonew Alumínio 680mm
Manoplas: Gonew com trava
Cores: Preto + Branco
Ferramentas incluídas: 2 chaves de aperto, canivete allen, bomba de ar, sacola para transporte e manual de instruções.
Peso divulgado: 17" - 14.62 kg / 19" 14.62 kg / 21" 14.7 kg
Garantia do Fabricante: 2 anos para quadro - 3 meses para demais componentes
Preço ( Fevereiro 2017): R$ 4.399,90

impressões iniciais

A Endorphine 10.3 veio praticamente montada dentro de uma grande caixa de papelão. Todos os componentes estavam muito bem protegidos contra riscos e, para andar, bastou instalar a roda dianteira e os pedais.

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Dentro da caixa também encontramos o kit que acompanha todas as bikes das marca, composto por algumas ferramentas básicas, bomba de encher pneu, manual de instrução, suporte de garrafinha, pedais e até um retrovisor.

Embora a bike venha montada e verificada pela marca, fizemos uma revisão de montagem antes de sair para pedalar pela primeira vez. Nela, descobrimos que os freios precisavam de um pequeno ajuste para não raspar. Os câmbios, porém, funcionaram muito bem e não precisaram de nenhum tipo de ajuste.

Com 2 anos de garantia, o quadro aposta no cabeamento interno para manter o visual limpo. Infelizmente, a maioria dos cabos e conduítes são extremamente longos, o que acaba prejudicando um pouco o visual da bike.

Vale lembrar que nosso bike foi montada com a mesa invertida e em sua posição mais baixa. Caso a montagem fosse no sentido inverso - mesa para cima e posição mais alta, os conduítes maiores se fazem necessários.

Na parte visual, a Endorphine 10.3 chama bastante a atenção com uma bem equilibrada combinação entre preto fosco, branco fosco e alguns grafismos em prata. Infelizmente, a bela pintura acabou mostrando-se um pouco delicada, apresentando vários riscos com pouco tempo de uso.

Componentes

Assim como em outras bikes da marca, a Endorphine 10.3 vem equipada com mesa, guidão e selim com logotipos Gonew. Assim como o canote sem marca, estes componentes são bastante simples e pesados. O destaque fica pela manopla com punho com trava combinando com a pintura.

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Enquanto a transmissão é feita pelo grupo Shimano Alivio M4000, a frenagem fica por conta dos freios Shimano Acera M395 hidráulicos. Pneus CST Critter de arame montados nos pesados aros Gonew e cubos Shimano TX505 completam um pacote relativamente pesado, mas eficiente.

Uma nota fica por conta do selim. Ele é diferente do utilizado na 8.3, possuindo um desenho mais reto e espuma mais fina e dura - dois pontos muito bem-vindos que realmente tornaram os pedais muito mais confortáveis.

Pesos

Realizamos uma desmontagem completa e pesagem dos principais componentes na H.Bike, oficina localizada na zona sul de São Paulo, dentro do Brookling Bike Café.

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Bike desmontada e pesada depois do teste


Total divulgado: 14.6 kg
Total aferido: 14kg
Suspensão dianteira: 2.750 g
Quadro: 1.470 g

RODAS
Pneus (unidade): 850 g
Roda traseira: 1.395 g
Roda dianteira: 1.180 g
Canote: 325 g
Pedivela: 1.015 g
Par de rodas e pneus com blocagens e discos: 5.750 g

Geometria

Quando falamos em comprimentos e ângulos, a Endorphine 10.3 tem um pacote mais curto e ágil do que sua irmã de alumínio, a Endorphine 8.3 que testamos nesta matéria. Por isso, embora as duas bikes utilizem praticamente o mesmo pacote de componentes, o comportamento delas é completamente diferente.

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A tabela fornecida pelo fabricante aponta para um tubo superior com 56 centímetros de medida real. Porém, o top tube virtual - valor que realmente importa - fica na casa dos 58.5cm.

O chain-stay é curto, tendo apenas 440mm de comprimento. Além disso, a caixa de direção possui um ângulo de 71 graus, com tubo do selim a 73 graus. Com um entre-eixos de 107,5cm e porção dianteira de 64.5cm, trata-se de um desenho curto, o que indica um comportamento ágil do conjunto.

Como comparação, atualmente muitas bicicletas tem apostado em traseiras igualmente curtas, mas com a porção dianteira mais alongada e caixas de direção mais deitadas, com cerca de 68 ou 69 graus de inclinação - tudo para garantir mais estabilidade nas pistas mais técnicas e agressivas encontradas nas provas de XCO modernas.

Este fator, porém, não faz muita diferença na vida do "trilheiro" mais amador, já que dificilmente enfrentaremos trilhas tão técnicas como a das Olimpíadas Rio 2016 ou de uma etapa de Copa do Mundo.

O teste

Testamos a bike durante três meses em trilhas de estradão, singles e terrenos bastante agressivos, com muitos buracos, erosão e terra solta. A lama também esteve presente em muitos momentos, já que estamos em plena estação de chuvas.

No geral, a 10.3 se destaca pela pilotagem fácil e divertida e pela suavidade e boa capacidade de absorver irregularidades - duas características que tornam a bike uma brinquedo muito divertido. Infelizmente, o peso elevado acaba sendo um fator limitante para quem tem pretensões competitivas.

Subindo
Mesmo com quadro de carbono, a 10.3 está longe de ser uma bike leve. Isso porque seu conjunto de componentes é básico e pesado. Descontado este fator, a bike sobe bem, não apresentando nenhum característica indesejável como empinadas exageradas e dificuldade em seguir trechos que exigem mais precisão.

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Encontrar tração com ela em terrenos mais técnicos também não foi complicado - fruto da traseira curta, algo que permite uma maior transferência de peso para o eixo traseiro.

O quadro apresenta um pouco de torção e de perda na transmissão de potência - algo que será sentido por ciclistas mais fortes e pesados. Certamente, o eixo traseiro com blocagem simples de 9mm tem uma influência neste cenário.

Descendo
A 10.3 é uma bike que coloca um sorriso no seu rosto durante as descidas, principalmente se você gosta de bicicletas com respostas rápidas. O guidão com um leve rise e a frente curta, combinada com o fechamento cônico da caixa colocam o piloto em uma posição mais ereta - algo muito bem-vindo nos trechos mais técnicos.

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Nos trechos de alta velocidade, ela possui um comportamento neutro, apontando para as curvas sem demoras ou exageros. Porém, para garantir a linha ideal, é preciso mover o peso um pouco para a frente para evitar a perda de tração no eixo dianteiro.

Quando a trilha fica mais apertada e os buracos crescem, a 10.3 realmente torna-se bastante divertida, negociando curvas, frenagens, acelerações e transposição de obstáculos de forma intuitiva.

Com ela, conseguimos desenvolver uma boa velocidade em terrenos técnicos, já que a pilotagem previsível permite que o ciclista foque sua atenção na trilha, e não tentando corrigir comportamentos estranhos da bike.

A unica ressalva fica por conta de uma leve torção no quadro que pode ser sentida em situações mais extremas. Além disso, faltam pneus com mais volume para que a bike realmente tenha seu melhor desempenho ladeira abaixo.

Suspensão
O garfo Suntour XCM 30 V4 têm 100mm de curso, eixo de 9mm e espiga reta. Embora ele absorva bem buracos médios e grandes, a leitura de terreno deixa um pouco a desejar, principalmente para ciclistas mais leves. Com acionamento remoto descomplicado, a trava e guidão mostrou-se eficiente e prática, ajudando bastante nas subidas.

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Infelizmente ele rapidamente torna-se "áspero" - depois de alguns pedais com mais poeira, a qualidade de funcionamento cai drasticamente, indicando que o componente precisa de manutenção frequente.

Além disso, existem alguns relatos de água entrando neste modelo de suspensão depois de chuva. Por isso, convém realizar uma boa manutenção depois de pedalar na chuva.

A falta de controle de retorno e a regulagem pouco eficiente de pré-carga da mola também são pontos negativos, mas no geral o garfo funciona bem para ciclistas entusiastas.

Freios
Os freios Shimano Acera M395 hidráulicos são um grande destaque, mostrando boa potência, eficiência e precisão impressionantes para um conjunto de gama mais baixa.

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Os manetes possuem um acionamento sólido, mas apenas a regulagem de alcance está presente. Além disso, eles podem ser acionados com 1 ou 2 dedos. Porém, o acionamento com apenas um dedo pode ser um pouco pesado em situações mais extremas ou em caso de ciclistas muito pesados.

O sistema não apresentou super-aquecimento e permitiu frenagens seguras e derrapagens precisas mesmo em terrenos mais escorregadios.

Transmissão
Como era de se esperar, o funcionamento da transmissão completa Alivio M4000 é impecável, com destaque positivo para a bela e eficiente pedivela com eixo integrado.

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Os trocadores 2-Way Release permitem descer os câmbios apertando ou empurrando as alavancas dianteiras. Embora o curso dos botões seja meio longo, não tivemos nenhum dificuldade em encontrar as marchas corretas e nem problemas de trocas indesejadas.

A relação utilizada conta com coroas de 22-30-40 e cassete 11-34. Aqui, fica uma sugestão para o fabricante: por tratar-se de uma bike para entusiastas que provavelmente será utilizada bastante em trilhas, talvez um cassete 12-36 fosse uma pedida melhor para enfrentar subidas mais encardidas, permitindo um giro um pouco mais alto, além de minimizar o uso da coroa pequena e do câmbio dianteiro em algumas situações.

Rodas e Pneus
Mais uma vez, a Gonew aposta no pacote de aros de parede dupla com marca Gonew, cubos Shimano TX505 e pneus CST Critter de arame. Trata-se de um conjunto robusto, porém bastante pesado.

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Em terreno mais duro e batido, os pneus apresentaram bom comportamento e velocidade. Porém, em terrenos mais soltos eles mostram-se um pouco escorregadios. Além disso, ao passar por locais com lama, eles rapidamente ficaram "empacotados", perdendo completamente a habilidade de tracionar - algo perfeitamente esperado em um desenho com cravos baixos.

Embora sejam descritos como 2.1, os CST são relativamente estreitos, lembrando um pneu 1.95. Com a carcaça dura e o baixo volume, eles não são muito eficientes em absorver impactos e irregularidades. Felizmente, a resistência contra furos foi positiva.

Pros

- Quadro de carbono
- Pacote de grupo e freios

Contras

- Rodas e pneus pesados
- Suspensão

Conclusão

Com um bom comportamento e um grupo de câmbios e freios eficientes, a Gonew Endorphine 10.3 destaca-se pela pilotagem divertida e intuitiva. Seu quadro é pesado se comparado a outros de fibra de carbono mais tops, porém ele ainda é mais leve do que de alumínio de bikes nesta faixa de preço.

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Ela poderia contar com um pacote de componentes um pouco mais exclusivo, com um guidão reto mais largo e fechamento reto da caixa para diferenciar-se mais da Endorphine 8.3. Além disso, rodas e pneus de melhor qualidade poderiam realmente destacar mais o potencial positivo da bike.

Custando R$ 4.399,90 atualmente no site de Netshoes, ela custa um pouco mais do que bikes com pacotes similares de componentes. Porém, todas as suas concorrentes nesta faixa de preço utilizam quadro de alumínio ao invés de carbono.

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Piloto: Gustavo Pacheco (Strava)


Fotos (6)

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Comentários

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    Marcos Roberto   

    Marcos Roberto   

    Estou pendendo mais para Soul sl329 que tem garantia vitalicia do quadro e esta muito linda também o peso dela é 12,8kg.. ambas são lindas e tem quase o mesmo conjunto... alguém acha que estou errado... ou nessas duas é opção de gosto? Obrigado!
    11 mes(es) atrás - Denunciar


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    Cebo    São Paulo - SP

    Cebo    São Paulo - SP

    Aceita sim, Alessandro.

    12 mes(es) atrás - Denunciar


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    alessandro konrath   

    alessandro konrath   

    Ola, o quadro dela aceita suspencao com espiga conica tapered?
    12 mes(es) atrás - Denunciar


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    Roberto M.   

    Roberto M.   

    torção do quadro : Certamente, o eixo traseiro com blocagem simples de 9mm tem uma influência neste cenário. se trocar, para a torçao???
    1 ano atrás - Denunciar


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    Luiz   

    Luiz   

    O modelo com grupo XT parece ser mais honesto. Custa o dobro do preço.
    2 ano(s) atrás - Denunciar


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    Marcelo campos   

    Marcelo campos   

    Bike boa, porém com preço alto pelos componentes e peso.trocando a suspensão é a relação já melhora bastante.

    2 ano(s) atrás - Denunciar


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    Leo Amaral    Brasília - DF

    Leo Amaral    Brasília - DF

    Não consigo entender como dão garantia de apenas 2 anos em um quadro. Esse é um fator que me faria correr da bike. Mostra falta de confiança do próprio fabricante.
    2 ano(s) atrás - Denunciar


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    João Frango   

    João Frango   

    Excelente review, mostra os dois lados da bike e não apenas só os pontos bons, bike legal e com upgrades pontuais pode se tornar muito boa gastando bem pouco, parabéns pelo teste
    2 ano(s) atrás - Denunciar




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