Teste - Capacete Scott Centric Plus 2017

Testamos o capacete que levou dois ouros olímpicos


29 AGO, 2016     Gustavo Figuereido    



Ao longo dos últimos meses, pudemos testar um dos capacetes mais modernos do mercado, o Centric Plus, da Scott. Equipado com tecnologias como o MIPS que prometem mais segurança e o Halo que proporciona mais ergonomia, este equipamento foi recentemente utilizado no Rio de Janeiro por Nino Schurter e Jenny Rissveds na conquista de seus ouros olímpicos.

Apesar de ter tido esse grande destaque com os dois medalhistas olímpicos de mountain biking, o capacete é também para uso na estrada e outros atletas dessas modalidades também o estão utilizando dependendo do circuito. O novo capacete dedicado para estrada da Scott é o Cadence Plus, porém com um foco em aerodinâmica.

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Capacete Scott Centric Plus de diferentes ângulos

Tecnologias

HALO Fit System - Trata-se do sistema topo de linha da Scott para ajustes de capacete. Com ele, é possível encontrar diversas posições para o aperto, que pode ter sua pressão e altura micro-ajustados sem tirar o capacete da cabeça.

Além disso, a Scott afirma que toda a ergonomia de seus capacetes leva em conta a distribuição dos vasos sanguíneos e nervos da cabeça, criando pontos de pressão anatomicamente mais confortáveis.

MIPS - Com este sistema, a Scott afirma que o Centric Plus é mais seguro em impactos angulares do que um capacete não equipado com o sistema. Entenda todos os detalhes sobre a tecnologia MIPS nesta matéria.

Scott Air - Esta tecnologia cria diversas perfurações no MIPS que facilitam a ventilação. Segundo o fabricante, isso aumenta a eficiência da ventilação em 16% se comparado a um MIPS sem a tecnologia, permitindo que sua cabeça fique 2.2% mais bem ventilada do que sem capacete.

Características

Cores - Preto, verde e preto, branco e vermelho, branco e azul e preto e amarelo rc.
Tamanhos - S-51/55cm, M-55/59cm, L-59/61cm
Forro - Bactericida

Impressões iniciais

Ao ao olhar pela primeira vez para o Centric Plus, podemos notar que trata-se de um capacete muito bem construído. As rebarbas na transição entre o isopor e a capa plástica é mínima e a pintura é muito bem feita e agradável ao toque. Ao mesmo tempo, percebemos as enormes entradas de ar que indicam a principal vantagem deste modelo - sua ventilação extremamente eficiente.

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Fluxo de ar garante boa ventilação

O sistema de aperto e as tiras também são muito bem acabados e, somando os plásticos de boa qualidade ao MIPS inteiramente perfurado, temos a clara percepção de ter um capacete de alta gama em mãos. Afinal, nomes como Nino Schurter e Jenny Rissveds estão utilizando exatamente o mesmo modelo em suas competições ao redor do mundo.

Utilizando o botão de ajuste, percebe-se que ela aperta ou aumenta a "forma interna" do capacete em todas as direções. Além disso, a posição da trava pode ser ajustada para cima e para baixo mesmo enquanto se está pedalando.

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O sistema de ajuste e as enormes saídas de ar

A única reclamação fica por conta do visual. Embora agrade a alguns, as amplas e angulares entradas de ar podem parecer meio exageradas para outros - mais ou menos como carros da Lamborghini, ou você ama ou acha horrível.

Além disso, o Centric é levemente grande. Certamente não é um capacete enorme tipo "cogumelo", mas pode ficar com um visual levemente desproporcional para ciclistas com cabeças muito pequenas.

Para completar, ele não possui viseira. Não existe nem qualquer buraco para essa adaptação. Novamente, alguns mountain bikers acham que o visual fica comprometido, muito parecido com capacetes de estrada, enquanto outros gostam justamente por isso.

O Teste

Testamos o capacete em inúmeras situações, indo de trilhas em montanhas da Suíça às ruas e estradas do Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo, dois pilotos de teste utilizaram o equipamento por um período de 3 meses.

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Em termos de conforto, um dos testadores considerou o Centric abaixo do esperado. Seu interior é desprovido de muitos forros e estofamentos. Com isso, a ventilação pode até ficar mais eficiente, mas a absorção de suor e o tato fica levemente prejudicado. Porém, nada que deixe o capacete realmente desconfortável.

Se fossemos comparar com um selim, o Centric seria o tipico modelo de corrida: leve, agressivo e com espuma localizada exatamente onde ela deveria estar e nada mais - perfeito para competidores ou pessoas que desejam alto rendimento.

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MIPS perfurado e poucas espumas no interior

Andando, percebe-se realmente que a ventilação é o ponto alto do Centric. Afinal, mesmo enfrentando escaladas em baixa velocidade nas úmidas subidas do Rio de Janeiro, em nenhum momento chegamos a sentir calor na cabeça - ao menos não mais do que o normal.

Porém, apenas pedalando com o capacete é impossível confirmar a afirmação sobre a aerodinâmica do modelo, que a marca afirma ser 12 segundos mais rápido em um contra-relógio de 40km a 40km/h se comparado ao Venish, o antigo capacete aero da Scott.


O sistema de ajuste é realmente fácil e eficiente. Com apenas uma mão é possível afrouxar e apertar o capacete facilmente, em passos bem pequenos para um ajuste perfeito. O ajuste de altura também é interessante, apesar de dificilmente ser usado depois de encontrar a melhor posição.

Outra característica, que segundo a Scott foi feito propositalmente, é a facilidade de encaixar as hastes dos óculos nas ventilações frontais. Um detalhe, mas não menos interessante.

Pontos Positivos

- Ventilação
- MIPS

Pontos Negativos

- Forração interna fina
- Visual mais "estradeiro" pode não gradar

Conclusão

O Centric Plus é o típico capacete de competição de altíssima gama. Com alta tecnologia, ele promete oferecer ótima aerodinâmica, proteção e uma ventilação extremamente eficiente.

Afinal, se ele foi bom o suficiente para a conquista de dois ouros olímpicos, certamente será bom até para os ciclistas mais exigentes.

Pilotos

Gustavo Pacheco (Strava)
Pedro Cury (Strava)


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