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Teste: Câmbio traseiro e passadores SRAM X.9 e câmbio dianteiro X.7


15 SET, 2009     Pedro Cury    



A SRAM é uma empresa que surgiu nos EUA em 1987 com apenas 6 funcionários e hoje é uma das gigantes na produção de componentes para mountain biking e bikes de estrada. O produto que levou o nome SRAM à fama foi o Gripshift, o passador de marchas que funciona com rotação e não com alavancas, que surgiu ainda em 1988, mais de 20 anos atrás! Atualmente, a SRAM segue revolucionando o mundo das bikes, introduzindo produtos inovadores, como o grupo XX, com 10 velocidades para MTB, e o Hammerschmidt, pedivela com relação interna de duas marchas, por exemplo.

Dessa vez, testamos o câmbio traseiro X.9 com braço médio, passadores X.9 e o câmbio dianteiro X.7. A linha X.9 fica apenas um degrau abaixo da linha top em 2009, que é a X.0. Já a X.7 fica um degrau abaixo da linha X.9. Os componentes são indicados para todas as modalidades de mountain biking, do XC ao DH.


:: CARACTERÍSTICAS

Peso do câmbio traseiro (medium cage): 222g
Peso do câmbio dianteiro: 175g
Peso dos passadores (com cabo): 262g
Número de marchas: 9
Limite de dentes no cassete: 34 dentes
Usabilidade: A mudança de marchas é feita utilizando-se apenas o polegar, através de duas alavancas independentes.
Compatibilidade: Devido ao sistema 1.1, passadores SRAM X.9 só podem ser usados com câmbios traseiros SRAM (independente do modelo). Porém, a SRAM também fabrica passadores compatíveis com câmbios traseiros Shimano.
Materiais: Links em alumínio e estrutura forjada, roldana superior com rolamento selado, braço em alumínio para os modelos longo e médio, e em composite para o modelo curto.

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:: TECNOLOGIAS

- Direct Route Technology - Essa tecnologia acabou de vez com aquela curva que o conduíte tinha que fazer para encaixar no câmbio traseiro. Com isso, houve redução de peso, minimização do atrito entre cabo e conduíte, aumento de precisão na passagem de marchas e menos probabilidade de problemas com conduítes.

- Zero Loss Travel - Essa tecnologia, presente nos passadores, permite que o cabo de câmbio esteja sempre tensionado, para que a mudança de marcha seja imediata. A resposta do mecanismo ao comando é totalmente livre de folga, igual ao modelo top de linha X.0.

- 1.1 Actuation - Essa é a proporção existente entre o movimento do cabo e o movimento do câmbio. Ou seja, o câmbio se move a mesma quantidade que o cabo é tensionado ou afrouxado, permitindo maior precisão e um sistema mais simples, livre de desajustes durante o uso.

- Matchmaker - Os passadores X.9 são compatíveis com a tecnologia Matchmaker da SRAM, que permite que se integre o passador à manete de freio e à alavanca de trava de suspensão, dependendo do modelo.

- Dual Pull - Presente no câmbio dianteiro X.7, essa tecnologia permite que se use o cabo puxando por cima ou por baixo. Com isso, se você mudar para um quadro que tenha o outro sistema, poderá aproveitar seu câmbio ao invés de comprar outro.

- 2-step front shifting - Utiliza a estrutura onde se fixa o cabo para tornar mais linear o esforço sobre as trocas de marcha do câmbio dianteiro.

- Adjustable Clamp Positions - Permite flexibilidade de ajustes no encaixe com o guidon, para que não haja problemas com diferentes manetes de freio e alavancas de trava de suspensões.

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:: IMPRESSÕES INICIAIS

No câmbio dianteiro, a primeira coisa que chama atenção é o fato de poder-se usar o cabo puxado por cima ou por baixo. Isso realmente é uma grande vantagem para quem troca de quadro com certa freqüência.

Já nos passadores, a construção é bem sólida e com um design bonito: alavancas bem trabalhadas, combinando preto e prata.

O câmbio traseiro tem uma pecinha plástica bem trabalhada na parte de trás para ajudar a alinhar o cabo, o que o deixa diferente de câmbios de outras marcas. O que mais se nota é que a mola que mantém a o braço retraído é muito forte.

:: O TESTE

Para o teste, convidamos, mais uma vez, Amarildo Ferreira, que compete há mais de 15 anos nas principais provas de cross-country do país. Possui os títulos mais importantes do esporte, sendo os principais: Bi-Campeão Brasileiro de XC (Master), Campeão Panamericano 2006 (Master), Campeão do Big Biker 2006 (Elite), tetra-campeão do Iron Biker (diferentes categorias) e tetra-campeão do Ecomotion MTB Trip Trail (Elite).

Como local de teste, usamos duas trilhas do Rio muito frequentadas pela comunidade do cross-country. Nosso principal objetivo era passar por situações onde fossem necessárias mudanças bruscas de marchas, ou seja, terrenos com transições curtas de descidas e subidas íngremes. Assim, poderíamos testar a precisão da passagem rápida de múltiplas marchas, saindo das mais leves às mais pesadas e vice-versa.

Usamos uma bike rígida, o que poderia dificultar algumas mudanças de marchas em trechos técnicos por causa da trepidação. Desta forma, estaríamos certos de que o teste seria mais rigoroso.

O que esperar de um teste de relação? O mais importante sem dúvida é que não haja nenhum problema! Ninguém quer apertar o passador e não sentir a marcha trocando, ou ter que esperar mais de uma pedalada para a marcha engatar. Precisão e confiabilidade são as características mais importantes e ficamos 100% satisfeitos com o resultado. Nenhuma mudança falhou e o engate foi imediato.

Além da função principal, também levamos em conta o conforto de uso dos passadores. A posição no guidão é intuitiva, com fácil acesso. Com a tecnologia Adjustable Clamp Positions, qualquer um poderá encontrar a posição ideal para os passadores, independente do guidão e manete de freio que usam.

Houve um ponto negativo: é preciso usar sempre o polegar para trocar a marcha. Existem passadores com os quais pode-se trocar de marcha com o indicador ou com o polegar. Em provas longas de cross-country e maratona, principalmente na lama, isso pode ser desgastante, já que é preciso usar o mesmo dedo. Ao mesmo tempo, tem gente que prefere, pois não é preciso tirar os dedos do freio para passar a marcha. É uma questão pessoal, mas poder escolher seria vantajoso.

Para terminar, um dos grandes diferenciais do câmbio traseiro é o fato de ele não bater no quadro ao passar por obstáculos. Essa sempre foi uma das características dos câmbios SRAM, que até virou um famoso vídeo no youtube, comparando os câmbios SRAM aos concorrentes. E realmente, no nosso teste, não bateu! Além do incômodo de ficar ouvindo o câmbio batendo no quadro, em alguns casos, essas batidas podem danificar o quadro ou fazer com que a marcha troque sozinha.

Depoimento de Amarildo Ferreira: "O câmbio é super preciso. O fato de não ficar batendo é uma grande vantagem, já que nos trechos de trepidação outros câmbios podem até passar a marcha sozinhos. A única desvantagem é que em provas muito desgastantes, não posso trocar a marcha com outro dedo, apenas com o polegar."

Para o 2010, a SRAM modificou o câmbio traseiro X.9, alterando totalmente o desenho da estrutura, mas mantendo a funcionalidade do modelo 2009 (testado) que o tornou famoso. O câmbio passa a ser mais estreito e ainda mais leve, garantindo mais uma vez o título de mais leve da categoria.

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:: CONCLUSÕES

O conjunto de câmbio traseiro e passadores SRAM X.9 e câmbio dianteiro X.7 cumpre o que promete: mudanças de marchas rápidas e precisas. Isto é o mais importante nesse tipo de peça e uma função fundamental da bike. Mudanças imprecisas custam importantes segundos em competições ou podem tornar uma trilha agradável um pesadelo para usuários comuns. Quem já passou horas pedalando podendo usar apenas 5 ou 6 marchas das 9 disponíveis sabe do que falamos. E, finalmente, poder atropelar tudo na trilha sem ouvir o câmbio batendo no quadro e sem marchas mudando sozinhas não tem preço!


:: GARANTIA

A representante da SRAM no Brasil é a Proparts. Para peças compradas no Brasil e em lojas autorizadas, a garantia é de 2 anos para defeitos de fabricação. Ao comprar, tenha certeza que a loja é autorizada. Para se informar sobre as lojas autorizadas visite o blog http://blog.proparts.esp.br. Para ver o site oficial da SRAM, com todos os modelos, acesse: http://www.sram.com.


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