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Taça Brasil de MTB #2 - Relato de Henrique Avancini


21 MAI, 2012     Guiné    



Henrique Avancini venceu a segunda etapa da Taça Brasil de Mountain Bike Cross Country, realizado no estado do Rio de Janeiro. Com exclusividade, ele relatou a sua vitória para o Pedal.com.br.

“A segunda etapa da Taça Brasil, em Rio das Ostras, tinha toda uma atmosfera especial. Por ser Taça Brasil, por ser uma prova válida pelo ranking internacional e por ser o último final de semana válido para a classificação olímpica de países, sendo também a última prova do projeto olímpico da CBC.

Quanto a pista e organização em geral, eu só posso dizer obrigado e parabéns. Tivemos uma das pistas mais técnicas da temporada (se não for a mais técnica), excelente organização e muita atenção aos pilotos, que somos “quem faz a prova,” como costumo dizer.

Cheguei a Rio das Ostras na sexta-feira, para reconhecer o circuito que era novo pra mim. Já na primeira volta larguei a bicicleta e peguei na enxada. Isso mesmo, na enxada. O organizador da prova, Eduardo Almeida, me deu carta branca para opinar no circuito e então tentei usar um pouco da minha experiência e melhorar alguns detalhes. No final, virei “dono” de uma seção da pista batizada de “drop garden do Avancini”. Uma seção pequena de rock gardens com pequenos drops, mas que ficou legal apesar de ter sido feita com pouco tempo antes da prova.

Sábado é o dia do ritual rotineiro, de treinos na pista, descanso, alimentação, massagem, concentração e preparativos para o grande dia.

No domingo a elite e sub-23 largou às 11h. O circuito era dividido em uma parte plana, que era metade de um quarteirão; depois entravamos na primeira trilha, que de cara era uma paredinha. Essa era a subida mais longa do circuito. Depois começávamos a descer já dentro do parque Tayra(onde há uma pista muito legal de XCO permanentemente). Dentro do parque era quase tudo dentro da mata com subidas e descidas curtas e que exigiam muito da pilotagem o tempo todo. Depois saíamos do parque para fazer uma parte onde mesmo com o “coração na boca” eu me divertia. Era uma descida com alguns saltos pequenos, e depois uma seção de 3 drops com um pequeno rock garden no final. Depois saíamos na segunda parte plana da pista (outra metade do quarteirão inicial) que levava até a chegada.

A prova seria em 5 voltas mais um start loop (uma volta completa no quarteirão que dava aproximadamente 1,5km). No sábado conversei com o argentino Léo, que era o comissário da UCI na prova e me perguntava sobre o número de voltas. Eu disse que para ficarmos entre 1:30' e 1:45', como manda a regra, deveriam ser 6 voltas. Porém, ele argumentou que seria uma prova de mais de 1:40' e que a UCI prefere provas mais curtas para que sejam mais dinâmicas e mais intensas, e que mesmo as Copas do Mundo estavam tendo um total de tempo menor que 1:30'. Mais tarde, na reunião técnica, ele decidiu que seriam 5 voltas. Então sabíamos que seria uma prova veloz.

Todos nós sabíamos que o start loop era um ponto chave dessa prova, pois o pelotão era grande e, mesmo com um trecho muito longo do start loop mais o começo da volta, que eram em estradas abertas, a entrada da trilha seria muito disputada. Quando completamos o start loop me posicionei mais a frente e, antes de entrar na trilha, ataquei. Só que um monte de gente atacou também, mas entrei na trilha na frente e fiz muita força, pois sabia que seria uma oportunidade de abrir uma vantagem para poder me achar na pista e estudar a prova. Abri essa vantagem e depois continuei abrindo uma pequena diferença pouco a pouco.

Na primeira volta mudei completamente a minha estratégia: como vi que a diferença não estava caindo, então decidi ir realmente para o ataque, já que estava me sentindo bem. Fiz, então, uma prova concentrado em girar bem as pernas no plano para me recuperar, mesmo perdendo tempo, e nas subidas mais duras andar a 100% para consolidar a vantagem, e nos trechos técnicos andar com constância, abaixo do limite, para evitar erros que pudessem custar muito tempo. Mas o trecho plano do final poderia fazer toda a diferença, já que, se dois ou mais atletas revezassem, poderiam tirar uma grande parte da diferença.

A diferença foi aumentando volta a volta, mas nunca chegou a ser tão grande, o máximo que fiquei do segundo colocado foi pouco menos de 40 segundos. No meio da prova Rubens Valeriano e Sherman Paiva se juntaram e essa disputa acabou trazendo os dois pra perto de mim. Na quarta volta Sherman atacou e veio encostando até diminuir a diferença para 15 segundos, e então consegui reagir bem e subir um pouco a diferença novamente, na quinta e última volta, quem se aproximou foi o Rubens Valeriano, que tirou uma boa parte do tempo, mas eu tinha a vantagem do meu lado. Estava rápido no final do circuito, e tinha uma diferença pouco maior de 10 segundos, então me concentrei em não errar, pois seria suficiente para a minha vitória. No final, depois de 1:22':04'', de briga de gato e rato, cruzei a linha de chegada 8 segundos a frente do Rubinho e muito feliz com a vitória.

Esse triunfo foi muito importante pra mim, pois foi o final de um programa de oito provas em busca da vaga olímpica. Eu estive muito bem em outras provas também, mas tive uma sequência de quebras que tornou minha jornada nessas provas um tanto amarga. Essa vitória veio pra dar uma leve adocicada na minha temporada.

Deixo aquele muito obrigado, sempre a Deus, aos apoiadores Barbedo, Continental, FIZIK, Spiuk e GU, a toda a galera que gritou muito pra mim durante a prova e especialmente à minha família e treinador Helio Souza. ”

Henrique Avancini


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