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Sustentabilidade no ciclismo - presidente da UCI quer tornar esporte 'mais verde'

David Lappartient deu entrevista à revista europeia e disse que pretende diminuir viagens durante provas

O presidente da UCI, o francês David Lappartient, disse que o esporte está atualmente com uma classificação de 'quatro de 10' em sustentabilidade e promete tornar o esporte "mais verde". Foi o que disse numa entrevista à revista inglesa Cycling Weekly. Ele delineou uma série de propostas para tornar a modalidade mais sustentável, incluindo uma reformulação do calendário, uma mudança para veículos eléctricos e trabalho com os organizadores para reduzir as viagens.

David Lappartient, presidente da UCI - Foto: divulgação / UCI
David Lappartient, presidente da UCI - Foto: divulgação / UCI


Ele disse que “não há outra escolha senão mudar” nos próximos anos, referindo-se à ‘Agenda 2030’ da UCI, que estabelece um plano para tornar o ciclismo neutro em carbono com todas as partes interessadas reduzindo as suas emissões em 50%. “Não estamos no nível que deveríamos estar. Estamos no caminho certo, mas nosso ponto de partida não foi bom e há muito esforço a fazer. Nossa ambição é muito alta, conseguir nota 10, e estamos melhorando. Começamos a compartilhar objetivos, uma visão, mas acho que temos que evoluir mais, e tem que ser um objetivo verdadeiramente comum para todo mundo", disse.

O presidente informou que o calendário pode ser reorganizado em blocos geográficos, a fim de reduzir as viagens e, com isso, reduzir as emissões de carbono. As equipes hospedadas no mesmo hotel durante as etapas das corridas, como as Clássicas da primavera e do outono no hemisfério norte, são outra ideia levantada: “Temos que organizar o calendário WorldTour de uma forma que reduza as nossas emissões e que não nos desloquemos de uma parte do globo para outra todos os meses”, disse Lappartient.

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“No documento da 'Agenda 2030' está escrito que temos que reprogramar o WorldTour e outros calendários. Então [a partir de janeiro] vai da Oceania, da Ásia, do Oriente Médio, da Europa, da América do Norte e depois da Ásia. Assim, podemos ajudar a reduzir as emissões de carbono do esporte”

Ele também disse que os Grand Tours precisam mudar seus hábitos, deixando no passado, como exemplo as transferências com longos dias de descanso. Há também a ideia de que os organizadores migrem para carros elétricos. “No futuro, não poderemos ter dias de descanso de 900 km”, disse Lappartient. "Não há como continuar assim. Estaremos revisando isso. Para que os organizadores reduzam suas próprias emissões em 50%, eles não têm escolha a não ser dirigir carros elétricos e reduzir as distâncias entre as etapas", disse.
David Lappartient, presidente da UCI - Foto: reprodução / Instagram
David Lappartient, presidente da UCI - Foto: reprodução / Instagram


“Temos que modificar algumas regras na UCI para não evitar Grand Départs em outro lugar, mas para não tê-los tão longe. Lembro que [em 2016] tivemos uma proposta do Giro d'Italia para começar em Tóquio, no Japão. Isso não é algo que apoiaríamos hoje".

Várias equipes e organizadores, incluindo a ASO (que faz o Tour de France) e a RCS Sport já assinaram a carta de compromisso climático da UCI, que inclui compromissos como a redução de resíduos, a priorização de transportes com baixo teor de emissão de carbono e a consideração do efeito das alterações climáticas para o planos futuros do esporte.

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No futuro, as metas de emissões serão um dos pré-requisitos para obter também uma licença WorldTour. Atualmente, as equipes precisam cumprir algumas obrigações, como financiamento, antidoping e pontos UCI para competir no nível mais alto do ciclismo, mas não há compromisso ambiental no processo.

“Hoje, a comissão de licenças tem de verificar se [as equipes] têm garantia salarial, têm dinheiro suficiente para pagar [pilotos e staff], se o nível desportivo da equipe é bom o suficiente, se as suas medidas antidoping são fortes. [Em 2030] eles terão que reduzir suas emissões em 50% e ser neutros em carbono. Este será mais um ponto obrigatório nas especificações para ser uma equipe WorldTour em 2030”, disse Lappartient.
David Lappartient, presidente da UCI - Foto: reprodução / Twitter
David Lappartient, presidente da UCI - Foto: reprodução / Twitter


O presidente da UCI disse que a própria insttiuição já tomou medidas para reduzir as emissões como forma de liderar o resto do esporte, mostrando que é possível fazer essas mudanças e dar exemplo. Ele disse que o órgão regulador do esporte já reduziu as emissões em sua sede na Suíça em 38%: “Juntamente com os nossos especialistas, a UCI tem de explicar às equipes as diferentes formas de fazer as coisas, de partilhar boas práticas e de mostrar nós próprios o caminho. Trocamos as luzes dos edifícios da UCI e reduzimos o número de voos. Ainda não chegamos à redução de 50%, mas estamos no caminho certo. Não podemos dar obrigações sem cumpri-las nós mesmos", afimrou, dizendo que não quer "greenwashing" e sim resultados.

Confira a reportagem completa na CyclingWeek


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