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SRAM Red eTap AXS 2019 - Grupo eletrônico de estrada chega com 12 velocidades e uso flexível

Novidade chega com nova filosofia, maior amplitude de marchas no cassete, embreagem hidráulica e grande flexibilidade de uso com tecnologia AXS


6 FEV, 2019     Gustavo Figueiredo    



Juntamente com seus novos grupos Eagle eletrônicos de 12 velocidades, a SRAM apresentou uma grande novidade para as estradas. Com a chegada do SRAM Red eTap AXS, o fabricante norte-americano parece ter dado um passo adiante no desenvolvimento de componentes para ciclismo, gravel, contra-relógio e cyclo-cross, por conta não só do grupo, mas também pela criação de um novo ecossistema que permite uma grande integração entre diferentes componentes.

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De cara, as 12 velocidades com acionamento eletrônico chamam a atenção, mas são os detalhes e a incrível versatilidade que fazem do Red eTap AXS e dos novos grupos de MTB produtos diferentes de tudo o que existe até então no mercado.

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Relação X-Range

A nova "alma" do Red eTap AXS é uma alteração no conceito de amplitude de marcha que só é possível graças ao uso de 12 velocidades no cassete. Batizada de X-Range, a novidade aposta em um intervalo de apenas 13 dentes entre as coroas, mais amplitude no cassete e em coroas menores para diminuir o número de trocas dianteiras, ao mesmo tempo em que estas trocas tornam-se mais eficientes.

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As pedivelas agora contam com coroas que podem ter as combinações 50/37, 48/35 e 46/33 - valores claramente menores do que os conjuntos mais tradicionais. Para compensar, os cassetes passam a contar com um pinhão de 10 dentes, com relações 10/26, 10/28 e 10/33. Com isso, a amplitude total das marchas da bicicleta é maior do que os tradicionais 2x11, assim como os intervalos entre as marchas ficam menores.

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Para se ter ideia, os cassetes 10/26 e os 10/28 possuem apenas um dente de diferença nos sete pinhões menores, com o 10/33 pulando apenas um dente nas cinco primeiras marchas e com absurdos 330% de amplitude - mais do que os 309% de um cassete 11/34. Além disso, o conjunto ainda pode ser equipado com apenas uma coroa, ideal para uso em bicicletas de gravel, cyclo-cross e contra-relógio.

Embreagem hidráulica Orbit

Outra grande novidade é a embreagem hidráulica Orbit, que permite que apenas uma versão do Red eTap AXS funcione em diferentes configurações, seja com uma ou duas coroas. Há alguns meses, a SRAM registrou a patente para uma tecnologia de trava hidráulica.

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Tivemos a oportunidade de segurar o novo câmbio nas mãos e testar a ação de retenção de seu cage. Conforme previsto, em movimentos lentos como uma troca de marcha ele move-se com suavidade e sem apresentar resistência. Em puxadas rápidas, a resistência hidráulica é bastante perceptível - algo bem diferente do que sentimos ao puxar o cage de um câmbio com embreagem mecânica por atrito, que costuma apresentar a mesma dureza independente da velocidade em que o cage se move.

Em teoria, isso significa trocas de marcha mais macias em grupos mecânicos e uma preciosa economia de bateria nos eletrônicos, isso sem comprometer a estabilidade da corrente em trechos acidentados.

Potência integrada

As novas pedivelas Red eTap AXS também apresentam uma diferença bem grande quando comparadas às mais tradicionais. As coroas deixam de ter BCD e passam a ser um único componente que vai preso na pedivela por um padrão de 8 parafusos. Além disso, o novo medidor de potência Quarq passa a ser montado nas coroas e não na pedivela ou na aranha.

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Segundo a SRAM, a novidade permite reduzir o peso, aumentar a precisão e a aerodinâmica. Além disso, o desenho facilita um possível upgrade em pedivelas sem medidor de potência e a troca das coroas duplas por coroas únicas. A SRAM afirma que esta nova coroa dura de 3 a 4 vezes mais do que uma convencional.

Freehub XDR

O novo Freehub XDR é a versão de estrada do XD. O modelo é fundamental para a adoção do pinhão de 10 dentes e é um pouco mais largo do que a versão de MTB, graças a largura ligeiramente maior do cassete de estrada. Curiosamente, o componente pode ser utilizado em conjunto com um espaçador que permite o uso de cassetes de MTB 10/50.

Corrente Flattop

A nova corrente funciona apenas com grupos de estrada eTap AXS, sejam eles com uma ou duas coroas. Segundo a SRAM, o novo modelo de corrente apresenta uma durabilidade 3 vezes maior do que a corrente utilizada nos grupos de 11 velocidades de estrada da marca norte americana.

Centrais DUB

O novo grupo aposta nos movimentos centrais padrão e estarão disponíveis as seguintes versões.
-BSA
-BB30
-PF30
-BBRIGHT
-PF30A
-386
-PF86.5

Eletrônica

O novo Red eTap AXS é um sistema praticamente sem fios. Na verdade, os fios só estão presentes nas conexões para botões extras (os Blips) ou para o BlipBox de guidões de contra-relógio. De resto, a comunicação entre os câmbios e trocadores acontece via Wireless, enquanto o sistema "fala" com o celular por Bluetooth e com computadores de bordo por ANT+.

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O Red eTap AXS utiliza o mesmo aplicativo do Eagle AXS, que permite configurar completamente a função de cada um dos botões, inclusive os adicionais. Isso quer dizer que se você tiver uma bike de Gravel equipada com canote retrátil Reverb eletrônico, é possível configurar um botão extra para aciona-lo ou mesmo subir e descer o banco apertando os dois botões dos trocadores ao mesmo tempo.

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O sistema ainda permite configurar o tipo de troca entre dois modos de atuação - Sequencial e Compensador. No primeiro, as trocas acontecem em sequencia, com o câmbio dianteiro sendo acionado automaticamente. Além disso, é possível comandar manualmente as trocas dianteiras. No modo Compensador, o câmbio traseiro atua para compensar as trocas dianteiras, mantendo a cadência mais suave. Como era de se esperar, tudo isso pode ser configurado pelo aplicativo.

Aquelas coisas que fazíamos antigamente

O ecossistema AXS da SRAM parece ser uma novidade bem interessante. Além de tecnologias como que realmente podem facilitar a vida de quem pedala, a grande flexibilidade dos componentes agradou em cheio. A possibilidade de misturar peças de Estrada, de MTB e comandar tudo de forma eficiente já foi relativamente comum há alguns anos, mas foi algo que perdeu-se com o passar do tempo.

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A novidade permite que usuários ou fabricantes criem bicicletas bastante customizadas. Se parar para pensar, agora dá para ter uma gravel com canote retrátil, trocadores de estrada, câmbios, cassete e coroas de MTB e ainda usar o mesmo canote em sua bike de enduro ou de XC, todo com a vantagem de não precisar preocupar-se com fios, cabos e processos complexos de instalação.


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