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Scott Spark RC 900 SL AXS - Primeiras Impressões

Pedalamos o modelo mais avançado da linha Spark RC, equipada com componentes que nem o Nino Schurter usa

No ano passado, tivemos a oportunidade de fazer um teste completo da Scott Spark 920 2018, uma bike que une 120mm de curso em ambas as extremidades e uma geometria muito bem acertada, capaz de encarar diferentes situações com grande desenvoltura. Porém, para pilotos que desejam uma bike com uma alma muito mais cross-country, a Scott também disponibiliza a linha Spark RC, que utiliza suspensões de 100mm e uma geometria mais "fechada".

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Ao longo de um dia, pedalamos por trilhas e estradas de terra a Scott Spark RC 900 SL AXS, modelo que ocupa o topo desta gama e vem equipada com tudo o que existe do bom e do melhor, inclusive com as impressionantes rodas Syncros Silverton SL, que tem construção em peça única em fibra de carbono e pesam míseros 1280g. No texto abaixo, confira como foi este rolê diferenciado, com uma bike para lá de exclusiva.

A Scott Spark RC 900 SL AXS

Provavelmente, o pensamento da Scott ao planejar a Spark RC 900 SL AXS foi bem simples: reunir tudo o que existe de mais avançado no mercado de bikes de XC para criar um pacote incrível, capaz de satisfazer o gosto dos atletas mais exigentes do mundo - mesmo que você tenha nascido na Suíça e seu sobrenome seja Schurter.

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A "brincadeira" começa já pelo quadro feito em fibra de carbono HMX-SL, que tem peso divulgado em apenas 1.799g com o amortecedor traseiro. O fabricante ainda tem dois modelos mais "simples" de carbono, o HMX e o HMF, todos eles você conheceu nesta matéria do Pedal com as Tecnologias de produção dos quadros de carbono da Scott.

O amortecimento dos impactos fica por conta de um garfo Fox 32 Step Cast Float Factory, obviamente com tratamento Kashima nas hastes, e por um shock FOX Nude EVOL, somando 100mm de curso tanto na frente quanto atrás - o sistema todo é controlado com a tecnologia Twinloc da Scott que você conheceu nesta matéria. O interessante deste sistema é que, mais do que travar, ele altera outros parâmetros da suspensão e por consequência a geometria, o que faz total diferença na tocada da bike. Confira mais detalhes abaixo.


Como o nome sugere, as trocas de marcha são realizadas pelo novíssimo SRAM Eagle AXS com uma pedivela de carbono 32 dentes, com as frenagens ficando à cargo do também novíssimo XTR M9100. Pertencente a nova linha de 12 velocidades da gigante japonesa, o sistema conta com um desenho totalmente novo, que inclui um segundo ponto de apoio para aumentar a rigidez do manete - os rotores Ice-Tech tem 180mm na frente e 160mm atrás.

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O cockpit também é de cair o queixo, principalmente por conta do guidão em peça única Syncros Fraser iC SL Carbon, que curiosamente é infinitamente mais bonito ao vivo do que pelas fotos. Esta área da bike é completada por um canote convencional Syncros Duncan SL, obviamente também em carbono, sustentando um selim Syncros Belcarra Regular 1.0 com - adivinhem - trilhos de carbono. Fechando um pacote indiscutivelmente topo de gama, temos as já citadas rodas Syncros Silverton SL calçando pneus Maxxis Rekon Race 2.35", obviamente já montados com sistema tubeless.

A geometria da bike é moderna, mas relativamente contida. Isso quer dizer que, apesar de ser uma bike longa, baixa e com a caixa relaxada, nenhuma destas medidas é extremamente progressiva, o que mantém o comportamento da bike dentro do padrão do XC. A caixa de direção tem 68.5 graus de inclinação e o alcance no tamanho M é de 429.5mm. A mesa tem 70mm "virtuais", com o guidão tendo 740mm de largura com um back sweep de 9 graus que serviu como uma luva para nosso piloto de testes.

Ficha Técnica

Quadro: Spark RC Carbon / IMP technology / HMX SL 1X / BB92 / Link de carbono / Balança de carbono / SW Boost 12x148mm
Garfo: FOX 32 SC Float Factory Air / Kashima FIT4 / 3 posições / controle de retorno / controle de compressão de baixa velocidade/ Kabolt 15x110mm / tapered
Shock Traseiro: Fox Nude Evol Trunnion / 3 modos: Lockout - Traction Control - Descend / DPS / Kashima / regulagem de retorno
Trava: SCOTT TwinLoc Suspension
Caixa de direção: Syncros Pro Drop in / Tapered 1.5"-1 1/8"
Câmbio traseiro: SRAM XX1 Eagle AXS / 12 V
Trocador: SRAM Eagle AXS Controller
Freios: Shimano XTR M9100 Disc 180/F and 160/R RT-MT900 CL rotor
Pedivela: SRAM XX1 DUB Eagle Boost Carbono
Guia de corrente: SCOTT custom
Central: SRAM DUB PF integrated / shell 41x92mm
Guidão: Syncros Fraser iC SL Carbon / 9° / 740mm /
Canote: Syncros Duncan SL Carbon 10mm offset / 31.6x400mm
Selim: Syncros Belcarra Regular 1.0
Rodas: Syncros Silverton 1.0 SL CL full carbon
Corrente: SRAM CN XX1 Eagle
Cassete: SRAM XX1 / XG1299 / 10-50 T
Pneus: Maxxis Rekon Race / 2.35" / 120TPI Kevlar Bead Tubeless Ready / EXO Syncros Eco Sealant
Peso divulgado: 9.5 Kg
Preço sugerido: R$ 89.999,90

Andando com a Scott Spark RC 900 SL AXS

Canhão, foguete, rojão e outros atributos não são o suficiente para descrever o tanto que a Scott Spark RC 900 SL AXS anda. Sobre a bike e dando as primeiras pedaladas, a primeira coisa que se nota (ou não se nota) é o peso e as acelerações imediatas. Durante o pedal, também ficamos surpresos com a capacidade da bike em manter a velocidade elevada em diferentes terrenos.

Scott Spark RC 900 SL AXS em ação
Scott Spark RC 900 SL AXS em ação

Curiosamente, ela tem uma personalidade bem diferente de sua irmã com 120mm de curso. Sim, a semelhança familiar está presente, mas na forma de conduzir e na posição de pilotagem, as duas bikes não são tão parecidas como as pequenas diferenças em suas geometrias podem indicar. Na Spark, o alcance levemente maior, a caixa mais relaxada e a frente mais alta colocam o ciclista em uma posição mais confortável, ideal para percorrer diferentes terrenos em velocidade de cruzeiro alta e encarar descidas técnicas com enorme desenvoltura.

Já a Spark RC deixa o piloto um pouco mais encolhido e com mais peso apoiado nos braços do que na Spark. Isso quer dizer que você já fica naturalmente em uma posição mais de ataque. Além disso, a caixa de direção com uma angulação maior deixa a frente sensivelmente mais ágil - durante o teste com a Spark, sentimos a bike meio "grandalhona" em circuitos de XC muito travados, algo que ao menos em teoria não aconteceria com a RC.

Scott Spark RC 900 SL AXS em ação
Scott Spark RC 900 SL AXS em ação

Apesar de ser uma bike com uma pegada bem mais XC do que a Spark, a RC é uma bike capaz de encarar desafios técnicos maiores do que seu desenho indica, algo que descobrimos na Suíça, em 2017, quando acompanhamos a apresentação da bike. Naquela ocasião, pedalamos a RC em terrenos bem técnicos e repleto de pedras, algo que não aconteceu nesta avaliação - ela foi realizada em estradões de terra e em alguns singles do estilo "caminho de vaca".

Nos estradões, o modelo apresentou uma velocidade impressionante, com todo o conjunto trabalhando de forma muito eficiente para manter a velocidade alta em subidas, descidas e curvas. Por falar em curvas, fazendo novamente um comparativo com a Spark, a RC é rápida mas tem uma tocada levemente diferente, exigindo que o piloto "encaixe" a bike nas trocas de direção um pouco mais do que a Spark - a bike de 120mm de curso, talvez por ter uma caixa mais relaxada, apresenta uma tendência maior de virar o guidão para dentro da curva quando deitamos a bike.

Outro ponto que agradou em cheio foi a trava TwinLoc, que em nosso ponto de vista é o grande segredo e maior vantagem das bikes da Scott. Isso porque, com as mudanças na posição da alavanca, o sistema de suspensão é alterado em vários parâmetros. Isso quer dizer que, na posição intermediária por exemplo, o shock traseiro sofre duas alterações: além de restringir o sistema hidráulico para deixar a suspensão mais firme, ele ainda tem uma de suas duas câmaras de ar fechadas, o que efetivamente reduz o curso da traseira.

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Com isso, o modo "controle de tração" torna-se uma excelente opção para trechos onde onde é preciso pedalar despejando potência, ao mesmo tempo em que a suspensão absorve irregularidades para manter os pneus em contato com o chão. Além de ser algo muito útil nas subidas, o sistema agrada demais em falsos planos de estradão com ondulações do tipo "costela de vaca" e aqueles buracos redondos causados por poças de água. O fato do funcionamento das duas extremidades ser super suave e livre de atritos também contribui para isso.


Um fator que ajuda no funcionamento suave da suspensão é a leveza do conjunto de rodas, aros e pneus. Afinal, quanto menos inércia, maior é a capacidade do conjunto seguir o terreno. Com todos estes fatores, sentimos a rodagem da Spark muito suave, com todas as pequenas irregularidades sendo absorvidas de forma bastante eficiente. A bem da verdade, a bike é tão gostosa de andar que ficamos com vontade de aumentar um pouco a pressão do shock e da suspensão só para ver como ela rodaria em uma configuração mais "durinha".

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Antes de sair para pedalar, calibramos os pneus com cerca de 20 libras, com as suspensões ficando com o SAG entre 20 e 25% do curso. Quando começamos a pedalar, sentimos a suspensão dianteira um pouco "pesada". Por isso, aceleramos um pouco a velocidade do retorno e tiramos alguns cliques da compressão de baixa velocidade. Uma das grandes vantagens de suspensões de alta gama como Fox 32 Step Cast Float Factory é justamente a possibilidade de fazer ajustes super precisos em seu funcionamento.

Como era de se esperar, o freios XTR funcionam perfeitamente bem, parando a bike com total controle e boa potência. Os pneus também tem uma ótima rolagem e uma tração bem consistente. O único momento em que perdemos a tração foram nos singles de caminho de vaca, já que ele era composto de um terreno bem duro, com uma grande camada de cobertura solta e bem granulada - não existe pneu que grude 100% nisso.

Um detalhe interessante é que, assim como acontece com rodas de perfil alto em bikes de estrada, as Syncros Silverton SL puxam quando submetidas a rajadas de vento cruzado. Nada que seja muito intenso ou ruim de controlar, mas certamente esta foi a primeira vez que senti isso andando em uma MTB.


As trocas de marcha do grupo eletrônico aconteceram de forma precisas e exatas cada uma vez vezes que acionamos os trocadores sem fio SRAM Eagle AXS. Os botões tem um acionamento suave e todas as funções podem ser configuradas por um aplicativo de celular - algo muito bom, já que demoramos um pouco para nos acostumar com a função de cada botão e, mesmo perto do fim do teste, ainda fizemos algumas trocas acidentais.

Conclusão

A Scott Spark RC 900 SL AXS é uma das bikes de XC mais modernas e avançadas existentes no mercado. O modelo é basicamente uma vitrine de tudo o que a Scott tem para oferecer em termos de tecnologia e, realmente, ficamos impressionados com o desempenho dela. De fato, acho que a única mudança que faríamos nesta bike seria a adição de um canote retrátil, só pra poder encarar as descidas super inclinadas com mais confiança.

Scott Spark RC 900 SL AXS em ação
Scott Spark RC 900 SL AXS em ação

Obviamente, toda esta tecnologia tem um preço bem elevado, o que certamente é um impeditivo. Porém, depois de pedalar bikes da Scott que vão da Spark RC 900 SL deste teste até modelos de entrada como a Scott Scale 980, percebemos que as bikes da marca quase sempre apresentam um desempenho acima da média.

Mais informações no site da Scott ou na página da Spark RC 900 SL AXS.


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Comentários

QUAL O VALOR DESSA MAQUINA

Eu quero ima dessa.

um preço desse e a garantia do quadro não é vitalícia. :P

Vale no máximo 30 mil , uma bmw 100RR custa o mesmo valor com um valor com 1000x mais tecnologia. só uma besta pra pagar esse valor.

Aqui na Bélgica eu posso comprar uma bike dessas trabalhando e juntando dinheiro em 6 meses, um pedreiro aqui como eu consegue. Esse valor é ridículo no Brasil, tinha que ao menos ser o mesmo valor que está nos EUA e Europa só que convertido, aqui se eu esperar pra comprar ela usada, dá pra pegar por 4 mil euros, que seria 2 meses juntando dinheiro sem passar fome pra comprar. Novamente digo, é dificulo esse valor, melhor vir até Paris visitar e aproveitar e levar na mala, porque esse valor de 90 mil reais é ridículo, brasileiro que se submete a isso, ajuda a fazer o povo sendo explorado.

Fala EduardoRR! Não tive essa sorte, era o Gustavo Cebo, nosso redator.

dá para ver a felicidade do rapaz que estava pilotando. é o Pedro ? Quem diria uma bike chegar neste valor.

Preço no Brasil eu sempre exorbitante, mas estamos falando da bike topo de linha, quero ver fazer uma moto com uma suspensão que pesa 1,5kg e aguentar porrada, são matérias nobres e de alto valor.

É pra rir? Até pessoas que usariam em competições não comprariam... Existem bikes por menos da metade desse valor que oferecem o mesmo benefício.

Eu não concordo com esses valores, estão cada dia mais caros, eu q já prático e tenho Stumpjumper full carbon d 2014 acho caro. As vezes até eu desânimo d fazer um upgrade de bike, a diferença é enorme...

Uma BMW GS 1200 custa R'73.450 e tem muito mais tecnologia e muito mais matéria prima embarcada.
Ridículo essa tentativa de elitizarem e gourmetizarem a bicicleta.

Hoje, acho justo que as novidades tenham alto valor pois ao longo do tempo o custo vai reduzindo e melhorias aplicadas a gama inferior. Parabéns ao fabricante pelas inovações.

Sem palavras

90 mil??



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