home

Santa Cruz Blur CC - Primeiras Impressões


29 JUN, 2018     Gustavo Figuereido     4    



A nova geração da Santa Cruz Blur, lançada em março deste ano, é uma bicicleta full suspension com quadro exclusivamente em fibra de carbono voltada ao cross-country competitivo. O modelo faz parte de uma nova geração de XCzeiras que apostam em geometrias mais modernas para encarar até as mais cabeludas pistas de XCO.

Foto 68498
Santa Cruz Blur CC XX1 Reserve   Pedro Cury

Depois de rodar uma tarde toda com a bike, concluímos que a Santa Cruz acertou a mão na criação de sua bike de XC. Ágil sem deixar de ser capaz, a bike enfrentou subidas, descidas e curvas com bastante disposição e equilíbrio.

Testamos duas versões da bike nas trilhas do Vale da Lua, em Itaipava, uma Blur CC XX1 Reserve e uma Blur C Kit GX Eagle. No teste a seguir, retratamos a versão top de linha, voltada para o ciclista que deseja um excelente desempenho em provas de XC, mas sem abrir mão da capacidade de enfrentar obstáculos técnicos - uma das marcas registradas da Santa Cruz.

O modelo utiliza o quadro de fibra de carbono CC, o mais avançado da marca, e tem o peso divulgado em 2.090g - a bicicleta completa atinge a marca de 9.9kg sem os pedais. Com seus predicados e comportamento, trata-se de um modelo capaz de levar um piloto de elite para o lugar mais alto do pódio, seja em uma competição de XCO ou de XCM.

Ficha Técnica

Quadro: Santa Cruz Blur - 100mm de curso - Boost - Carbono CC
Suspensão: FOX 32 Factory 100 Step-Cast C/ trava
Amortecedor: FOX Float Factory DPS Kashima c/ trava
Aros: Santa Cruz Reserve 25 em carbono 28 furos
Cubos: DT 240 15x110mm 28H - DT 240 12x148mm 28H
Raios: DT Competition Race
Pneus: Maxxis Aspen 29x2.25 TR
Freios: SRAM Level Ultimate
Rotores de Freios: SRAM CLX Center Lock, 160mm
Passador: SRAM XX1 Eagle
Câmbio traseiro: SRAM XX1 Eagle
Pedivela: SRAM XX1 Eagle DUB 34D
Movimento central: SRAM DUB
Cassete: SRAM XG1295 Eagle 10-50T
Corrente: SRAM X01 Eagle 12
Selim: WTB Silverado Carbon
Canote: Syntace P6 Carbon HiFlex 31.6
Guidão: Santa Cruz Bicycles XC Flat Bar Carbono 31.8 x 750
Manoplas: ESI Chunky
Mesa: Syntace LiteForce
Garantia: Vitalícia
Peso divulgado: 9.94kg
Preço Sugerido: R$ 52.990,00

Impressões iniciais

Logo de cara, a bicicleta impressiona pela postura agressiva e pelo desenho limpo tradicional da Santa Cruz, criado pelos triângulos dianteiro e traseiro livres de links, pelo cabeamento parcialmente interno e pela pintura monocromática sem muitos grafismos. O desenho simples reflete a personalidade da Blur - uma bike sem firulas e lero lero.

Foto 68499
Sem lero lero   Pedro Cury

Um detalhe que chamou a atenção é o sistema de cabeamento descomplicado, com portas de entrada generosas e um processo simples para levar os conduítes para o câmbio traseiro e para a trava do shock - não existe compatibilidade com câmbio dianteiro. Além disso, embora ela não seja equipada com canote retrátil, o projeto já prevê a introdução deste componente - também com o cabo sendo passado sem grandes complexidades.

Foto 68505
CC, carbono mais avançado   Pedro Cury
Foto 68513
Portas do cabeamento   Pedro Cury
Foto 68512
A bela mesa Syntace   Pedro Cury

Como era de se esperar em uma bike da Santa Cruz, a Blur conta portas de lubrificação (grease ports) para os links da suspensão, borrachas de proteção no chain-stay e no down tube, e também com uma caixa de centro com rosca - fatores que facilitam seu relacionamento com o ciclista. Além disso, ela conta com dois suportes de garrafinha, um no centro do quadro e outro abaixo do tubo inferior.

Configuração

A bike testada vem equipada com um grupo XX1 Eagle 12 velocidades, freios Level Ultimate e com as excelentes rodas Santa Cruz Reserve feitas em fibra de carbono e que, assim como o quadro, contam com garantia vitalícia. Com largura interna de 25mm, elas sustentam com tranquilidade um par de pneus Maxxis Aspen TR 2.25 que já estavam montados sem câmara e com selante.

Foto 68509
Reserve em carbono com 25mm   Pedro Cury
Foto 68508
Maxxis Aspen agradaram   Pedro Cury

Para amortecer os impactos, a Blur CC XX1 conta com um garfo Fox Step-Cast 32 Factory e com um shock Fox Float Factory DPS Kashima - ambos controlados remotamente e com duas posições: aberto e travado.

Foto 68511
Suavidade com a Fox 32   Pedro Cury
Foto 68510
Trava das suspensões   Pedro Cury

O cockpit utiliza mesa Syntace LiteForte, sendo o guidão de 750mm feito pela Santa Cruz e as manoplas pela ESI. Mantendo o pacote de baixo peso, o selim escolhido foi um WTB Silverado com trilhos de carbono, montado sobre um canote Syntace P6 HiFlex de 31.6mm.

Foto 68503
Largo guidão de 750mm   Pedro Cury
Foto 68507
Leve, mas poderia ser retrátil   Pedro Cury

Com as trocas de marcha sendo realizadas por um câmbio traseiro SRAM XX1 Eagle sobre o cassete 10-50, a relação dianteira é composta por uma pedivela SRAM XX1 Eagle no novo padrão DUB, apostando em uma coroa de 34 dentes.

Foto 68500
XX1 Eagle   Pedro Cury
Foto 68501
XX1 Eagle   Pedro Cury
Foto 68514
Coroa tem 34 dentes   Pedro Cury

Geometria

Como citamos acima, a Blur faz parte de uma nova geração de bicicletas de XC projetadas com trilhas mais técnicas em mente, sem abrir mão da tão desejada eficiência de pedalada. Para atingir este objetivo, a Santa Cruz apostou em uma frente longa, com o modelo M, indicado para pessoas entre 1,65M e 1,75M, batendo 440mm de alcance (Reach). A traseira, como era de se esperar, é bastante curta - somando apenas 432mm. Com isso, temos um entre-eixos relativamente longo de 1136mm.

Diferente de muitas outras marcas, porém, o fabricante norte americano manteve a caixa de direção relativamente em pé. Atualmente, os 69 graus de head angle da Blur podem até parecer conservadores, mas funcionam muito bem quando combinados ao garfo de 44mm de offset. A caixa de direção tem apenas 110mm de altura, permitindo encontrar um posicionamento super baixo para o guidão.

Finalizando o pacote, temos um seat-tube com 74 graus de inclinação - relativamente em pé para os padrões atuais. Na vida real, a geometria coloca o peso do piloto centralizado entre as rodas, retém uma boa agilidade e passa bastante confiança tanto para subir quanto para descer.

Pilotando

A Blur é, acima de tudo, uma bike eficiente e muito divertida - passamos a tarde com o sorriso no rosto.

Logo de cara, sentimos que a suspensão traseira pouco se movimenta nos sprints, mesmo com a trava aberta. Na posição travada, ela acelera como um foguete com uma excelente sensação de leveza e rigidez. Em uma subida inclinada e com boa aderência, foi possível escalar em pé com toda a força, sentindo bem a ótima transferência oferecida pela rigidez geral do conjunto.

Foto 68497
Diversão garantida   Pedro Cury

Apesar de não ser extremamente técnico, o local do teste contou com bons obstáculos, incluindo o cruzamento de raízes em declive acentuado e um drop alto e bem inclinado - situações que colocaram em teste a geometria da bike. Apesar da ausência do canote retrátil, sentimos confiança para encarar situações que normalmente nos causariam receio andando com uma XCzeira de banco alto e frente baixa.

Foto 68517
Solta o freio e vai   Pedro Cury

Um dos segredos certamente é a frente alongada, com seus 440mm de alcance colocando o piloto bem centralizado entre os eixos. Com isso, aquela sensação de "ferrou, vou capotar para frente" é menor quando comparada à bikes de XC mais tradicionais, com o tubo superior mais curto.

A frente longa, porém, tem um efeito "negativo". Por vezes, sentimos o pneu dianteiro perder a aderência em algumas curvas mais agressivas em terreno duro com cobertura solta. Para resolver este comportamento, bastou assumir uma posição um pouco mais adiantada na bike, jogando mais peso no eixo dianteiro durante os contornos - nada exagerado, apenas uma "recalibração" na postura.

Foto 68516
Eficiência morro acima   Pedro Cury

Nas subidas, foi preciso encarar inclinações realmente absurdas para fazer a frente levantar. Além disso, mesmo em velocidades super baixas, conseguimos manter a linha e contornar cotovelos sem dificuldades - inclusive, diversas vezes mudamos de direção propositalmente só para testar este quesito da bike. A posição de pedalada morro acima também agradou, com o seat tube de 74 graus criando uma postura bem eficiente para liberar os watts morro acima.

Apesar de ser ágil em baixas velocidades, a Blur não é instável em alta e a melhor definição de seu comportamento está em seu próprio nome - "desfoque" em inglês. Andando com a bike, ela parece diluir a linha entre agilidade e estabilidade, conseguindo a façanha de ser as duas coisas ao mesmo tempo - algo que agradou bastante nossos pilotos de teste.

Foto 68496
XCzeira que vai mais longe   Pedro Cury

Quem está mais acostumado com bikes de trail, all-mountain e enduro vai sentir muita falta do canote retrátil. Já quem anda com bikes de XC vai ficar impressionado com o que a Blur é capaz de fazer mesmo com o banco alto - felizmente, o equipamento pode ser adicionado como opcional.

Suspensão

A Blur é a primeira bicicleta da Santa Cruz a ser equipada com trava na suspensão traseira. Apesar disso, a marca continua apostando no exclusivo sistema VPP. Durante o teste, sentimos muito pouco bob vindo da traseira, mas a trava sempre se faz bem-vinda em diversas ocasiões nas subidas, principalmente para evitar movimentos indesejados do garfo.

Foto 68506
O tradicional VPP da Santa Cruz   Pedro Cury

Na dianteira, a Fox Step-Cast 32 com tratamento Kashima nas hastes apresentou um funcionamento macio, com ótima leitura de terreno. Durante o teste, utilizamos cerca de 20% de sag e, no geral, utilizamos bem seus 100mm sem sentir pancadas de fim de curso. Nas descidas mais inclinadas, a frente parecia estar afundando um pouco demais, mas bastou aumentar levemente a regulagem de compressão no topo da bengala direita para suavizar o comportamento.

Foto 68518
A FOX 32 Factory   Pedro Cury
Foto 68519
Parte de baixo da Fox Step-Cast   Pedro Cury

Na traseira, começamos o teste com 20% de sag, mas acabamos tirando um pouco de ar do shock durante o dia. Isso porque, apesar de funcionar muito bem, o sistema da Santa Cruz apresenta um comportamento um pouco diferente de outros sistemas de suspensão, mas comum para a marca.

Andando com a bike, você fica com a sensação de que a traseira esta funcionando menos do que deveria em pequenas irregularidades, mas curiosamente isso parece ser apenas uma sensação - até porque, o curso estava sendo bem utilizado e a tração sempre nos pareceu positiva e eficiente mesmo sobre obstáculos, seja acelerando morro acima ou brecando morro abaixo.

Foto 68502
Shock com trava   Pedro Cury

Com menos pressão, a sensação foi reduzida, mas passamos a utilizar mais curso do que deveríamos. Mesmo sem sentir batidas de fim de curso, a posição do anel de borracha na haste denunciou que todos os 100mm foram utilizados, mesmo sem saltos altos, grandes buracos ou pedras - olhando em retrospecto, os 20% nos pareceram uma opção mais apropriada devido a linearidade do sistema.

Conclusão

A Blur é uma bike que gosta de ser pedalada e capaz levar boas horas de diversão para seu piloto. Mais do que isso, ela é uma máquina de XC extremamente eficiente, graças a seu baixo peso e geometria muito bem acertada para a proposta. Certamente é uma bike capaz de levar um piloto de elite para a vitória em uma prova de XCO ou XCM.

Foto 68515
   Pedro Cury

Apesar de termos retratado o modelo topo de linha neste teste, a versão C com Kit S (GX Eagle) tem a sensação de pilotagem muito parecida. Isso prova que, para andar bem, uma bike precisa de uma boa base - e isso a Santa Cruz soube fazer muito bem.

A linha da Blur conta com muitas versões, inclusive com um modelo totalmente em carbono equipado com Eagle 12 velocidades à partir de R$21.590.

Pilotos de Teste

Gustavo Figueiredo - Strava
Pedro Cury - Strava

Vestuário

Bretelle La Maglia Forro Italiano, camiseta La Maglia ProTour Abstrato, capacete Lazer Magma, sapatilha Shimano Torbal ME5, meia Hupi Cinza Wave.

Para saber mais sobre a bike, acesse a página da Santa Cruz Blur CC Kit XX1 no site da Santa Cruz Brasil, que também faz vendas diretas para o consumidor.


Comentários

  • avatar

    Cebo    São Paulo - SP

    Cebo    São Paulo - SP

    Jobert, muitas bikes modernas e outras apostam em caixas um pouco mais abertas do que os 69 graus da Blur. A Spark RC, por exemplo, tem 68,5 - sendo a Spark normal mais aberta ainda.

    Citei a Scott porque foi a primeira que me veio em mente, mas temos exemplos muito mais abusados como a Intense Sniper com 67.5. O importante é ressaltar que um número isolado não quer dizer muita coisa, já que ele depende dos outros para fazer um quadro.

    Prova disso é que apesar de ser conservadora na caixa, a Blur é uma bike bastante capaz em terrenos agressivos.

    Abraços!


    1 mês atrás - Denunciar


  • avatar

    jobert leite   

    jobert leite   

    Gustavo porque diz que o angulo da blur é conservador? Em relaçao a quais bikes? Andei pesquisando bikes com mesma proposta e nao vi diferença consideravel. O que notou?

    1 mês atrás - Denunciar


  • avatar

    José Joaquim Oliveira Pinto    

    José Joaquim Oliveira Pinto    

    Tudo excelente. O preço é que é o problema!!!
    1 mês atrás - Denunciar


  • avatar

    JACQUES TÚLIO   

    JACQUES TÚLIO   

    Suspensão é uma coisa, amortecedor é outra coisa. Tanto a traseira quanto a dianteira da bike possuem suspensão com amortecedor embutidos.
    3 mes(es) atrás - Denunciar




  • Relacionados