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Relato - Meu primeiro Brasil Enduro Series

Veja como foi minha experiência na etapa Campos do Jordão

     

O Enduro é a nova modalidade de destaque do mountain biking. Antes dela tínhamos dois mundos bem divididos: o downhill, modalidade mais radical só de descidas, com muitos obstáculos técnicos e que beneficia atletas mais explosivos e, no outro extremo, o cross-country (XC), a modalidade olímpica, com provas longas, descidas e subidas.

Mas e quem estava no meio do caminho ? Ainda mais com a popularização das bikes de all mountain ? Como já falamos antes, o Enduro é uma prova onde as descidas são cronometradas, mas existem os deslocamentos, que se não forem feitos nos tempos limites, trazem também punição de tempo.

Muito legal na teoria, mas vamos falar da prática...

Nossa participação no Brasil Enduro Series

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Pedro Cury - Foto: Rodrigo Philipps

Acompanhei de longe o movimento das provas de Enduro no Brasil, mas só agora em 2016, depois de uma cirurgia no ombro, consegui estar presente para realmente participar e contar como é a experiência deste tipo de competição.

Preparação

Mesmo sem querer buscar um pódio, ir para qualquer competição sem treinar te traz sofrimento e não diversão. E no enduro, treinar requer adaptações, já que muitas vezes temos perfis de atletas que vieram exclusivamente do downhill ou exclusivamente do cross-country.

Como tenho mais intimidade com downhill, me preocupei em treinar resistência para não ser punido nos deslocamentos ou acabar exausto antes de fazer as descidas das 4 especiais da etapa de Campos do Jordão. Ou mesmo ficar morto no dia de reconhecimento das trilhas.

Porém, cometi o grande erro de ficar andando muito na bicicleta de estrada e pouco na mountain bike. Na verdade, fiquei quase um mês fazer trilhas antes do evento. No final das contas, achei o deslocamento muito fácil, mas nas especiais, mesmo em trechos sem pedalar muito, cansei demais!

Equipamentos

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Pedro Cury - Foto: Rodrigo Philipps

Mais do que em outras modalidades, no Enduro a escolha dos equipamentos é uma tarefa difícil. Como existe um misto de downhill com XC, é preciso decidir quais equipamentos levar. Para piorar, as trilhas são secretas, com o reconhecimento apenas no dia anterior. As trilhas também podem estar longe do ponto do inicio, diferente de provas de circuito fechado ou de downhill, onde é possível trocar / experimentar equipamentos ou usar ferramentas mais específicas.

As provas de enduro também são longas. Essa etapa, por exemplo, durou mais de 5 horas, então é preciso se preparar para comer e se hidratar mais do que o normal e também para mudanças no clima.

Complicando ainda mais, alguns atletas possuem mais de uma bike com perfis diferentes... indo de 120 mm com uma montagem mais voltada para o XC até 170mm mais voltada para o downhill. E então, qual bike levar ?

Sendo assim, o primeiro dia também serve como um reconhecimento do que levar no dia seguinte da prova. Claro, se o tempo não mudar!!!

O que levei

Reconhecimento
Sendo minha primeira prova e sem conhecer a região, deixei preparado tudo que pudesse precisar em qualquer condição. A previsão do tempo era de chuva e frio para o primeiro dia, deixando o planejamento um pouco mais complicado.

Resolvi ir de calça e camisa de manga comprida, além da capa de chuva. Realmente estava frio de manhã e com uma chuva bem leve. O dia do reconhecimento é um pouco mais tranquilo. Você tem um limite de tempo para ir conhecer os trechos especiais, mas é um limite grande, não é preciso fazer o deslocamento muito rápido. Então, levar um pouco mais de peso por prevenção não é um grande problema.

Fui com uma mochila Deuter Race EXP (confira o teste), mais do que suficiente para levar tudo que eu precisava, já que ela conta também com capa de chuva e me permite levar 3 litros d'agua. Também possui o suporte para levar capacete, item essencial, já que no Enduro é obrigatório o uso de um capacete fechado para as especiais, mas é permitido o capacete aberto nos deslocamentos.

Como proteção, além do capacete o tempo todo, é obrigatório usar joelheiras, luvas e óculos nas especiais. O goggle foi minha escolha, pela proteção mais ampla e melhor fixação. Mas um produto que venho usando e estou muito satisfeito é a joelheira Specialized Atlas. Tão confortável que normalmente nem lembro de abaixá-la durante o deslocamento!

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Joelheira Specialized Atlas, Mochila Deuter Race EXP e Bretelle Specialized SWAT

A quantidade de equipamento não me incomodou. Principalmente porque a temperatura não mudou a ponto de obrigar a troca de roupas. Mas, descer as especiais com uma mochila com um capacete preso não é o que mais gosto, me fazendo pensar em alguma solução pro dia seguinte.

Na prova
O domingo amanheceu sem uma nuvem no céu e um sol que prometia tempo bom o dia inteiro! Isso permitiu por em prática um novo plano para a corrida. Resolvi fazer minha prova sem mochila e sem levar o capacete aberto!

E aí que vieram algumas cartas na manga. A bike que usei tem a porta SWAT, que permitiu levar uma câmara de ar, bomba, ferramenta e alguns sachês de gel dentro da bike. Também levei um bretelle Specialized SWAT que conta com 5 bolsos! Assim pude levar banana, barrinhas de cereal, duas garrafas d'agua nas costas e uma no quadro. Ainda teria espaço para a capa de chuva, mas resolvi deixá-la de lado na última hora.

A única contrapartida foi fazer os deslocamentos usando um capacete full face, mas estando acostumado com o calor de 40 graus do Rio, isso foi longe de ser um problema com temperaturas abaixo dos 25!

A Bike

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Para a prova, a minha opção foi Specialized S-Works Camber 2016, com rodas 29, bike que a marca deixou de teste comigo. Com apenas 120 mm de curso, ela está no extremo das bikes de all mountain / trail mais perto do XC.

A bike foi uma boa escolha ? Difícil dizer... um outro erro da minha preparação foi não ter andado na bicicleta previamente para acostumar. Anteriormente estava com uma Stumpjumper de 150mm de curso e rodas 650b (confira o teste). As trilhas da prova não eram difíceis o suficiente para precisar de muito curso na suspensão, mas senti que faria melhor algumas curvas fechadas na Stumpjumper e andaria mais rápido na especial 3 que tinha algumas raízes com lama. Ao mesmo tempo, algumas especiais tinham trechos onde era preciso sprintar em retas e pequenas subidas... algo que a Camber, mais leve e com uma geometria mais favorável, faz melhor. Muito difícil dizer qual seria mais rápido.

O evento
A organização do Enduro Series foi excelente. Desde o processo de inscrição, até a logistica e informações durante o evento. Nessa edição foram 4 especiais ao invés de 3, aumentando o tempo de prova e dificuldade.

De qualquer maneira, tenho algumas pequenas críticas. Uma delas foi o uso do Zoom Bike Park como local da prova, sem a criação de nenhuma nova trilha. Isso favorece os atletas locais. Entendo que facilita todo o processo, mas é uma situação menos desejada.

A outra crítica é que em um trecho de deslocamento a sinalização poderia ser melhor. Se não me engano, em uma bifurcação você acessaria 3 especiais, porém só duas estavam sinalizada na placa. A outra estava em uma placa anterior. Parecia óbvio, mas gerou alguma confusão.

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Pedro Cury - Foto: Rodrigo Philipps

Alguns atletas criticaram o nível técnico baixo das trilhas. Essa questão me deixa um pouco dividido em termos do que é uma prova de Enduro e qual é seu objetivo. Fazer trilhas super técnicas e curtas não difere muito do downhill e vai favorecer atletas dessa modalidade. Inclusive, atualmente no Brasil a maioria dos competidores do Enduro vem do downhill, então essa crítica já é esperada.

Mas o que no final vai deixar a competição mais difícil, mais democrática e atraindo um publico mais variado ? Será apenas rock gardens e rampas de madeira ? Vale a reflexão! Eu voto pela maior variedade de situações... tem que ter deslocamentos difíceis, trilhas técnicas longas e curtas, trilhas que é preciso pedalar forte, mas não muito técnicas longas e curtas... enfim, deixar a prova favorável para o atleta mais completo e não para o mais "downhilleiro".

Conclusão

Gostei muito do evento e de competir pela primeira vez nessa modalidade. Meu objetivo não é buscar resultados e sim curtir o final de semana com os amigos e desafiando meus limites. A parte social do enduro é bem legal, já que a prova é longa e você sempre encontra um conhecido nos deslocamentos ou esperaando sua vez nas especiais.

A segunda etapa será em Itaipava (RJ) em julho e já estou confirmado!

Você também foi na prova ? Tem alguma dúvida para a próxima ? Discorda de algum ponto ? Use os comentários abaixo!

Para fazer sua inscrição, acesse o site oficial do Brasil Enduro Series.


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Comentários

ainda na procura da bike certa ...........parabens pela materia Pedro.

Obrigado UTR. Olha, a modalidade tá crescendo bem sim... já temos 3 competições grandes, multi-etapas. E já ouvi falar também de algumas menores. Também torço para que cresça. Quanto às bikes, são mais caras sim, já que obrigatoriamente precisam ser fulls. Mas, pra quem tá com grana curta, o segredo é pegar as bikes aro 26 usadas que estão sendo vendidas muito baratas. Vale muito a pena!

Excelente relato, Pedro! Eu como amante do MTB curto mais o Enduro, pena que é uma modalidade que exige um custo mais alto de equipamentos e bicicleta, mas que no final acaba valendo muito a pena. Torcendo pra essa modalidade se expandir no Brasil. Já não aguento mais só XC, XC, XC hahaha!