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Maratona Internacional Estrada Real 2018 #1 - Ouro Branco - Diversão e sofrimento na medida certa


30 ABR, 2018     Gustavo Figueiredo     3    



Apesar de ser uma pessoa relativamente competitiva quando trata-se de corridas entre amigos e de ter corrido em diversas categorias na adolescência, admito que competir oficialmente (seja lá qual for a modalidade) não é algo que me atrai.

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A brilhante ideia de voltar a competir   Pedro Cury

Porém, beirando os 40 anos e com mais de 25 pedalados, percebi que chegou a hora de encontrar um estímulo diferente para treinar e manter a boa forma. Surgiu então a ideia de voltar a competir, começando pela Maratona Internacional Chaoyang Estrada Real, prova que aconteceu em Ouro Branco (MG), no dia 22 de abril.

Preparação

Com a inscrição feita facilmente no site oficial cerca de dois meses antes da largada, resolvi que não teria tempo para mudar drasticamente minha rotina de treinos. Apenas dei uma maneirada na dieta e pedalei com mais frequência, baixando o peso de 67kg para 65kg.

Atualmente (e como você pode acompanhar pelo meu Strava), meu treinamento se resume à algumas corridas no Zwift durante a semana, uma ou duas trilhas de fim de semana e algumas seções semanais de musculação. Treino assim há mais de um ano e não sigo dietas ou planilhas.

Nas semanas que antecederam a prova tive pouco tempo para me dedicar, já que além da cobertura da Copa Internacional em Araxá ainda participei de uma viagem de uma semana pela Serra da Canastra com a equipe do Pedal.com.br. Para completar, uma noite antes da largada amanheci resfriado.

Apesar de não estar fora de forma, estou longe dos melhores desempenhos da minha vida. Com este cenário, minha expectativa para a competição era preocupante - o que ainda me causou uma bela insônia.

A Bike

Para correr, optamos por uma Scott Spark 920, bicicleta que eu já havia pedalado por alguns dias antes durante uma viagem para a Serra da Canastras - aguarde matéria em breve. O modelo tem 120mm de curso em ambas as extremidades, canote dropper e pneus 2.35.

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A Spark 920 2018 foi nossa escolha para a Maratona   Pedro Cury

Em breve, publicaremos um teste super completo, com direto a desmontagem e pesagem. Porém, por tratar-se de uma bike de alta gama, resolvemos testar ela também em cenários de corrida.

A competição


Depois de retirar o Kit sem grandes complicações no sábado, tentei comer bem e dormir cedo, mas o sono infelizmente não veio. Com poucas horas dormidas, acordei às 06:00, tomei café, esvaziei o "lastro" e parti para a feira que sediou a largada e a chegada da prova.

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Retirando o kit oficial   Thiago Lemos

Com o "larguinho" uniforme fornecido pela organização no corpo, acertei os últimos detalhes na Scott Spark 920 que utilizei para correr e segui comendo e bebendo água até próximo da hora da largada. Como não cheguei muito cedo no bolsão, acabei largando "no meio do bloco".

Largada à hidratação 1

A competição começou quase que pontualmente às 09:35, com os atletas partindo ao som do hino nacional. Antes do início da cronometragem oficial, o bloco percorreu cerca de 3km neutralizados. Tentei usar este tempo para aquecer o corpo.

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Corremos no Percurso Reduzido

Depois de rodar cerca de 5km relativamente planos, entrei na primeira grande escalada do dia, a Serra de Ouro Branco, trecho em asfalto com 8% de média e 3.25km de extensão. Porém, depois do asfalto, os ciclistas continuaram a subir na terra, atingindo o topo do Morro do Gabriel, que chegou apenas 1.7km depois.

Perto do ápice, os helicópteros da organização passaram sobre nossas cabeças algumas vezes, o que resultou em imagens espetaculares e um pouco de entretenimento em meio ao sofrimento da longa subida. Neste momento, senti que as pernas estavam boas e tive que controlar a empolgação.

O topo da montanha chegou junto com o primeiro ponto de hidratação - aqui, fica a única reclamação sobre a prova. As garrafas foram entregues abertas imediatamente no início de uma descida, o que dificulta beber com calma e controlar a bike. Isso resultou em centenas delas sendo descartas ainda cheias depois de apenas alguns goles - o que foi o meu caso.

Hidratação 1 à Hidratação 2

Apesar do gráfico de altimetria indicar que este trecho é praticamente só descidas, nada poderia estar mais longe da verdade. Sim, os atletas desceram mais do que subiram, mas o tempo todo as ladeiras eram interrompidas por pequenas escaladas dessas que minam as pernas.

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Encarando o Morro do Gabriel   Pedro Cury

Já com 1h30m de prova, a temperatura começou a subir e os sintomas do resfriado deram uma apertada. Porém, as pernas ainda respondiam bem e fui tocando com o passo forte até o segundo ponto de hidratação, decidido a parar para completar a garrafinha.

Ao colocar o pé no chão, surgiram os primeiros sinais de desgaste. O peso do corpo na perna imediatamente disparou uma leve cãibra na coxa. Com muitas subidas pela frente, sabia que teria que dosar as forças a partir daquele ponto.

Hidratação 2 à Hidratação 3

Um trecho de cerca de 12km com muitas subidas, descidas e curvas. Aqui, os largos pneus de 2.35'' e o canote dropper fizeram diferença, permitindo atacar ladeira abaixo para ganhar tempo sem gastar energias - certamente os 120mm de curso e a eficiência impressionante da Scott ajudaram bastante.

O terreno aqui - e na maior parte da prova - era composto por terra solta, pedras pequenas e bastante cascalho mas sem grandes obstáculos ou erosões. Com a superficie escorregadia, a pilotagem tornou-se rápida, porém delicada.

Antes de chegar ao terceiro ponto de hidratação, passei pelo ponto mais duro da prova ao menos para mim, o Morro do Marimbondo: uma subida bem inclinada e com o chão repleto de cascalhos onde muitas pessoas empurram - um momento em que o grito da galera ao lado da pista ajudou bastante.

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   Thiago Lemos

A dureza do trecho pode ser explicada da seguinte forma: apesar de ter apenas 1km de extensão e inclinação média de 14%, o Mur du Marim, segmento da subida do morro, me tomou 11m17s para ser superado.

Chegando na hidratação, optei mais uma vez por parar e encher a garrafinha, já que o risco de desidratar era muito grande e isso poderia acarretar em câimbras muito piores - mesmo assim, pedalar em pé e sprintar eram luxos que minhas pernas já não comportavam.

Hidratação 3 à Chegada

Depois de mais algumas (várias) subidas e descidas de alta velocidade onde foi possível atingir quase 70km/h sobre um terreno super solto, finalmente chegamos ao trecho de single track que antecedeu a chegada.

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Single no final da prova   Pedro Cury

Aqui, apesar do cansaço extremo e de algumas leves empurradas nos trechos mais técnicos de subida, a diversão foi garantida por um terreno bem rolado, algumas poucas raízes e erosões pequenas que proporcionaram cerca de 20 minutos de muita diversão. Em algumas subidas curtas, as câimbras atacaram com força, quase me fazendo descer da bike.

Fui alcançado pelos ponteiros da elite dentro da mata, o que exigiu uma boa dose de perícia para permitir ultrapassagens sem perder tempo. Depois de sair do single, voltamos para a cidade para percorrer alguns quilômetros de asfalto que nos levaram de volta para o ponto de largada.

Fechei a prova bastante cansado e com o tempo de 02:37:44, suficiente para me colocar na 49° colocação entre 130 competidores da Master Percurso Reduzido de 43km. Um resultado nada impressionante, mas bastante positivo tendo em vista minha condição geral.

Conclusão

Extremamente bem organizada, com excelentes trechos de estradão, sinalização impecável e um single bem divertido no final, a Maratona Internacional Chaoyang Estrada Real mostrou-se um prato cheio para quem curte subir muito.

Foto 67587
   Pedro Cury

A prova é contemplada com as lindas paisagens da região de Ouro Branco e proporcionou diversão do inicio ao fim. A bem da verdade, pela primeira vez na vida curti participar de uma competição deste tipo, sendo que só comecei a pensar realmente na chegada com quase 30km percorridos.

A competição ainda marcou o início de uma nova fase em meu treinamento, com a promessa de voltar ano que vem para Ouro Branco com o objetivo de fechar o percurso completo de forma bem mais tranquila e sem cãibras.

No mais, fica nosso agradecimento para o pessoal da Avelar Sports, da Scott Brasil, da ASW Racing. Sem a ajuda de vocês eu até poderia ter corrido, mas com certeza a diversão não seria a mesma.

Para mais detalhes da prova, acesse o site oficial da Maratona Internacional Chaoyang Estrada Real.

Piloto: Gustavo Figueiredo - Strava

Vestuário

Bretelle ASW Active Race 18, luva ASW Active Fechada 17, Capacete Scott Centric Plus 2017, meias HUPI, sapatilha Shimano Torbal.


Comentários

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    Cebo    São Paulo - SP

    Cebo    São Paulo - SP

    Valeu pelos elogios, grande mestre Odair! :)
    6 mes(es) atrás - Denunciar


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    Fernando Tosetto Monchero   

    Fernando Tosetto Monchero   

    Parabéns pela superação e pelo texto gostoso de ler. Abraço.
    6 mes(es) atrás - Denunciar


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    Odair Pereira    

    Odair Pereira    

    Parabéns Gustavo! Bela Narrativa! Linda bike!! :) Parabéns Pedro pelas belas fotos e Avelar pelo evento Impecável!
    7 mes(es) atrás - Denunciar




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