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Escândalo do doping - CBC se defende


7 MAI, 2011     Guiné    
     


Nota de esclarecimento

A Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) foi surpreendida nos últimos dois dias com matérias veiculadas por parte da imprensa com afirmações inverídicas sobre a postura da entidade frente a casos de doping. De forma absolutamente irresponsável, as reportagens ousaram dizer, sem ao menos nos consultar oficialmente ou acessar o nosso site, que a CBC estaria escondendo e engavetando casos de doping de atletas brasileiros.

Inicialmente é preciso registrar que todas, isso mesmo, TODAS as decisões ou atos processuais relativos a matéria disciplinar, inclusive de doping, estão publicadas aonde deveriam estar, ou seja no link do STJD na página da CBC na internet: http://www.cbc.esp.br/stjd/editais.html

Como se denota, com um simples click, o interessado poderia acessar informações sobre os órgãos da Justiça Desportiva (STJD e Comissão Disciplinar) e Comissão Antidoping da CBC, instâncias desportivas compostas por renomados juristas em Direito Desportivo ou profissionais de nomeada em Medicina do Esporte. Em outras palavras, a totalidade dos casos de atletas brasileiros com controle positivo em provas internacionais realizadas no Brasil e enviadas pela UCI através de processo regular de coleta e controle de doping, ou já foram julgados pela Comissão Nacional Antidoping da CBC e as decisões estão publicadas (inclusive de alguns atletas citados nas matérias que repita-se, encontra-se no nosso site), ou estão em tramitação, ou simplesmente a CBC não recebeu qualquer comunicado oficial da UCI a respeito. Já os casos de controle positivo de atletas brasileiros em provas fora do Brasil são julgados diretamente pelas entidades internacionais, não cabendo a CBC julgar ou divulgar as decisões.

Além disso, outra informação veiculada seria a de que atletas punidos estariam competindo normalmente. Trata-se de outro equívoco, pois apesar de não poder impedir a participação de atletas irregulares, devendo relatar o feito ao STJD, a CBC não tem nenhuma notícia de atuação de atletas em cumprimento de qualquer suspensão em provas da CBC.

A política da CBC em matéria de doping e infrações em geral, diga-se, é de cumprimento irrestrito da legislação desportiva nacional e internacional, em especial ao Código Mundial Antidoping, Regulamentos UCI e Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Nesse contexto, em absoluto respeito a normas de divulgação pública e confidencialidade previstas na codificação mundial, e harmonizadas com o ordenamento jurídico brasileiro que garante o sagrado direito a ampla defesa, estamos autorizados a divulgar informações sobre processos de dopagem somente após a notificação dos atletas envolvidos comunicando de sua suspensão "provisória". E ainda respeitado o prazo para exercerem o direito de solicitação da amostra "B" e defesa prévia, seguidos de intimação para julgamento pela Comissão Antidoping da CBC, cujas decisões são submetidas a homologação da União Ciclística Internacional. Mesmo porque vale registrar que a sanção provisória imposta pela UCI pode ser descontada / comutada em caso de condenação definitiva, ou mesmo dependendo das circunstâncias especiais, substâncias especificadas ou involuntariedade, as penas podem ser parcial ou totalmente suspensas ou canceladas. Tais peculiaridades jurídicas são altamente relevantes para serem pura e simplesmente ignoradas e de forma açodada e precipitada, como anotado de forma mendaz nas matérias jornalísticas em referência, poderem ser divulgadas com muita antecedência aos julgamentos.

Em suma, a única verdade que deveria ser amplamente divulgada e estampada pela mídia é a de que a CBC não tolera, omite, engaveta ou esconde casos de doping. Muito pelo contrário, apenas para se ter uma idéia, nos últimos três anos investimos R$ 278.400,00 tão-somente para viabilizar a realização de 181 exames de controle de dopagem, montante que daria por si só para realizar vários eventos de ciclismo no nosso país. No entanto, conseguimos nesses anos quase que triplicar a chancela de pontuação internacional nos eventos existentes ou para novas competições do nosso calendário, e para tanto foi necessário a adequação de exigências da UCI, inclusive em matéria de doping. E se fosse para "esconder ou engavetar", certamente os resultados e penas aplicadas não seriam as que estão divulgadas no site da CBC, que novamente convidamos a visita de quem tenha interesse.

A CBC é uma instituição séria, conduzida por pessoas sérias, mas que infelizmente não foi tratada com a seriedade necessária por determinados profissionais da mídia, que na ansiedade por holofotes, palcos ou furos de reportagens, descuidaram de premissas básicas da ética jornalística, qual seja de ouvir o outro lado, ou simplesmente apertar o botão do mouse para se informar para não "desinformar a sociedade".

Finalmente, ressaltamos que a CBC se reserva o direito de adotar as medidas judiciais necessárias contra aqueles que de forma irresponsável e equivocada mentiram em troca de audiência às custas da dignidade e moralidade da CBC, seus dirigentes e colaboradores.

Londrina, 6 de maio de 2011
Paulo M. Schmitt
vice-presidente no exercício da Presidência da Confederação Brasileira de Ciclismo


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