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Entrevista - José Antonio Hermida

A lenda do mountain biking espanhol quer o ouro olímpico

     

Tricampeão mundial (Junior, Sub-23 e Elite) e prata nas Olimpíadas de Atenas, o espanhol José Antonio Hermida Ramos, nascido em 1978, é uma das figuras mais emblemáticas do circuito internacional do Mountain Biking. Correndo pela Merida, o atleta coleciona resultados como o Campeonato Nacional da Espanha, Campeonato Europeu de XCO e inúmeras vitórias em etapas da Copa do Mundo.

Durante o Aquece Rio, evento teste de cross-country para as Olimpíadas Rio 2016, tivemos a oportunidade de conversar com esta carismática figura, que contou um pouco mais sobre sua rotina como atleta.

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A bike

A Merida Big Nine utilizada por Hermida é praticamente a mesma que é vendida no mercado, com apenas algumas modificações. Uma das mais curiosas, que certamente remete ao tempo de esporte do atleta, é o uso de bar-ends.

Todavia, devido à dificuldade da pista do Aquece Rio, Hermida apostou em uma full, a Ninety-Six Team. Para ele, essa escolha permite chegar mais inteiro ao fim de provas duras como a deste domingo, além de facilitar as partes técnicas.

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Pedal: O que você achou do circuito olímpico ?
Hermida: O evento foi muito bom e divertido. É importante que a gente conheça o circuito para poder ajustar, filmar, tirar conclusões e se preparar para o próximo ano e também qual bicicleta escolher.

Pedal: Você escolheu andar de full suspension. Qual são as vantagens dela nesta pista ?
Hermida: Preferi por causa do terreno instável e com muitas pedras. Ela melhora na hora de descer e você também se cansa menos para terminar uma corrida de hora e meia.


Pedal: Ainda sobre a pista, o que você mais gostou e o que você não gostou ?
Hermida: Eu gostei, mas certamente não é um circuito de trilhas naturais. Tenho certeza que aqui no Rio existem muitos muitos circuitos com natureza e paisagens, porém acho que devemos nos sacrificar a cada 4 anos para privilegiar os meios de comunicação, o que ajuda a promover o MTB, especialmente na televisão.

Pedal: Além das Olimpíadas, quais são seus objetivos para 2016 ?
Hermida: Sem dúvida conseguir a vaga Olímpica é o mais importante. Porém, tenho o objetivo da Copa do Mundo e do Mundial, o que é normal em todos os anos.

Pedal: Você se preparou de alguma maneira especial para o Evento Teste ?
Hermida: Não me preparei de forma especial para essa prova porque a temporada foi muito dura e já estávamos treinando desde fevereiro com a Cape Epic. Depois tive corridas nacionais e internacionais o tempo todo e não treinei especialmente para esta prova. Depois do mundial teve a Bundesliga e, por último, viemos para cá com o objetivo maior de captar informações sobre a pista do que realmente fazer um bom resultado.

Pedal: Você não terminou a corrida de domingo, o que aconteceu ?
Hermida: Furei o pneu e no final não quis me desgastar muito com o calor. O principal objetivo era conseguir fazer uma volta bem forte para poder registrar os dados em GPS e no medidor de potência. Como é final de temporada e quase férias, não queria e nem precisava me desgastar.

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Pedal: Você disse anteriormente que as corridas por estágios são um bom treino para o XC. Você ainda continua com essa opinião ?
Hermida: Sim, totalmente! Principalmente a Andalucia Bike Race e a Cape Epic. São corridas do início da temporada muito importantes. Elas são ótimas para treinar a parte técnica, resistência e principalmente improvisação, já que você vai em trilhas desconhecidas. Porém, algumas destas provas estão ficando muito profissionais e fica cada vez mais difícil andar leve por um ou dois dias sem acompanhar o ritmo de profissional e servir apenas como um treinamento.

Pedal: Que tipo de pista de competição você gosta mais ? Onde você consegue mais se destacar ?
Hermida: Difícil dizer o que eu gosto mais, mas sempre me destaquei em circuitos naturais bastante travados e técnicos. O mountain bike está mudando muito com alguns circuitos artificiais, porém como tinha dito eles são importantes para trazer mais mídia para o esporte. Porém, acho que o Espírito do esporte está em circuitos naturais.

Pedal: Falando agora da sua bicicleta: você é uma pessoa muito técnica que costuma mexer nas configurações e provar algumas coisas ou faz mais o tipo que pedala forte e não se importa muito com as características da bike ?
Hermida: Sou um cara bastante técnico, gosto da tecnologia e da mecânica. Mexo nas minhas bicicletas na minha oficina em casa e adoro experimentar muitas opções. A bicicleta principal que uso, a Merida Big Nine, é praticamente a mesma que se vende para o consumidor com apenas um ou outro detalhe que eu prefiro alterar. Algumas configurações de iniciação à pressão da suspensão dianteira Rock Shox RS-1, na qual coloco 70 PSI. Já o amortecedor traseiro trabalha com 140 psi. Nos pneus, utilizo 20 a 21 lbs de pressão.

O que usei por muito tempo de diferentes foram os bar Ends no guidão, mas já tem um mês que não uso mais. As corridas estão muito rápidas e no final não há tempo para usa-los. Também me preocupo muito com a biomecânica, que é a estudar e configurar a bicicleta de uma maneira que me permita gerar mais potência. Ou seja: fazer um bike fit mais especial.

Pedal: Você foi campeão mundial Júnior Sub 23 e elite, porém ficou em segundo quatro vezes na Copa do Mundo e foi medalha de prata nos jogos olímpicos. Qual é o título que você tem mais vontade de conseguir, o ouro olímpico ou a Copa do Mundo em sua quinta olimpíada ?
Hermida: O ouro olímpico é o maior objetivo. Nas últimas Olimpíadas fiquei em quarto lugar e no ano que vem gostaria muito de conseguir mais uma medalha.

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Pedal: E quando você pedala só por diversão, o que você gosta de fazer ? Usa outras bicicleta com mais curso ?
Hermida: Quando saio para pedalar por diversão muitas vezes vou com a bicicleta de enduro, a Merida One-Sixty ou mesmo a de xc. Gosto de descobrir novas trilhas e poder andar sem ficar preocupado com potência em Watts e com batimentos cardíacos, apenas me divertindo em trilhas técnicas.

Pedal: E no final, qual foi sua impressão geral ?
Hermida: Além de ter sido muito importante eu gostei bastante o pessoal. Foi muito amigável os fãs que eu já conhecia e também pude conhecer um pouco do Rio, o que certamente não conseguirei fazer durante o evento olímpico.

Confira mais detalhes das bikes de José Antonio Hermida

NINETY-SIX TEAM
ONE-SIXTY 7. 600
BIG.NINE 9000

     


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