Entendendo o sistema de mudança de marchas interno

Veja como funciona e como surgiu a tecnologia


20 JUN, 2014     Pedro Cury     3    



O cubo interno de marchas ainda é uma novidade no Brasil, mas para a surpresa de muitos, ele veio antes dos câmbios tradicionais que conhecemos hoje. Em 1902 foi lançado na Inglaterra um cubo interno com três velocidades pela Sturmey-Archer, em uma época em que praticamente todas as bicicletas eram de marcha única e o Tour de France era disputado com bicicletas roda fixa.

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Trocador do Nexus Inter 3: A primeira marcha é para subidas, a segunda para plano e a terceira, para descidas ou mais velocidade. Simples e funcional

Em uma revista da época, a “The Cyclist”, o testador naquela ocasião relatou que foi possível percorrer uma distância muito maior com esse cubo de marchas, do que era possível anteriormente com uma bicicleta monomarcha. Além disso, o percurso foi feito de forma muito mais prazerosa, e já se vislumbrava que essa nova invenção poderia beneficiar não só pessoas mais velhas, mas também jovens e adultos mais atléticos.

Porém, o cubo interno acabou perdendo sua posição de status como sistema de transmissão mais utilizado, com a evolução da tecnologia dos câmbios externos nos anos 70. Estes câmbios ganharam posição de destaque nas bicicletas pelo desempenho e também baixo custo. Hoje, porém, basta um rápido passeio pelas novas ciclovias ou ciclofaixas que estão ganhando espaço pelo Brasil, para ver uma sinfonia bem ruidosa de correntes caindo, marchas desreguladas e trocas de marcha mal feitas. Coisas que não ocorrem quando se utiliza o câmbio interno. Podemos dizer, portanto, que o câmbio interno tem lugar nas cidades e pode ajudar as pessoas que estão começando a pedalar e também as que já pedalam regularmente. Mas quais são exatamente as vantagens do cubo interno ?

Vantagens

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Por dentro do cubo interno – As engrenagens e rolamentos do sistema ficam protegidos contra a ação da chuva e sujeira.
A troca de marchas é bastante simples - Há um número reduzido de combinações de marchas e a troca é intuitiva. Nos trocadores Nexus da Shimano, basta girar a alavanca em forma de punho para fazer a troca. Um clique, uma marcha.

É possível trocar de marcha parado - Esquecer-se de fazer a troca ao parar em um semáforo não é mais problema. Adeus estalos e trocas barulhentas na hora de sair do farol verde já que você muda as marchas mesmo sem pedalar a bicicleta.

O mecanismo interno fica protegido da chuva e sujeira. Isso significa menos manutenção e um conjunto mais durável.

No Brasil

No Brasil é possível encontrar cubos internos principalmente nas bicicletas públicas de aluguel que estão presentes nas principais capitais. Apesar de serem basicamente bicicletas de passeio, enfrentam duras condições de uso, pois ficam expostas ao tempo e são usadas por todo tipo de usuário. Muitos deles estão voltando a pedalar e muitos não entendem bem do funcionamento das marchas. É nessa situação que esse sistema sobressai, oferecendo uma bicicleta robusta e fácil de usar e, como consequência, é possível ver um número cada vez maior de pessoas pedalando pelas cidades e gerando cada vez mais demanda por mais infraestrutura para bicicletas.

O futuro é agora

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Cubo Alfine Di2: É possível ver a unidade motora responsável pelas trocas do lado direito do cubo

Com a popularização das bicicletas urbanas pelo mundo, surgem novas demandas e novas soluções. Uma delas é o surgimento de bicicletas urbanas rápidas e confortáveis, mantendo sempre as tradicionais qualidades do cubo interno.
O cubo interno de marchas, sempre presente nas bicicletas urbanas e utilitárias na Europa e Japão, retorna em novas variações. É possível usar freio a disco hidráulico, usar 11 velocidades e até usar um sistema eletrônico de trocas de marcha!

O cubo interno de marcha foi inventado há mais de 100 anos atrás, praticamente junto com a bicicleta moderna que conhecemos hoje. E assim como ela, o conceito básico permanece atual e continua a receber melhorias constantes.

Hoje vemos um "retorno" às origens: as bicicletas que por décadas não faziam necessariamente parte dos planos de mobilidade e transporte de grandes cidades, atualmente estão sendo cada vez mais utilizadas para simplificar nossas vidas já tão corridas, atribuladas e estressadas em grandes centros urbanos. O cubo de marcha interna da mesma forma vem simplificar o “andar de bicicleta”: uma atividade simples, para todas as pessoas de todas as idades.

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Bicicleta urbana esportiva com Alfine Di2: A troca de marcha é realizada através de um motor elétrico, além de ser possível usar freio a disco hidráulico


Veja um vídeo do funcionamento do cubo interno (em inglês)


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Eduardo Yuji

Eduardo trabalha na Shimano e é um ávido praticante do ciclismo urbano. Nas horas vagas também anda na estrada, faz trilhas e cicloviagens.


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Comentários


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    Robson   

    Robson   

    Pode usar cambio dianteiro junto com esse sistema?
    5 mes(es) atrás - Denunciar


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    PEDRO IVO    

    PEDRO IVO    

    ola boa tarde , eu comprei uma bicicleta usada q tem este cambio interno ,poren não tenho o trocador como fasso para arrumar um ou improvisar de algum jeito

    9 mes(es) atrás - Denunciar





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