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Entendendo - Mountain Bikes Elétricas

Explicamos as principais características de uma MTB elétrica, com tudo o que elas tem de bom e de ruim


15 JUN, 2018     Pedro Cury     1    



Falar em bicicleta elétrica não é novidade nos dias de hoje, afinal já vemos elas circulando nas ruas há alguns anos. Já as bicicletas esportivas e de competição, como estradeiras e mountain bikes, estão recentemente ganhando suas versões elétricas.

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   Pedro Cury

Pensando na prática, isso pode não fazer sentido. Se essas bicicletas são voltadas para competição e desempenho, então porque colocar um motor ? Seria trapaça ? É possível manter o peso e agilidade aceitáveis ? E no caso do mountain bike, onde a bicicleta vai atropelar pedras, saltar, pegar chuva e lama ?

Agora em 2018, já podemos afirmar que as mountain bike elétricas vieram para ficar e já estão bastante populares na Europa. As maiores marcas já tem um modelo, ou ao menos um protótipo, e grandes fabricantes como Bosch, Shimano e Brose já entraram na corrida pela fabricação de motores e baterias.

Entendendo o Conceito

Vídeo
Preparamos um vídeo explicando um pouco mais sobre as bikes elétricas.



A ideia inicial das elétricas de passeio é se transportar com menos esforço. A tecnologia chegou num ponto em que a bicicleta pode ter ajuda total ou parcial da motor, ou até mesmo ser pedalável com a bateria removida ou desligada.

Ou seja, é um bicicleta “com esteróides”. Você pode andar mais longe, mais rápido e continua sendo um veículo leve e não poluente.

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Pedalar mais e mais longe   Pedro Cury

Nestas bicicletas, você tem a opção de nem mesmo pedalar, usando apenas o acelerador ou então ter assistência do motor, onde você nem mesmo precisa acelerar - ao pedalar, o motor é acionado e gera velocidade de acordo com sua força / cadência.

As E-MTB - Mountain Bikes Elétricas

Criar uma mountain bike elétrica que pode atender aos rigores do esporte com desempenho satisfatório é um grande desafio de engenharia.

Todo ano vemos novas tecnologias, ou melhorias, no mundo do mountain bike. São novas suspensões, mais marchas, novos materiais, tamanhos diferentes de pneus e uma infinidade de detalhes. Acrescente na receita motor e bateria e temos algo bem complexo.

O motor é acionado apenas quando você pedala



O esporte também tem diferentes níveis de exigência. Pode ser praticado numa simples estrada de terra, como também em trilhas super técnicas onde é difícil até mesmo descer a pé.

Integrando o motor ao invés de iniciar do zero

A decisão mais sábia dos fabricantes foi deixar as bicicletas com seus componentes originais ao invés de tentar criar um novo produto, com componentes específicos da categoria elétrica.

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O sistema de assistência de uma elétrica como a Turbo Levo

Então, hoje temos bicicletas com quase todos os componentes de uma mountain bike tradicional, exceto o quadro, onde é integrado o motor + bateria. Afinal, suspensões, pneus, freios e demais componentes, já estão num grau de maturidade e eficiência avançado.

O resultado final é uma bicicleta que tem a mesma cara de uma mountain bike tradicional, aguenta os rigores do esporte e traz as vantagens de ter um motor.

Já estão até surgindo componentes específicos para o E-MTB como o grupo SRAM EX1, mas ainda não sabemos o futuro deles e parecem ser apenas otimizações dos componentes tradicionais.

Funcionamento de uma E-MTB

Por pensar em integrar um motor ao MTB e não o oposto, as novas bikes tem um funcionamento praticamente idêntico a uma bike normal. Até a presente data, as grandes marcas só possuem bicicletas de pedalada assistida, ou seja, elas não possuem acelerador. O motor é acionado apenas quando você pedala.

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Níveis de intensidade de ajuda escolhidas no guidão   Pedro Cury

Esse funcionamento é diferente de marca pra marca, mas em geral é bem dinâmico. O sistema percebe em que marcha você está e o quanto precisa de ajuda para dosar a força que o motor irá gerar. Assim, a experiência é bem natural, como se você fosse um ciclista muito forte e não com grandes trancos como seria uma moto.

Por uma questão de legislação, essas bicicletas possuem um limitador de velocidade máxima, que em geral é de 25 km/h. Já existem formas de enganar o limitador. Mas isso é assunto para outro artigo.

Além disso, a maioria das bikes oferecem a possibilidade de escolher níveis de ajuda do motor. Você poderá regular isso no guidon, por aplicativo de celular ou ambos.

Autonomia

Essa é a pergunta mais frequente e mais difícil de responder. Bicicletas de passeio tem um comportamento mais previsível - em geral andam no plano e no asfalto. Mas andar em ladeiras íngremes ou terreno super acidentado trazem exigências diferentes.

Pra dificultar, existem diferentes níveis de assistência do motor que podem ser alterados ao longo do uso. E também, se a pessoa pedala mais ou menos forte, vai usar mais ou menos assistência no mesmo modo.

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   Pedro Cury

Vale lembrar que é possível pedalar a bike normalmente com o motor desligado. É uma bicicleta pesada, mas um sistema de roda livre desengrena totalmente o motor.

Ou seja, tudo é muito dinâmico, mas fizemos algumas experiências que você vai conhecer em um artigo que será publicado em breve.

Apps Inteligentes

A bike que testamos até agora, a Specialized Turbo Levo, possui um aplicativo para celular, onde é possível ver e ajustar diversos parâmetros.

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Algumas das funções do APP da Turbo Levo

Você pode saber quantas cargas a bateria já teve, detalhes como número de série, versão do firmware e mais detalhes do motor e bateria. Pode integrar os seus treinos ao Strava e outras funções do tipo.

É possível também ajustar o nível de ajuda de cada modo. No caso da Turbo Levo, existem 3 modos de ajuda, e é possível definir a porcentagem de ajuda em cada um deles. Exemplo: no modo econômico, posso definir que o motor irá me ajudar apenas 10%, no modo intermediário pode ser 40% e no modo Turbo ser 100%.

Mas uma das funções mais surpreendentes é a definição de autonomia dinâmica. Você pode configurar a bike para que a bateria dure quantas horas ou quilômetros que você quiser, e ela irá dosar a força. Assim, não existe o risco de ficar sem bateria durante o seu rolé.

Enfrentando Preconceitos

Nas bicicletas de transporte e passeio, é muito bem aceito ter um motor. Os argumentos de “não chegar suado ao trabalho” ou até mesmo “sou preguiçoso mesmo”, são bem aceitos. O mountain bike, por ser um esporte, já sofre do problema oposto.

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Uma e-MTB é uma bicicleta inclusiva   Pedro Cury

Em qualquer discussão virtual você vai ter o grupo que diz que “se tem motor, não é bicicleta” ou que não faz sentido ter motor. E por aí vai. Fizemos uma enquete no Fórum do Pedal e das quase 100 respostas, apenas 23% as colocam como uma grande inovação e 15% dizem que “Perde a graça" ou, "é pra preguiçoso”.

A realidade é que quem pedala uma dessas bikes dificilmente muda de opinião. É uma questão tão forte, que estamos preparando um artigo só para falar sobre isso.

A Specialized foi a pioneira no Brasil em fazer eventos de teste, para que o público pudesse experimentar as e-MTBs. Estivemos presente em um desses testes, com um grupo de ciclistas experientes de all mountain, muitos ainda céticos com a tecnologia. Veja o que eles acharam de pedalar as Specialized Turbo Levo.

Vantagens

Ter uma motor na bike traz vantagens óbvias, mas elas ficam ainda mais claras na prática. Veja alguns pontos de destaque:

- Levar pessoas menos treinadas ou sedentárias para andar junto
- Levar uma bike de mais curso e pneus plus pra trilha com facilidade
- Treinar técnica, mesmo cansado de outros treinos de pernas
- Treinar em trilhas mais distantes quando se tem menos tempo
- Treinar mais controladamente com regulagem de força + potencia
- Facilita a locomoção de Fotógrafos, treinadores, organizadores, etc.

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Autonomia depende do tipo de uso   Pedro Cury

Desvantagens

As e-MTBs não são só alegria. Elas ainda estão em uma fase inicial e é preciso se acostumar com algumas desvantagens.

Preço
A maior desvantagem, como era de se esperar no nosso mercado, é o preço, que nos dias de hoje vai variar de R$ 25 a 60 mil reais. Esse valor tende a cair muito, com a vinda de mais e mais concorrentes e com possíveis melhorias na tributação.

Peso
Depois do preço, o maior problema mesmo é o peso. Apesar de não ser um grande problema na hora de pedalar, ela é mais difícil de colocar no rack do carro ou mesmo na mala. Nada impossível, colocamos ela tranquilamente na mala de um Honda Fit, com mais duas bicicletas, apenas é mais trabalhoso. Vale lembrar que a dificuldade pode ser maior para pessoas com menos força física.

Manutenção
Ir mais longe, mais rápido e escalar subidas mais inclinadas pode ser muito bom, mas isso obviamente gera um desgaste maior nos componentes da transmissão da bicicleta, encurtando a vida de cassetes, correntes e coroas. Além disso, a própria bateria é um item de desgaste com custo elevado que eventualmente deverá ser substituída.

Transportar em Avião
Um problema que pode ser mais grave para alguns é a impossibilidade de transportá-la em aviões de passageiro, pelo menos por enquanto. A legislação de quase todo o mundo proíbe o transporte de baterias de lítio do tamanhos que elas levam. Algumas empresas proíbem o transporte da bicicleta, mesmo sem a bateria! Nesse caso, a bike tem que vir por cargo.

Conclusão

As mountain bikes elétricas sem dúvida vieram para ficar! Elas oferecem características muito positivas, possibilitando a experiência do mountain bike a um novo leque de praticantes, além de ser uma excelente ferramenta complementar de treinamento.

Por isso, com o tempo espera-se que o custo delas diminua, assim como sua presença nas trilhas tende a crescer.


Comentários

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    Clemente José de Oliveira   

    Clemente José de Oliveira   

    Quero saber o valor
    6 mes(es) atrás - Denunciar




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