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Entendendo - Bike Fit


12 FEV, 2016     Gustavo Figueiredo    
     


Seja para o atleta iniciante, para o mais experiente ou para o campeão do Tour de France, sentir-se bem em cima da bicicleta é fundamental. Por isso, encontrar uma bike do tamanho certo é só o primeiro passo para quem vai pedalar de forma recreativa ou competitiva. Afinal, depois de achar a bike certa, encaixa-lá ao seu corpo é muito importante e é para isso que serve o bike fit.

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Nosso editor Pedro Cury fazendo um fit com Ronaldo Romariz da Intense Bike Shop


Não sou atleta, devo fazer bike fit ?

Uma bicicleta bem ajustada é fundamental não só para atletas mas também para qualquer pessoa que pedale. É perfeitamente possível andar de bike confortavelmente e até ter um excelente desempenho atlético sem jamais ter feito um bike fit. Porém, além de não explorar sua máxima performance, possivelmente o risco de lesões aumenta. Sem um bike fit bem feito, acertar os ajustes é possível, mas as chances de tropeçar em erros e acabar machucado é maior.

No caso do iniciante que nunca pedalou, esta preocupação deve ser ainda maior. Um ciclista com muitos anos de pedal possui o corpo bem adaptado ao esporte. Por isso, as chances dele sentir dores ou se machucar sem um fit acabam sendo menores. Já no caso do iniciante, qualquer componente fora do lugar pode machucar o corpo, já que ele ainda não conta com os recursos adequados para pedalar. Dores nas costas, nas mãos e joelhos são problemas comuns do iniciante que podem ser contornados com um bom fit.

Lembre-se que bicicletas são máquinas movidas pelo corpo humano e, como em um motor de verdade, é preciso que tudo esteja bem ajustado para garantir o melhor desempenho, com mais economia de energia e desgaste minimo. Para que este ajuste perfeito aconteça, nada é tão eficiente como um bom bike fit - que nada mais é do que um processo que adaptar a bicicleta ao corpo do ciclista.

Só faço downhill, devo fazer bike fit ?

Muitos mountain bikers, principalmente os que correm de downhill e enduro, são avessos ao bike fit. Como eles pedalam por menos tempo e muitas vezes com o banco baixo, eles acreditam que o ajuste postural é menos importante. Todavia, um fit bem feito pode aumentar a agilidade do atleta sobre a bike e até melhorar a distribuição de peso, o que auxilia e muito a pilotagem. Além disso, um bom bike fitter saberá respeitar as preferências posturais do atleta, evitando fazer mudanças que comprometam o estilo de pilotagem dele - algo muito importante quando falamos do tamanho da mesa e a altura do guidão, por exemplo.

Se o atleta usa sapatilha, o ajuste do taquinho é extremamente importante para evitar lesões, principalmente porque o downhill é uma modalidade agressiva nas articulações e o risco de tombos e lesões é constante. Por isso, tudo deve ser feito para preveni-las.

Os tipos de bike fit

Medidas de fórmulas ou bike fit virtual

Um sistema baseado em medidas corporais que são introduzidas em formulas matemáticas. Como resposta, temos as recomendações de tamanho de quadro e posição e tamanho dos componentes como canote, mesa e guidão. Vale lembrar que devemos ter cuidado com bike fit virtuais ou de smartphones, já que eles são feitos sem a presença de um profissional. Podemos dizer que eles são melhores do que nada, mas não devemos confiar de mais neste sistema.

Vantagens: Barato, requer pouco conhecimento técnico e ferramentas.
Desvantagens: Por ser muito básico, ele ignora variáveis importantes e diferenças entre um corpo e outro. Além disso, por não ser dinâmico, ele ainda ignora mudanças de posição que o ciclista pode assumir durante a pedalada e a adaptação do corpo com a bicicleta.
Exemplos: Calculadoras online, método LeMond, Fit Kit, Cyfac, Accufit e aplicativos de smartphone.

Escaneamento laser

Similar ao anterior, porém utiliza medidas retiradas de um scaneamento a laser do corpo ao invés de ferramentas manuais. Depois, as medidas são inseridas em uma formula matemática como no exemplo anterior.
Vantagens: Menos propenso a interpretação e erros do fitter e pode ser mais preciso do que medidas manuais.
Desvantagens: Equipamento caro. Ignora variáveis importantes e diferenças entre um corpo e outro. Por não ser dinâmico, ele não leva em conta mudanças de posição que o ciclista pode assumir durante a pedalada e nem a adaptação entre corpo e bike.
Exemplos: Body Scan CRM (comum fora do Brasil).

Fit dinâmico

Este tipo de sistema une elementos dos sistemas baseados em medidas e analises físicas que levam em conta o ciclista na bike. O objetivo é aproximar o bike fit da pedalada real. Muitas vezes, estes sistemas apostam em goniômetros, trenas, níveis e prumos para estabelecer uma relação entre o corpo do ciclista e a bike.
Vantagens: Quando feito por um bom profissional, ele é preciso e realista, levando em conta características individuais do corpo e também a adaptação do ciclista com a bike.
Desvantagens: Depende muito do profissional e de seu treinamento. Costuma ser relativamente demorado. Além disso, não detecta mudanças de postura que podem acontecer durante a pedalada.
Exemplos: Fits tradicionais feitos em bicicletárias e sistemas mais simples da Retul e da Shimano.

Análise de movimento

Divididos em duas categorias, 2D e 3D, são os sistemas mais modernos e atuais. Utilizando sensores, eles detectam o movimento do ciclista, permitindo que o fitter obtenha mais detalhes sobre a pedalada e o posicionamento do atleta sobre a bike.
Vantagens: Quando usado corretamente, é o sistema mais preciso atualmente. Além disso, por armazenar dados e informações, tem um grande potencial de documentação, facilitando a análise, a evolução e a transferência do fit de uma bike para outra. Ele também detecta mudanças naturais que o corpo do atleta assume ao fazer muita força, por exemplo.
Desvantagens: Depende muito do profissional, que tem que ser bem formado e comprar equipamentos caros para obter bons resultados. Além disso, alguns fitters confiam de mais no equipamento, deixando as impressões e sensações do ciclista de lado.
Exemplos: Retul e Shimano.

O processo do bike fit

Seja qual for o sistema, o bike fit costuma seguir alguns passos básicos. Todavia, o processo de adaptar a bike ao corpo do ciclista vai variar de profissional para profissional.

Entrevista e medições

O trabalho de bike fit costuma começar com uma entrevista. Nela, o fitter vai perguntar para você qual seu objetivo com a bike, quantas vezes por semana você pretende treinar, etc. Também é comum ele testar sua flexibilidade e tirar algumas medidas corporais nesta hora.

Taquinho

Finalmente, o processo do bike fit começa com um detalhe extremamente importante e normalmente responsável pela maioria dos problemas de dor durante a pedalada: o posicionamento e a escolha do modelo ideal do taco da sapatilha. Nesta hora, o profissional de bike fit vai tirar algumas medidas do seu pé para assegurar que ele fique na posição ideal durante a pedalada.

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Medição para localizar a posição correta do taquinho


Ainda é possível que ele recomende a troca de palmilhas e espaçadores no taco ou no eixo do pedal para compensar diferenças anatômicas como pernas com tamanhos diferentes. É importante lembrar que este tipo de cuidado só estará presente em bike fits mais avançados.

No fim, o objetivo é fazer com que as pernas do ciclista subam e desçam sem oscilações laterias do joelho, mais ou menos como os pistões de um motor de carro. Além de roubar potência da pedalada, esta oscilação lateral pode causar danos aos joelhos do atleta.

Selim

Tão importante quando a escolha do taco é a escolha do selim. Para isso, normalmente é utilizado uma almofada onde o ciclista deve sentar-se para medir a distância entre os ísquios, que são aquelas protuberâncias ósseas que temos na parte inferior das nádegas. Durante um pedal, é sobre eles que o peso deve ficar concentrado, evitando a compressão de partes mais sensíveis da anatomia humana.

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A escolha do selim ideal é fundamental


Com esta medida, é possível selecionar um selim que tenha a largura certa para acomodar o ciclista. Outros detalhes como a posição de pedalada e o sexo do atleta também são importantes nesta hora. Alguns selins são feitos para quem anda com o corpo mais curvado, enquanto outros são indicados para quem pedala em uma posição mais ereta. Todavia, encontrar o selim ideal nem sempre é simples e muitas vezes devemos testar vários modelos até encontrar aquele que nos oferece mais conforto,

Ajustes posturais

Para encontra a posição ideal do ciclista sobre a bike, é possível alterar a altura do selim, sua posição no canote, comprimento e altura da mesa e, no caso das bikes de speed, o tipo do guidão utilizado. Nesta hora, cada profissional vai apostar em uma receita diferente, dependendo do método que ele utiliza.

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O corpo é medido para encontrar a melhor postura


O bike fit mais tradicional utiliza ferramentas como prumos, nível e fita métrica para encontrar a posição. Ainda é possível ajustar todas estas posições com base em planilhas de formulas onde o profissional coloca os dados do ciclista.

Alguns métodos mais modernos como o Retul utilizam sensores que vão presos ao corpo do ciclista. Com eles, o profissional de bike fit é capaz de observar em uma tela de computador exatamente como o corpo está se movimentando, fazendo assim os ajustes necessários.

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As medidas podem ser introduzidas em uma bike especial como a Retul da Intense Bike Shop e depois transferida para a sua


Todavia, independente do método utilizado, a parte mais importante do bike fit é encontrar um profissional competente e bem treinado. Afinal, só ele será capaz de avaliar com exatidão todas as características e necessidades do atleta.

Conclusão

É possível pedalar a vida inteira sem nunca fazer um bike fit. Porém, investir no seu posicionamento sobre é bike é uma boa ideia. Lembre-se que mais do que desempenho, o bike fit é uma questão de saúde e de prevenção de lesões.

Nunca se esqueça que o profissional que vai realizar o bike fit é mais importante do que a ferramenta ou o método utilizado. Por isso, antes de fazer um ajuste postural, procure informações sobre o profissional que vai realiza-lo. Nesta hora, foruns da internet como o do Pedal são uma excelente fonte de conhecimento.

Agradecimento: Intense Bike Shop


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