Desvendando a geometria dos quadros


20 JUN, 2008     Guiné     1    



Os ângulos e as medidas dos quadros fazem toda a diferença na pilotagem. Mas hoje em dia, os ciclistas querem outra coisa além disto: o conforto.

Não basta pedalar e entender das peças. Você que é ciclista, tem que saber das principais medidas da sua bicicleta.

Neste artigo que o PEDAL apresenta, o sábio Igor Miyamura fala sobre cada detalhe da geometria de uma bicicleta. Confiram!

P.S. Acompanhem o artigo com a foto ampliada ao lado que tem as referências das letras.

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:: A – Tamanho do centro ao topo: é a maneira mais comum hoje de definir o tamanho de um quadro. É a medida que vai do centro do movimento central até o topo do tubo do selim. Alguns fabricantes preferem a medição até o centro do parafuso da braçaceira de selim. No ciclismo de estrada é medido em centímetros e no MTB em polegadas.

:: B – Tamanho de centro a centro: era o método mais usado em bikes de estrada, compreende à medida que vai do centro do movimento central até o topo do tubo do selim. Apesar de hoje não ser a mais usual é o melhor modo de medir uma bike, pois define a distância do top tube à virilha do ciclista. Quando você mede do centro ao topo, pode haver variações na altura onde é soldado o top tube no tubo do selim.

:: C – Comprimento da bike: é a medida mais importante na hora de se escolher um quadro, pois vai definir a sua posição de pilotagem. É medido do centro da caixa de direção em seu topo, seguindo uma linha imaginária paralela ao solo até o tubo do selim, como mostra a figura. Considero errada a fórmula de se achar o tamanho da bike pelo tudo do selim, visto que o canote tem grande margem de ajuste e a distância do pedal ao topo do selim não vai mudar de um modelo pro outro após o ajuste, ao contrário da mesa que é limitado a poucos tamanhos e requer uma troca do componente.

:: D – Comprimento da traseira: medida que onde se considera uma linha reta paralela ao solo entre o centro do movimento central até o centro da roda traseira. Quanto mais curta, melhor a qualidade de aceleração (devido a menor torção) e também melhor a tração (devido ao fato do peso do ciclista ficar mais em cima da roda). A contra partida é que a bike vai ser menos confortável (menor torção dos chainstays = menor capacidade de dissipação de vibrações).

:: E – Comprimento entre eixos: quanto maior o entre eixos, mais estável será a bike; quanto mais curto, mais arisca e rápida nas respostas será a bike.

:: F – Altura do movimento central: a melhor maneira de se medir é do centro dos eixos da roda até o centro do movimento central. Medir do centro do movimento central até o solo tem variações devido ao tamanho dos pneus. Quanto mais perto do solo, mais baixo o centro de gravidade e também mais estável a bike será. Deve-se tomar cuidado ao definir a altura do movimento central, pois se ficar muito baixo, mais fácil será de bater a coroa da bike num obstáculo ou em caso de bikers mais inexperientes, bater os pedais no chão numa curva.

:: G – Altura da caixa de direção: essa medida é importante pra definir o posicionamento do biker. A grosso modo, quanto mais alto, mais relaxado o biker vai ficar e, portanto, mais confortável; quanto mais baixa mais agressiva será a posição, mas poderá ser mais desconfortável para o biker (isso é a grosso modo, pois somos diferentes uns dos outros e isso tudo fica um pouco relativo). Hoje há uma tendência em muitas marcas em aumentar essa medida nas bikes de estrada.

:: H – Ângulo do tubo do selim: varia entre 72º e 75º, mas há casos extremos. É uma medida muito importante e que tem que sempre ser muito levada em consideração, pois define a sua posição de pedalada quando sentado. Um ângulo errado, um selim mais para frente ou mais pra trás do que deveria, pode trazer sérias lesões, principalmente no joelho do biker.

:: I – Ângulo do tubo da direção: varia entre 67º a 78º, influencia diretamente na capacidade de resposta da bike, quanto maior o ângulo mais rápido a bike vai responder (como em curvas fechadas), mas mais instável será também. Quanto menos, mais estável, mas também mais lenta a resposta.

:: J – Off set: é a distância entre o centro da roda até o centro, seguindo uma linha paralela ao chão do eixo imaginário no centro da caixa de direção no sentido do seu ângulo. Todos os garfos, mesmo os retos, tem off set. Quanto maior o off set, menor o trail, mais lenta será a resposta da bike e maior o conforto (principalmente em garfos curvados), quanto menos, maior o trail e mais rápida nas respostas e mais arisca vai ser. Influência no entre eixos.


:: Equipe do artigo
Autor – Igor Miyamura
Colaborador – Alexandre Torres (AlexSP)

Se você não conhece Igor Miyamura, clique abaixo:
https://www.pedal.com.br/exibe_texto.asp?id=2045


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Comentários


  • avatar

    Pedro Carvalho   

    Pedro Carvalho   

    Muito bom, todo ciclista deveria conhecer estás considerações
    1 mês atrás - Denunciar





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