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Conceitos básicos sobre suspensões - Parte II


1 SET, 2005         



Suspensão: O conjunto

Enquanto que a suspensão dianteira é mais fácil de entender e é composta exclusivamente do garfo, a traseira já apresenta alguns apectos que merecem mais detalhe. A suspensão traseira depende não apenas do elemento amortecedor, mas também da forma como este é atuado, o que depende diretamente da configuração da balança.

A geometria do conjunto amortecedor-balança vai determinar uma característica extremamente importante na suspensaão traseira de uma bicicleta: a trajetório que o eixo traseiro faz quando a suspensão “trabalha”. Isto porque a corrente conecta o eixo traseiro à parte dianteira da transmissão (pedevela, pedais e mov. central). Assim, quando o ciclista pedala, a corrente é tracionada e afeta o movimento da balança. O efeito mais conhecido deste fenômeno é o “bob”, também chamado de “bio pacing”.

O “bob” acontece quando a corrente não esta alinhada com o pivot central da suspensão. Se a corrente estiver acima do pivot, o esforço aplicado no pedal irá tensionar a corrente e esta irá puxar a balança para cima, comprimindo a suspensão. Se a corrente estiver abaixo do pivot a mesma tensão irá puxar a balança para baixo, estendendo a suspensão. Esse puxa daqui e dali dá origem ao execrado movimento de vai-e-vem do “bob”. Para complicar as coisas a corrente muda de lugar quando trocamos de marcha, o que torna impossível manter um pivot fixo sempre alinhado com a corrente. Para minimizar o problema, algumas companhias alinham o pivot com uma determinada coroa específica, para minimizar o bob em uma determinada marcha.

O que isso tem a ver com a trajetória do eixo traseiro? Quando o sistema de suspensão traseira é tal que o eixo traseiro se afasta do movimento central quando o amortecedor é comprimido, o movimento da balança tensiona ainda mais a corrente, contribuindo para ampliar o efeito “bob”. Sistemas com essa particularidade incluem as bicicletas monopivot com pivot “alto” (pivot alinhado ou um pouco abaixo da coroa maior). Um exemplo típico é a Santa Cruz Superlight.

Um aspecto interessante deste sistema, que é de fato uma vantagem em subidas lisas e íngremes ou em alguns sprints, é que quando o ciclista pedala em pé a tensão na corrente é suficiente para quase “travar” o amortecedor na posição estendida ao puxar a balança. Isto reduz consideravelmente o funcionamento da suspensão e consequentemente o “bob” nestas condições. Porém se a subida for mais técnica, com algumas raízes e pedras maiores, a suspensão “travada” vai ser menos eficiente que uma suspensão ativa.

Uma forma de contornar o problema do efeito da tensão na corrente é projetar um sistema cuja trajetória do eixo traseiro seja mais próxima de uma linha vertical. Em 1991 um indivíduo chamado Horst Leitner, então sócio da AMP Research, bolou um sistema com um pivot adicional localizado na balança logo à frente a ligeiramente abaixo do eixo traseiro. Este pivot permite que o eixo traseiro gire para frente ao ser puxado pela corrente quando a suspensão mergulha no curso, atenuando significativamente o efeito de tensão na corrente e consequentemente o “bob”. Este pivot, apelidado de “Horst Link”, foi empregado nas bicicletas full suspension da AMP Research e também no design FSR da Specialized, desenvolvido em parceria com o Leitner. Ao perceberem as vantagens do sistema, outros fabricantes começam a copiá-lo e como AMP não tinha dinheiro para enforçar seu direito sobre a tecnologia ela acabou vendendo a patente para a Specialized em 1998. O design FSR é hoje uma das melhores configurações de suspensão traseira no mercado. Este sistema combina um design totalmente ativo com mínimo efeito “bob”. Outras marcas que hoje utilizam o Horst link e pagam royalties para a Specialized incluem Intense (M1, Tracer, Uzzi), Turner (5-Spot, 6-Pack, Flux, Nitrous e RFX), Titus (Switchblade, Racer-X, Super-Moto e Motolite), Azonic (Recoil, Saber, Propulsion), entre outras.

Veja a terceira parte deste artigo em:
https://www.pedal.com.br/exibe_texto.asp?id=668

Veja a primeira parte deste artigo em:
https://www.pedal.com.br/exibe_texto.asp?id=666

Autor: Gui Marques


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