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Cicloviagem - De Bike, o sul da França é outra história

Num contexto de audaciosos e resistentes super-ciclistas que cruzam continentes e percorrem países longínquos, o livro De Bike Pelo Sul da França, de Isabel Leal Caruso (220 páginas e lançamento nas próximas semanas), relata as aventuras de um casal numa viagem de bicicleta de 600 km e em 19 dias, pelas regiões históricas do sul da França.

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Pedalando de Narbonne, cidade próxima da fronteira com a Espanha, a Cannes, a uns 50 km do norte da Itália, Isabel e Tiago Valente, sempre costeando as águas geladas do mar Mediterrâneo, conheceram paisagens sensacionais: cidades construídas pelos romanos há dois mil anos, dezenas de vilarejos medievais, além de incontáveis vinhedos, plantações de azeitonas, muralhas, castelos e ciclovias bem planejadas e seguras.

Hospedagens Anônimas

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A dupla desembarcou do avião em Barcelona, culta e histórica cidade espanhola perto da fronteira com a França. Ali compraram duas bicicletas, porque alugá-las sairia mais caro, e em seguida viajaram de trem até Narbonne, o ponto de partida da aventura. Por meio de um planejamento meticuloso organizado por Isabel – uma vigorosa atleta campeã sul-americana de jiu-jitsu em 2009, e hoje praticante de corridas de aventuras - começaram a viagem pedalando em média 60 km diários. E o percurso foi estabelecido através das cidades de Narbonne, Sète, Montpellier, Nimes, Avignon, Lyon, Toulon, St Tropez, Cannes, Nice e Paris. E, entre elas, dezenas de cidadezinhas com dois e quatro mil habitantes onde descansavam, faziam piqueniques e, por causa de um imprevisto, compraram uma barraca e acamparam.

Porém a viagem, planejada em grande parte ainda em São Paulo, se revelou cheia de surpresas… positivas. Abundantes ciclovias, segurança, convivência com outros ciclistas, paisagens deslumbrantes, respeito dos motoristas de automóveis pelas bikes, generosidade de estranhos, hospedagens gratuitas, e conversas intermináveis com pessoas interessantes e bondosas. Por exemplo, fazendo contatos por meio de páginas da internet (ver texto mais adiante), já em Narbonne conheceram e foram convidados para jantar com um casal de ciclistas que havia percorrido o Canadá e a Argentina. E, no final da viagem, em Cannes, foram hospedados por um fotógrafo inglês que simplesmente lhes entregou a chave de uma luxuosa cobertura e foi trabalhar.

O sistema francês (e europeu, em geral) de ciclovias é o grande diferencial. Ramificado por todas as vilas, cidades e regiões do interior, permite viagens curtas ou longas, inclusive por toda a Europa. É o que explica, como disse Isabel, o grande número de ciclistas com mais de cinquenta anos, e alguns inclusive com mais de 70 viajando de uma cidade para a outra e até de um país para o outro. Então, aquelas pré-condições de cuidadosa preparação física ou de juventude, que caracterizam as viagens dos grandes aventureiros de bike, são, nesse caso, dispensáveis. Um casal pode viajar de trem a uma cidade a 100 ou 200 km de distância, e depois voltar de bike, já que os trens regionais transportam as bicicletas gratuitamente.

Aventuras de Alguns Ciclistas

Ao contrário do que acontece no Brasil, onde pedalar nas cidades ou através do país é quase sempre uma prática perigosa, com assaltos e atropelamentos, o casal Isabel e Tiago dizem que em momento algum se sentiram ameaçados. E recordam que durante os 19 dias quase sempre foram hospedados – graças às mensagens pela internet - por desconhecidos, e nem todos ciclistas “profissionais”, como foram os casos da alemã Susanne Blet e do inglês Paul Oatway.

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No entanto, além da solidariedade, os surpreenderam as aventuras dos diversos ciclistas que conheceram, como os franceses Florent e Majorlaine, que viajaram 13 mil quilômetros entre o Alaska e a Bolívia; os holandeses Jan e Elma Oosthoek, que percorriam a Europa; o alemão Steffen Teufel, que já pedalara através de cinco países e agora pretendia terminar um curso universitário nos EUA; do casal francês Jennifer e Hugo Pinçon, que andou pela Ásia – Camboja, Tailândia – além da Austrália e Tasmânia, e do alemão Marius Schneider, que quer terminar sua rota na Índia, onde fará um retiro espiritual.

Como disse um ciclista alemão de longas distâncias que conheceram num trem para a cidade de Lyon, na Europa os ciclistas jamais são vistos como marginais ou mendigos, e sempre são recebidos com respeito e curiosidade. Como também aconteceu com Isabel e Tiago, que ao descansarem em frente a uma lanchonete, foram presenteados com kebabs, batatas fritas e refrigerantes por um senhor grego.

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Sites Articulam Hospedagem

Em suas viagens, o casal usou o couchsurfing.org – surfando no sofá, em inglês – como primeira opção de hospedagem, que é uma mistura de comunidade com rede social, cujo propósito é manter amigos em contato. O objetivo do site é promover novas amizades e o relacionamento entre as culturas do planeta por meio de viagens e encontros diversos, desde que entre pessoas de interesses similares.

É uma maneira interessantíssima de acomodação, pois além de não precisarem pagar pela hospedagem, é bem provável que encontrem pessoas muito bacanas. Desse jeito, acabam conhecendo os costumes dos países de forma única e muito particular, e também as vilas e lugarejos. Assim, não só evitam o roteiro turístico clichê como também acabam parando num restaurante popular, numa feira de rua pequena ou numa praia bucólica distante da muvuca.

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Mas, um pouco antes dessa viagem, conheceram também o warmshowers.org, outra comunidade da internet, muito similar ao couchsurfing, só que direcionada apenas aos viajantes de bicicleta. Todas as referências, tanto das casas dos anfitriões quanto dos hóspedes, estão voltadas para a bike: a que distância se está de uma loja de bicicleta, que experiência se tem com a bike, se há ciclovia nas proximidades, camping, e outras. “Cerca de 81% da nossa acomodação foram gratuitas” conta Isabel.

70.000 KM de Ciclovias

“Uma megaciclovia com 70 mil quilômetros de extensão está sendo construída na Europa. Até 2020, a ”EuroVelo” ligará 43 países em um total de 14 rotas de diferentes tamanhos. Ela poderá ser utilizada tanto por turistas em grandes viagens quanto pelas populações locais nos deslocamentos do dia a dia. Cada uma das rotas recebeu um nome relacionado às paisagens e histórias existentes no trajeto. A rota 14, por exemplo, foi batizada de “Cortina de Ferro”, uma alusão à Guerra Fria (entre os mundos capitalista e socialista). Com 10.400 quilômetros e interligando 20 países – entre eles Noruega, Rússia, Alemanha, Bulgária e Turquia - é a maior rota da megaciclovia.

Quer conhecer mais sobre o projeto e apoiar, segue o link: Livro de Bicicleta
Email: livrodabicicleta@gmail.com
Telefone: +55 11 982892675

Texto: marilea leal

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