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Cicloturismo: Pedalando na Patagônia Chilena e Argentina.

Pedalando nas montanhas do vizinho

A engenheira mecânica Raquel Mundin Walty de 27 anos, conta mais uma de suas histórias de aventura. Atleta de Mountain bike desde 1997 e desde o ano passado nas corridas de aventura, Raquel começou a planejar a sua viagem no começo do ano de 2004, divulgando-a em outubro quando deu nome ao projeto: Pedalando nas montanhas do vizinho.

Este projeto idealizou três travessias de bike pela Argentina entre janeiro e fevereiro de 2005. Raquel afirma que não tem outro meio de transporte mais interativo, ergonômico e inteligente que a bicicleta. Durante os preparativos, ela enviou convites a amigos das aventuras. Mas até dezembro ninguém dava certeza como companhia. Então ela mudou seu rumo, a bike passou a acompanhá-la somente na primeira semana, e depois as botas e mochilas iriam passear. O destino: Patagônia Chilena e a região de Mendoza, na Argentina.

Para sua suspresa, em janeiro deste ano ela recebeu em cima da hora a notícia que seus dois amigos: Pascoal Kohtes (alemão) e Isabella Miranda (mineira) decidiram ir para o trekking. Barraca para três, fogareiro, panelas, comida, equipamentos, 20 Kg para cada, 2 semanas e meia de trekking. Acompanhem todo o roteiro.

Trip parte I - Travessia dos Andes, 320 Km de BIKE. Malargue (Argentina) a Curicó (Chile) em uma semana.

Sol de 07:00 am às 20:00. Vento constante. Temperatura variando de 5 a 25º C. Pedalávamos pelo menos 60 km de mountain bike por dia, montanhas belíssimas, altitude máxima de 2500 m, sempre ao lado de rios de degelo, pouca vegetação e montanhas reluzentes. A sombra era rara, só mesmo eventual perto dos pinheiros plantados por moradores, que ficavam a cada hora ou mais de pedal. Rocha sedimentar, pedras soltas, muita pedra.

Ali conheci muita gente. A bike era a única coisa em comum. Para alguns um simples meio de transporte, para outros fascinação. Pedalei com um senhor de 65 anos, com uma energia incrível. Também com duas argentinas de seus 35 anos, que mais queriam curtir as cachoeiras e paisagens, contar casos o tempo todo, um papo bacana que só. Da viagem ficou muita lembrança, lição:

1º A Argentina e o Chile são irmãos maravilhosos! Escolha a estação do ano apropriada para a região desejada e, arrume as malas;
2º Valorize o Brasil, temos uma natureza diversa, um povo feliz, e somos conhecidos por essa energia contagiante;
3º Faça e mantenha sua família e seus amigos, acima de tudo;
4º Consulte mais sobre esta trip de bike no site: www.mtbtours.com

Trip parte II – Trekking na Patagônia

No verão a temperatura pode variar de 5 a 25º C, mas com o vento a sensação térmica reduz para 5 a 10 graus. O sol é intenso, perto dos pólos a camada de ozônio é mais fina, e o cuidado deve ser redobrado. Nosso destino: Extremo sul Chileno e Argentino - Parques Nacionais de Torres Del Paine, Los Glaciares e Punta Arenas e suas Inguineiras. Éramos 3: Pascal, Isabella e eu.

Cada um levaria um total de 20 Kg para 15 dias de total independência: acampamento em barraca, fogareiro, comida própria e equipamentos.

Na Patagônia o importante é se preparar para tudo: as mudanças climáticas são rápidas, tanto poderíamos ter sol e vento quanto chuva e nuvens. Um dia chegamos a sentir granizos... A noite trazia mais vento, frio e muita conversa nos acampamentos.

TORRES DEL PAINE (www.torresdelpaine.cl)

O parque de Torres Del Paine tem boa infra-estrutura, não são necessários bússola nem mapas detalhados. As trilhas possuem indicação de distância e tempo de percurso entre refúgios e áreas de camping. O que facilitava muito!

Lá existem três opções de alojamento:
1.Áreas de camping (com ou sem banho);
2.Refúgios ou albergues (com camas, refeições e banho);
3.Hotéis (em alguns pontos, com serviços diferenciados).

Torres Del Paine é um dos parques mais visitados na América Latina. E os preços têm crescido na mesma proporção.

•ALOJAMENTO/ ALIMENTAÇÃO
Para se ter uma idéia, a diária por pessoa na área de camping equivale a R$17,50. Uma cama em quarto comunitário custa cerca de R$ 75,00 nos albergues. Uma refeição chega a R$ 35,00. A entrada no parque custou R$10,00.

•TRANSPORTE
São várias empresas particulares competindo com preços bem parecidos. É uma pena que a prefeitura ou a comunidade não crie cooperativas ou centros de serviços. Cada companhia tem preço similar, mas horários diferentes em dias da semana determinados. Enfim, o turista “mochileiro” fica um pouco perdido.

Bom, voltemos ao parque: as trilhas são lindas, vales, florestas de coníferas, torres de granito, rochas sedimentares, vulcânicas. O Chile é um dos países mais vulcânicos do mundo e uma diversidade biológica incrível.

Existem dois circuitos conhecidos no Parque. Isabela e Pascal fizeram o circuito de 7 dias, 120 km, o chamado circuito “O”, no sentido horário para passar pelos vales mais técnicos no início. Existe também o circuito “W” que não inclui a planície nas costas do parque. Pode-se completar de 3 a 4 dias, retornando de barco e/ou ônibus. No 8º dia retornamos a Puerto Natales, de onde iríamos para a Patagônia Argentina, nas cidades de El Chaltén e El Calafate.

LOS GLACIARES - El Chaltén

Aqui as grandes atrações são os picos Cerro Torre e Fitz Roy. O parque possui uma infra-estrutura bem inferior ao Torres Del Paine, o que para peregrinos animados como nosso grupo era até mais interessante. Existe um camping com possibilidade de aluguel de barracas, passeios a cavalo e guias da CONAF – “Corporación Nacional Forestal” (www.conaf.cl). Os outros campings possuem somente latrinas em áreas abertas no meio de florestas. A entrada e estadia neste parque são livres. É local ideal para o trekking, montanhismo e escalada. A CONAF se responsabiliza pelo controle da exploração turística nos parques nacionais e reservas naturais, é proteção e educação ambientais, fundamental para manter a mata viva!

LOS GLACIARES - El Calafate

Em Calafate são várias as opções para explorar glaciares, ou fiordes chilenos. Visitamos o glaciar Perito Moreno, um dos mais acessíveis por meio terrestre e mais impressionante. Ao aproximar do lago próximo ao glaciar já ficamos impressionados com suas dimensões. Foram construídas bancadas de madeira ao longo da região mais próxima ao glaciar.

Avistamos a cada momento quedas de gelo com estrondos incríveis, balançando os barcos que rondavam os pés daquelas montanhas de gelo. Os números são impressionantes: 60 metros de altura expostos, 120 metros abaixo do nível do lago e um avanço de 1,20 metros por dia na época de degelo. A entrada no parque é cobrada em R$20,00 taxa bastante elevada pelo serviço oferecido (camping com taxa de estadia à parte, banheiros móveis e um bar café próximos às bancadas).

PUNTA ARENAS – Pinguineiras Magalhânicas

De volta a Punta Arenas, o plano era encerrar a viagem conhecendo o extremo sul do continente, os seus interessantes moradores pingüins e uma passagem rápida pela famosa zona franca. Capital da região de Magalhães, Punta Arenas e seu mirante revelam o estreito de Magalhães, lendas como a da estátua do índio Patagon na praça central que deve ter os pés beijados para garantir boa viagem e uma impressão de cidade abandonada, distante e fria. Queríamos mesmo é ver os pingüins magalhânicos, que durante o verão estavam ali, mas que após o verão vêem ao sul da costa brasileira buscando alimento, águas quentes e reprodução.

Verão no sul, até abaixo de zero, viagem diferente, com a mochila cheia de casos para contar, as montanhas do vizinho estão logo ali, desfrutemos os presentes da natureza!

Raquel Mundim Walty

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