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Ciclistas sugerem medidas de segurança depois de morte de Demoitié


28 MAR, 2016     Gustavo Figueiredo    



Ontem, durante a Gent-Wevelgem, o ciclista belga Antoine Demoitié levou um tombo e foi atingido por uma moto da organização. Mesmo hospitalizado rapidamente, o atleta não resistiu aos ferimentos e faleceu poucas horas depois em um hospital na França.

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Segundo testemunhas afirmam, o motociclista envolvido no acidente era muito experiente não estava em alta velocidade. Segundo relatos, ele tentou evitar um grupo de ciclistas caídos e acabou perdendo o controle, vindo a cair também. Com o tombo, a moto foi parar em cima de Demoitié. Este acidente foi mais um entre os inúmeros casos de tombos envolvendo veículos da organização.

Recentemente, Stig Broeckx da Lotto-Soudal fraturou a clavícula ao ser atingido por uma moto na Kuurne-Brussels-Kuurne. Peter Sagan e Greg Van Avermaet também foram derrubados por motos na última Vuelta a Espana e na Clasica San Sebastian respectivamente. Jesse Sergent foi derrubado por um carro de serviço neutro no Tour of Flanders do ano passado. E quem não se lembra do caso de Juan Antonio Flecha, atingido por um carro da imprensa no Tour de France 2011?



O presidente da Associação dos Ciclistas Profissionais, Gianni Bugno, foi um dos primeiros a expressar sua opinião sobre o caso. "Nesta hora de tristeza pela morte de Antoine, não queremos criar nenhuma controvérsia, mas todos estamos muito frustrados", disse Bugno em um comunicado para a imprensa. "Sempre afirmamos que a segurança dos ciclistas deve estar em primeiro lugar em reuniões com acionistas do esporte e em nossos últimos encontros havíamos pedido que fossem desenvolvidas estratégias para melhorar a segurança nas provas", disse.

A UCI também emitiu um comunicado para a imprensa afirmando que irá colaborar com as autoridades para investigar as circunstâncias exatas do acidente. "Antoine fará muita falta. Nossos pensamentos estão com sua família, amigo e equipe", disse Brian Cookson, presidente da entidade.

Em sua conta do Twitter, Alberto Contador pediu que fossem implementados mecanismos de controle sobre os veículos da organização imediatamente. O mesmo fez seu companheiro Michael Rogers, que sugeriu regras que impedisse a ultrapassagem de motos que estivessem a mais de 20km/h do que os ciclistas.

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Contador e Rogers pedem mais segurança


Já Dan Martin afirmou que motos são parte do esporte e a presença delas é importante para a segurança e para a transmissão, porém, ele faz uma ressalva ao estilo de pilotagem dos motociclistas. "Sua conduta precisa ser observada", disse em uma mensagem. "Ultrapassar o pelotão na descida e em momentos de disputa de posição frenética simplesmente não é seguro", completou.

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Dan Martin em sua conta no Twitter pede cautela


Carlos Verona também entrou na discussão, afirmando que existem muitas motos e que uma solução seria reduzir seu número, criando regras claras e colocando ex-atletas aprovados em exames para pilotá-las. Warren Bargil complementou, pedindo um limite de velocidade para ultrapassagens.

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Carlos Verona e Warren Barguil dão suas ideias


Seja qual for a solução para o problema, é certo que motos e carros sempre fizeram e sempre farão parte de provas profissionais de ciclismo. Sem elas, seria impossível prover suporte médico e mecânico rápido para os ciclistas, isso para não falar da transmissão do evento, que no fim das contas é o que paga o salário de todos os envolvidos.

Porém, com o gritante número de acidentes e incidentes dos últimos anos, fica claro que algo tem que mudar. Talvez menos motos, velocidades mais baixas ou cursos e certificações para os pilotos sejam parte da solução do problema. Todavia, a única certeza no momento é que existe uma grande discussão pela frente.



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