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Ciclistas foram peça chave na criação de sistema de troca de amostras de urina na Rússia


9 DEZ, 2016     Gustavo Figueiredo    
     


O escândalo de doping institucionalizado e patrocinado pelo governo na Rússia ganhou um novo e assombroso capítulo nesta sexta-feira, dia 9. De acordo com a segunda parte do Relatório McLaren, mais de 1000 atletas russos, incluindo muitos ciclistas, participaram em um esquema de manipulação de amostras retiradas para análise de substâncias dopantes.

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O Russo Ilnur Zakarin, proibido de participar da Rio 2016

Liberado pouco antes das Olimpíadas Rio 2016, o relatório culminou na exclusão de inúmeros atletas russos da competição, incluindo o ciclista Ilnur Zakarin.

"Não só conseguimos confirmar os achados do primeiro relatório mas também conseguimos coloca-los de forma mais focada e clara. Aumentamos o número de atletas envolvidos e o escopo da conspiração. Trata-se de um sistema que encobriu casos de doping desde 2011 e seguiu pela Olimpíadas de Inverno de Sochi", disse o professor Richard McLaren, designado pela WADA (Agência Mundial Anti Dopagem) para fazer o relatório.

Segundo ele, ciclistas estavam no coração do desenvolvimento de um sistema sofisticado de troca de amostras de urina "limpa", que era contrabandeada para dentro dos laboratórios a noite, substituindo as amostras de ciclistas dopados - para testar a funcionalidade do sistema, dois ciclistas foram utilizados em 2013.

"Esta conspiração visava a manipulação de amostras contava com a participação do ministro dos Esportes, da Agência Russa Antidopagem [RUSADA], do laboratório antidoping de Moscou e dos serviços secretos", disse o professor.

Listas com nomes de atletas que testaram positivo estavam detalhadas em diversos emails trocados entre Grigory Rodchenkov, diretor da RUSADA e Alexei Velikodniy, ministro dos esportes russo. Embora os nomes dos envolvidos não tenham sido divulgados, sabemos que ciclistas de pista da Junior e da Elite estavam envolvidos, assim como um atleta do MTB.

Além das trocas de material, outros métodos como misturar Nescafé para sujar a amostra também foram utilizados. Por isso, apesar de ter investigado uma imensa quantidade de material, o Professor McLaren afirma que a real profundidade da conspiração talvez nunca venha a tona.


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