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Bicicletas na Alemanha - Relato de Marcos Netto - Parte 2

Abaixo a segunda parte do relato de Marcos Netto, sobre suas impressões da cena das bikes na Alemanha.

:: OS CAMINHOS DO SUCESSO E DE TANTAS BIKES NA RUA

Na Alemanha, o respeito e a preferência dada ao ciclista são evidentes. Uma das comprovações disto é a estrutura que é colocada a disposição dos usuários de bicicletas no que se refere às ciclovias. Tudo é pensado para permitir que o tráfego de bicicletas seja feito de forma confortável e segura.

Nas estradas mais simples, existe ao lado uma ciclovia de excelente qualidade. E ao lado de algumas "autobahns" (rodovias expressas) permite-se o luxo de uma ciclovia de pista dupla, com uma pista exclusiva para ir e outra separada para a volta.

Mas tudo começa com o respeito e a consciência do cidadão. Nas imagens podemos constatar isto. Na cidade de Colônia várias pessoas aguardam para atravessar a rua. Mesmo que não haja o tráfego de veículos naquele momento, ninguém cruza a rua antes que o semáforo fique em verde. E atentem para o detalhe: existe dentro da faixa de pedestres uma faixa exclusiva para a travessia de ciclistas. Isto se dá em grande parte porque existe a conscientização de que o lugar das bikes é na ciclovia ou na rua. E quando as bikes estão na rua, a preferência é delas e não dos veículos automotores.

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Em uma das pontes que cruzam o Rio Reno, na via expressa, existem as três pistas de rolamentos para os veículos, a calçada para o pedestre e entre as duas uma ciclo faixa. A ciclo faixa está separada da pista de rolamento por uma faixa dupla pintada no pavimento, evidenciando que é terminantemente proibido ultrapassar aquele limite. A punição para o condutor de automóvel que transgredir esta norma é extremamente severa, pois representa um risco aos usuários de bicicleta.

Muitas das calçadas são largas e possuem rotas para bicicletas diferenciadas do caminho dos pedestres em pavimento diferenciado pela cor e pelo material. Os tijolinhos vermelhos que eles usam indicam que ali vão passar bikes.

Isto é seguido "à risca" por todos. Desde o bike-boy até o cidadão comum aceita e obedece isto.

A margem do Rio Reno, em Düsseldorf, é preparada para o lazer a pé e em bicicletas. Coisa que poderia ser copiada em muitos lugares do Brasil. O espaço para carros, estacionamento, pedestres e bicicletas é democraticamente dividido. Todos se beneficiam com isto.

E até mesmo as coisas mais simples são pensadas. Por exemplo: uma das grandes dificuldades de um biker é acessar caminhos que exijam subir escadas. Para um jovem isto é uma moleza. Mas para uma pessoa mais madura, isto pode ser um obstáculo instransponível. Mas em Colônia eles facilitam a vida de todos oferecendo uma faixa, tipo "calha", sobre um canto da escada, onde pode-se empurar por ali a bicilceta.

Caso estas pequenas medidas e atitudes fossem adotados aqui no Brasil, teríamos muito mais condições de utilização das bicicletas no dia a dia, tanto para o lazer quanto para o transporte. Tudo com mais saúde, segurança e civilidade.

:: AS BICICLETAS NO DIA-A-DIA DA ALEMANHA

Algumas delas são modelos conhecidos. Outras eu nunca havia visto em lugar algum. O mais interessante é que o estilo das bikes é bem diferente do que estamos tradicionalmente acostumados a ver aqui no Brasil, devido a diferenças culturais e de uso das magrelas no dia a dia.

Encontramos bicicletas por todos os lugares. Elas estão presentes sempre e onde menos se espera, lá existe uma bike. Quer seja dentro de um pavilhão de feira, onde os funcionários usam por causa do tamanho do lugar, quer seja na rua. Mesmo em dias de chuva ou tempo ruim, as pessoas utilizam as bikes. Muitos locais tem bicicletários; mas nas ruas já existem suportes específicos para colocação de ancoragem de bicicletas.

Aliás, essa história de que "em país de primeiro mundo não existem furtos de bikes" é balela. Todas as bikes que vi sozinhas pelas ruas estavam devidamente amarradas e cadeadas. Claro que se a bike for deixada por muito tempo sozinha, algumas peças correm o risco de sumir da magrela.

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Mais do que um equipamento de lazer, as bikes na Alemanha são consideradas um meio de transporte. O deslocamento de casa para a escola ou local de trabalho deve ser feito de forma segura e confortável. Por isso as bicicletas de rua tem um jeitão "retrô", com espigas longas, guidão alto, selim largo e confortável feito em couro e com molas gigantes.

Muitas delas tem acessórios para facilitar a vida do ciclista. Um guidão diferente significa conforto em longas pedaladas; o bagageiro já pode ter uma cesta para transporte de objetos; a cadeirinha de criança é uma verdadeira "célula de sobrevivência" (como nos carros da F1) para garantir a segurança de crianças em caso de queda ou acidentes.

As bikes acompanham sempre as pessoas. É comum o pessoal colocar as bikes nos carros, dirigir-se e estacionar ao lado de uma estação de trem, retirar a bike do veículo e com ela tomar o trem rumo a outro lugar. Os vagões são preparados para receber e transportar bikes, facilitando a vida do ciclista. Este pode deslocar-se rapidamente por longas distâncias com economia e segurança, utilizando a bike no local de seu destino.

E falando em estação de trem, na cidade de Colônia (parece-me que existem outras com esta facilidade) o turista ou o morador podem efetuar o aluguel de bicicletas de forma simples e prática. Basta um depósito e/ou cartão de crédito e as bikes são liberadas para o uso. As bicicletas são preparadas para esta finalidade, podendo ser estacionadas e amarradas facilmente em qualquer lugar. Não pude experimentar uma delas, mas desconfio que o sistema use algum tipo de "trava eletrônica" além do correntão e cadeado afixado ao quadro. Eu poderia apostar que as bikes tem um chip e são rastreadas por satélite, e podem ser travadas remotamente... (risos!).

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E continuando na pauta do bom humor, descobri meu lugar favorito na Alemanha: na beira do Rio Reno existe um lugar onde planta-se árvores (plátanos) e pelas cenas do cotidiano, parece que também nascem bikes junto das árvores... Trata-se na verdade de mais um local onde as bikes desfrutam de amplo espaço, tanto para o lazer quanto para o transporte.

O local fica em "alstad" (cidade velha) de Düsseldorf, famoso por suas construções antigas e por seus 300 bares e restaurantes lado a lado nas ruas. As pessoas deslocam-se para lá a trabalho deixando as bikes seguras e em uma bela sombra.

Ao visitar Gerolstein, município conhecido pela sua água mineral, encontrei no centro da cidade uma pracinha com uma estátua de um ciclista de estrada, nas cores da conhecida equipe Gerolsteiner. Trata-se uma homenagem local à bicicleta e ao ciclista, que tornou a cidade conhecida internacionalmente. Quem sabe algum dia teremos algo semelhante por aqui.

Marcos Netto

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