Bicicletas na Alemanha - Relato de Marcos Netto - Parte 1

Andando por Bike Shops e conhecendo a cultura das bicicletas no país


14 JAN, 2009     Jony Anderson    



Nosso leitor e usuário do fórum Marcos Netto, enviou um relato sobre suas experiências ao visitar a Alemanha. Nessa primeira parte, Marcos conta um pouco sobre algumas lojas que visitou.

:: UMA VISITA ÀS LOJAS DE BIKE

Sempre que preciso de algum componente novo para minhas bikes eu faço a procura em alguma das lojas que existe na minha cidade ou nas cidades vizinhas.

Mas uma das minhas queixas é que nem sempre eu consigo encontrar aquilo que preciso. Sempre tive uma certa inveja das lojas que existem no exterior, por terem uma ampla variedade de componentes de bike de diversas marcas.

Mas eu nunca havia tido a oportunidade de entrar em uma delas. No mês passado, por motivos profissionais estive por duas semanas na Alemanha. E como não poderia deixar de ser, arrumei um tempinho para finalmente, visitar uma bike shop.

Como meu roteiro previa ficar baseado em Düsseldorf, resolvi procurar na web antes de partir para as lojas locais. Para minha sorte uma delas ficava na mesma quadra do hotel em que eu fiquei hospedado.

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A Lucky Bike é uma loja "pequena" para os padrões alemães. Apesar disso, tem uma bela variedade de componentes em diversas marcas. Claro que as marcas alemãs tem um destaque especial.

Schwalbe é uma delas. O tradicional fabricante alemão de pneus tem expositores personalizados de seus produtos em uma gama de modelos e utilizações que fariam qualquer biker ficar tonto na hora de escolher o pneu mais adequado para a estrada ou trilha.

Apesar das MTB´s e Road´s estarem presentes nesta loja, o grande destaque são as bikes urbanas ou city bikes.

Uma vez que Düsseldorf é uma cidade plana e com uma estrutura viária perfeita para o uso da bicicleta como meio de transporte, as bikes de uso diário tem amplo mercado por lá. As principais características deste tipo de modelo são o conforto e a praticidade.

A Lucky Bike como qualquer bike shop tem sua oficina para a montagem das bikes e manutenção de bicicletas de clientes, com amplo espaço e bancadas de trabalho. Atrás de uma área envidraçada estava o meu xará Mark, um dos mecânicos, que apesar da cara feia e da aparência de "skinhead", foi extremamente atencioso e gentil no atendimento, mesmo com inglês meio quebrado dele e pelo fato de eu não falar alemão, conseguimos nos entender perfeitamente.

Por fim, acabei tendo de passar no caixa, pois a tentação foi grande e não pude resistir, gastando alguns Euros. Comprei um selim Brooks que, apesar do preço salgado, saiu bem mais em conta que se tivesse sido comprado por aqui.

Como eu havia comentado, as lojas possuem uma ampla variedade de modelos. Mas a maioria das marcas é desconhecida para nós. Para os alemães existe certa tradição em prestigiar as marcas locais. Ou seja, os componentes e quadros são importados de algum fabricante no exterior, e a loja coloca sua própria marca. Muitas lojas têm seu próprio catálogo de "bikes para montar", oferecendo várias cores e estilos. O cliente escolhe e a bike já está montada na loja ou é montada rapidamente.

Na XXL Bike não é diferente. O que realmente chama a atenção é o tamanho da loja. "Extra Extra Large" é a melhor definição para o que eu vi lá. São dois galpões enormes em uma área equivalente a quatro quadras de futsal, repletas de tudo o que se possa imaginar a respeito de bicicletas, peças, acessórios, etc.

O gigantesco depósito, pintado externamente na cor vermelho intenso, chama a atenção pela organização e pela ótima iluminação dos espaços. Na parte principal da loja, as bikes estão colocadas ao centro enquanto que as prateleiras com os acessórios estão dispostas pelas laterais. Tudo ao alcance do cliente, que pode olhar, tocar e experimentar ou testar os equipamentos. Algo impensável aqui no Brasil.

Na segunda parte da loja, mais uma ampla variedade de bikes, colocadas estrategicamente ao centro de uma pista coberta para teste de bikes. Ou seja, o cliente vai ali, escolhe junto com o vendedor a bike que tem interesse, e imediatamente pode testá-la no circuito interno. Um espetáculo!

Minha lista de compras incluía alguns itens raros aqui no Brasil, como pneus Schwalbe aro 27 e paralamas SKS para aro 700. Fui atendido com cortesia e profissionalismo pelo mecânico Michael, que fez questão de verificar via web a compatibilidade de alguns componentes com um quadro Surly que possuo.

O único "senão" é que a XXL não aceita pagamento em cartões de crédito, traveller´s checks ou electronic travell money (cartão de débito, comprado antes da viagem). Antes de botar as mãos em definitivo nos componentes escolhidos, fui obrigado a procurar um caixa eletrônico e sacar o dinheiro para a compra, pois a loja só aceitava o pagamento em espécie; algo bastante comum entre os comerciantes locais.

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Pedi permissão para fotografar a loja, o que foi concedido após uma consulta ao gerente geral do estabelecimento. Acho que eles perceberam que o tal brasileiro que estava "atordoado" com o tamanho do local não representava um perigo ou concorrência direta. Enquanto estava fotografando, fiquei curioso e perguntei ao Michael quantas bicicletas haviam em estoque na loja. A resposta foi: 1200 bikes.

Então comentei:

- Puxa vida! São muitas bikes...

No que ele já emendou:

- Não são não. Agora estamos no outono, quase no inverno. No início da primavera temos a alta temporada. Nesta época temos aqui na loja aproximadamente 10.000 bicicletas à venda.

Fiquei de queixo caído... Se eles tinham "só" mil bicicletas, isto significa que haviam vendido no mínimo nove mil em alguns meses, sem contar a reposição do estoque. Fiz um comentário:

- Michael, vocês são então a maior loja de bicicletas da Alemanha!

A resposta veio, um pouco sem graça, com aquela fleuma que caracteriza o povo alemão:

- Bem, aqui da região de Düsseldorf nós somos os maiores sim. Mas logo ali no estado vizinho existe uma outra loja que no início da primavera possui 60.000 bicicletas em estoque, que são todas vendidas durante o verão.

Bom, a partir daí já com o queixo caído e sem palavras, resolvi agradecer a atenção e ir embora, pois não sei se algo mais poderia me surpreender em matérias de bike por ali.

A surpresa viria no último dia, quando descobri pertinho do hotel uma outra loja cuja especialidade era triciclos e reclinadas. Miseravelmente, foi a única oportunidade que coloquei o pé na rua sem levar a câmera, e as fotos desta vou ficar devendo para vocês. Ou pelo menos até a próxima viagem para Düsseldorf, o que não tem data marcada.

Marcos Netto


:: PARTE 2

Na segunda parte do relato, Marcos nos conta um pouco do que percebeu sobre a cultura da bike e o respeito ao ciclista na Alemanha. Confiram em breve!


Fotos (13)

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