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Atletas brasileiros comentam como o coronavírus está afetando a rotina

Nomes como Jaqueline Mourão, Guilherme Muller, Giugiu Morgen e outros falam sobre treinos e perspectivas para a temporada depois na pandemia de corona


19 MAR, 2020     Gustavo Figueiredo    
     


Há pouco mais de um mês, a perspectiva de ver provas e competições de bicicleta sendo adiadas ou canceladas por conta do COVID-19 parecia algo distante e praticamente inimaginável. Porém, assim como aconteceu no restante do mundo, o novo Coronavírus tomou o cenário nacional do ciclismo de forma extremamente abrupta e, em poucos dias, tanto a UCI quanto a CBC cancelaram a realização de praticamente todas as competições com bicicletas dentro e fora do Brasil.

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   Ney Evangelista

O impacto para quem vive do esporte com certeza é muito grande, não só para os organizadores de provas, que com certeza perdem uma enorme receita, mas também para os atletas. Afinal, além dos óbvios riscos à saúde e da preocupação generalizada com a situação, quem já treinou sabe que uma das coisas mais complicadas de se fazer é treinar sem um objetivo. Para piorar, a incerteza do momento em que as competições vão voltar a acontecer gera uma dificuldade adicional, que é acertar a periodização do treino, que permite que o atleta chegue em sua na competição que é o objetivo da temporada na melhor forma possível.

"Acredito que a decisão de parar tudo foi muito acertada", comentou Jaqueline Mourão, atleta da Sense Factory Racing que lidera o ranking classificatório para as olimpíadas de Tóquio 2020, que em teoria deve acontecer no fim de Junho. "O Coronavírus coloca todos em risco. Atletas, público, equipes, pessoal...isso está acima da gente. Chega uma hora que temos que nos juntar como seres humanos e tentar preservar principalmente as pessoas idosas", complementou.

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Gui Muller   Hudson Malta

"A temporada está apenas começando e foram as primeiras provas que foram canceladas. Claro, se eu soubesse disso antes, teria feito um pico de performance antes. Teria feito algumas provas de treino em fevereiro para chegar forte em março. Mas, fizemos uma programação para fazer um início de temporada mais difícil para crescer até o campeonato pan-americano", explicou Jaqueline.

Apesar disso, a atleta brasileira mantém o otimismo. "Acredito que se todas as pessoas, estados e países cooperem, acredito que até o início de junho tudo vai se normalizar. Para o treinamento, agora é continuar treinando sozinha e concentra na minha performance. O objetivo principal da temporada são os jogos olímpicos e, de qualquer forma, ainda estamos bem longe dele", afirmou Jaque.

Segundo ela, ao menos para o Brasil, a paralisação no ranking olímpio mundial não faria muita diferença, já que estamos em quarto lugar no masculino, garantindo duas vagas, e em décimo oitavo no feminino, garantindo uma vaga.

Cuidados com a saúde e sem desanimar

O atleta Guilherme Muller, atleta da Cannondale Brasil Racing, engrossa o coro com Jaqueline, afirmando que a paralisação do calendário foi a decisão correta a ser tomada. "Estamos passando por um momento delicado e que todos precisam se conscientizar e fazer a sua parte", comentou.

Além disso, o atleta passou um conselho que pode ser seguido por todos, que é manter o treinamento sem exagerar na intensidade, para evitar perder a resistência imunológica.

"Eu particularmente irei replanejar minha periodização e fazer treinos de qualidade controlados para que não baixe o sistema imunológico. Temos tempo suficiente para treinos e recuperação, visando estar com a saúde boa e preparado para competir novamente quando possível", complementou.

Já para Luma Diniz, atleta da 4Fun, a situação exige o máximo de atenção. "É uma situação bem delicada para os atletas e equipes e patrocinadores, devido a programação de corridas e viagens", afirmou a atleta.

"Acredito que nesta crise, é legal cancelar os eventos e epidemia passar. Para quem é atleta,pegar este vírus pode ser muito ruim, então é melhor evitar", comentou Mario Couto, atleta da Sense Factory Racing. "Para mim, muito pouco vai mudar, e o descanso fará bem para mim, já que estou gripado. A pausa vai permitir que eu descanse e volte com força total aos treinos", complementou Mario.

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Giugiu Morgen   Ney Evangelista

"Os treinos vão continuar normalmente, mas é complicado nortear os treinos, sem saber para quando serão remarcadas as provas. Os atletas mais prejudicados são os que estão disputando vagas para as olimpíadas, a pontuação que seria somada até final de maio não sofrerá mudanças, não sei como a confederação se posicionará nessas circunstâncias", afirmou.

Em nota, a CBC afirmou que o critério de classificação para os jogos olímpicos está mantida, com os atletas mais bem ranqueados ficando com a vaga. No momento, os escolhidos seriam Henrique Avancini, Luiz Cocuzzi e Jaqueline Mourão. Porém, a CBC ainda não emitiu nenhuma convocação oficial.

Já para Giuiana Morgen, atleta da Sense Factory Racing que corre pela júnior, a paralisação afetou diretamente seu principal objetivo de inicio de temporada, que era a conquista de seu terceiro título Pan-Americano. As provas deveriam acontecer na Argentina, entre os dias primeiro e cinco de Abril.

"Minha ideia agora era parar um pouco e me focar no Pan, mas a competição foi adiada e ainda não temos uma nova data. Por isso, agora é preciso manter o treinamento sem desanimar, mantendo assim a forma para quando as competições voltarem. É foco total", afirmo Giugiu.


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