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A história da Scott Spark - Uma das bikes mais icônicas do MTB

Conheça como evoluiu a bike que tornou-se referência de mercado quando falamos em XC e Trail

Diga-se a verdade: atualmente, a Scott Spark é uma das bikes mais conhecidas do mercado mundial de bicicletas. Afinal, nas mãos de Nino Schurter, Thomas Frischknecht e de tantos outros, ela subiu no lugar mais alto do pódio incontáveis vezes, no nível mais elevado do cross-country mundial. E, diga-se de passagem, é impossível contar o número de competições vencidas ao redor do mundo com uma Spark.

De quebra, o modelo também é usado ao redor do mundo como uma excelente ferramenta para quem deseja se divertir em uma grande variedade de trilhas - algo que ficou comprovado por nós quando testamos a Scott Spark 920 em 2018.

Nino em 2014 com sua Spark
Nino em 2014 com sua Spark    Pedro Cury

Outro detalhe que não pode ser esquecido é que sua versão mais atual serviu de inspiração para toda uma nova geração de bikes de XC e trail leve, com seus valores de curso, geometria, posicionamento do shock e muitos outros servindo de fonte para muitos outros fabricantes - em algumas ocasiões, durante algum lançamento de outra marca, era comum escutar frases como: "Olha, acabaram de lançar mais uma Spark".

Sua mais recente iteração foi apresentada em 2016 e nós tivemos a oportunidade de conhecer a bike de perto em uma incrível viagem para a Suíça. Além disso, já realizamos um teste completo com uma Scott Spark 980 2018 e um teste de primeiras impressões com a Scott Spark RC 900 SL AXS 2020 - em todas as ocasiões, as bikes sempre foram um exemplo de comportamento preciso e altas doses de prazer ao pedalar.

Aposta em full-suspension e bikes específicas - Porém, tudo isso não aconteceu por um acaso e nem do dia para noite. O primeiro modelo de Spark foi apresentado há quase 15 anos e, de lá pra cá, uma bike que já nasceu com um grande potencial evoluiu de forma constante. No texto abaixo, você conhece um pouco mais sobre o desenvolvimento deste modelo que, certamente, faz parte do legado do mountain biking.

Um pouco de história

Fundada em 1959 e primeiramente chamada de Scott-USA, a Scott é uma dessas marcas que já passaram por transformações, vendas e aquisições. Algo muito semelhante ao que aconteceu com sua marca de componentes, a Syncros, que você conheceu a história nesta matéria do Pedal. Ao longo dos anos, porém, o fabricante nunca perdeu o espírito inovador de Ed Scott, fundador da marca e inventor do primeiro bastão de esqui de diâmetro variável, algo que revolucionou um mercado ocupado por pesados bastões de esqui feitos em aço.

Até por isso, ainda em 1993, enquanto muitos estavam engatinhando na tecnologia do alumínio, a Scott apresentou a CAT DH Prototype, uma das primeiras bikes de downhill feitas em fibra de carbono e responsável pela vitória de Jürgen Sprich no campeonato europeu da modalidade. O modelo, curiosamente, já possuía um controle de suspensão acionado por uma alavanca no guidão.



Além disso, quem não se lembra da famigerada e polarizante Scott Octane DH de 1999, com suas curiosas versões com dois amortecedores e com um selim gigantesco, que em teoria servia para o piloto colocar o peso no eixo dianteiro, mais ou menos como fazem os pilotos de motocross, durante as curvas - uma das bikes mais malucas em uma época em que a maluquice nas bikes de downhill estava em alta.

Em 2007, a primeira Scott Spark

Há cerca de 12 anos, a Scott apresentava sua primeira Spark. A bike chegou em uma época onde bikes de cross-country com suspensão integral ainda eram coisas raras e, embora seu auge já tivesse passado há algum tempo, as bikes hardtail com quadro de aço ainda serviam como referência.


"Para colocar as coisas em perspectiva, o quadro pesa o mesmo que um hardtail de aço top de linha e é cerca de 500 gramas mais leve do que você espera de um full suspension super leve", disse um antigo teste do site Bike Magic com a Spark 10, em 2007. Naquela época, ela já era totalmente feita em fibra de carbono, com muitas tecnologias que, de tão boas, seguem sendo utilizadas até os dias de hoje.

Com 110mm de curso na traseira e pesando cerca de 1.8Kg incluindo o shock, o quadro já era feito com o método IMP, que cria grandes peças de carbono ao em vez de unir tubos ou seções menores - você conheceu esta técnica nesta matéria com as Tecnologias de produção dos quadros de carbono da Scott.


Porém, antes mesmo de apresentar a Spark, a Scott já apostava muitas fichas no mundo das bikes full-suspension de cross-country de alto desempenho, um movimento que ganhou bastante força com duas bikes que, na sua época, também deram uma boa bagunçada no mercado: a Genius MC (Marathon Concept) para XCM e a Genius RC (Racing Concept), criada para o XCO. Com estes dois lançamentos, ainda em 2003, a Scott tornou-se a primeira marca a criar duas bikes, uma específica para XCO e outra destinada ao XCM, além de ser a primeira marca a utilizar um shock com desenvolvimento in-house com três estágios de funcionamento com acionamento através de um shifter no guidão - o embrião do famoso TwinLoc da Scott.

Versões - Das top de competição às básicas em alumínio

Assim como acontece hoje, a Spark sempre teve muitas diferentes versões, indo de modelos super avançados com tudo o que existe de mais moderno, até versões mais acessíveis, com quadros de alumínio e componentes mais simplistas. Apesar de obviamente pesarem mais do que as versões topo de gama, a linha de entrada da Scott costuma agradar no desempenho, algo que percebemos em nosso teste com a Scale 980 e que o site Bike Radar também notou em 2008, ao avaliar uma Scott Spark 60 com quadro de alumino.

"Ajuste a suspensão para ficar mais macia e reativa, tire um pouco de ar dos pneus e a bike implora para ser pilotada pelos campos como se você tivesse roubado ela. A Scott parece virar instintivamente, permitindo que você ataque os singles sinuosos como um míssil teleguiado", comentou o avaliador do site.

A primeira iteração da bike seguiu melhorando ao longo de muitos anos e, mesmo tendo sido lançada em 2007, o projeto básico seguiu sendo muito bem avaliado até 2011, último ano antes de sua primeira grande remodelagem. Dentre as tecnologias, a Spark ganhou detalhes como o canote integrado nas versões de gama maior. O ISP, ao longo dos anos, tornou-se uma marca registrada da Scott. Naquela época, o mundo já estava migrando para as rodas de diâmetro maior e, inevitavelmente, o quadro para rodas aro 26 com cinco anos de vida estava com seus dias contados. Nascia assim a segunda versão da Spark, com opções para rodas 26 ou 29.

A Spark 2012 e o início da era Nino Schurter

Com a chegada da nova versão, a Scott preparou sua Spark com algumas soluções bem interessantes. De cara, a geometria chamou a atenção por apostar em ângulos bem vanguardistas para a época, com a caixa de direção ficando em 68 / 68.7° na versão 26 e um grau mais em pé na versão 29 - sim, como você percebeu, a Scott introduziu um chip de ajuste de geometria na Spark. Além disso, o sistema TwinLoc permitia modificar as suspensões e a geometria da bike pelo guidão, exatamente como acontece na versão mais atual.


Na versão 26, a bike poderia ser modificada no guidão para ter 120, 85 ou 0mm de curso, enquanto a versão 29 ficava com 100, 70 e 0mm, segundo esta avaliação da linha 2012 feita pelo Bike Radar.

No mesmo ano, o atleta Nino Schurter, que praticamente tornou-se sinônimo de Spark RC, chegou em segundo lugar na prova de XCO dos jogos olímpicos de Londres - vale dizer que ele correu com uma Scott Scale com rodas 27.5 na ocasião. A temporada havia começado de forma extremamente positiva para ele, afinal o atleta conquistou sua primeira vitória em competições de Copa do Mundo de XCO, em Pietermaritzburg, Africa do Sul. O ano terminou com mais 4 vitórias, título de campeão na classificação geral da Copa do Mundo de MTB e também com o segundo campeonato mundial na elite do atleta, na prova realizada em Saalbach, na Áustria.



Coincidência? Muito provavelmente não. Afinal, em 2003, Nino Schurter havia juntado-se a SCOTT-Odlo MTB team, equipe criada por Thomas Frischknecht que você conheceu nessa história contada pelo Pedal. Já correndo pelas cores da Scott, o atleta foi campeão mundial de MTB XCO pela primeira vez em 2009 e, com certeza, teve forte influência na criação da Spark 2012, que já era equipada com itens modernos como a caixa de direção cônica.



A chegada da nova linha causou um certo frisson no mercado de bike, com o modelo sendo bem comentando inclusive aqui no Brasil, nas páginas do fórum do Pedal.com.br. "Quadro 26er = 1790gr, quadro 29er = 1890gr. Ambos tamanho M", comentou animado o usuário JLSF20, na época.


A bike também passou a ser utilizada por Nino Schurter cada vez com mais frequência, com o atleta realizando diversas modificações para adaptar melhor a geometria e as suspensões da Spark para seu gosto pessoal. No vídeo abaixo, produzido pelo canal GBMN em 2015, a bike do atleta é apresentada com importantes modificações, como a redução do curso dianteiro dos 120mm para 100mm na versão com rodas 27.5 com aros de fibra de carbono e pneus tubulares.



Todavia, em 2016, com a chegada da Spark totalmente renovada, o maior vencedor de todos os tempos da história do mountain biking finalmente cedeu quase que completamente aos encantos das bikes full suspension, com sua hardtail Scott Scale sendo cada vez menos utilizada. Certamente, a evolução das pistas da Copa do Mundo de XCO teve um peso nisso, e também na migração em definitivo para as rodas 29''.

Scott Spark 2016 - Reformulação total e temporada perfeita

A Scott Spark apresentada em 2016 foi revolucionaria em muitos sentidos. Primeiramente, ela representou a maior alteração conceitual de projeto da Spark desde o seu lançamento, com o shock saindo da posição horizontal no tubo superior para vertical no tubo do selim, com apoio no movimento central. Segundo a Scott, isso permitiu criar um top tube mais leve e reduzir ainda mais o peso, apoiando o shock em um local já naturalmente reforçado do quadro - essa novidade tornou-se marca registrada do novo modelo e, atualmente, está presente em muita bikes full suspension de XC do mercado.


Assim como aconteceu com outras versões, a Scott Spark mais atual segue uma linha meio Trail, com sua versão de 120mm, e meio XC, com sua versão RC com 100mm de curso e geometria levemente alterada para funcionar melhor em situações de cross-country mais competitivo. Com essa bike, Nino Schurter conquistou nada menos do que 4 Campeonatos Mundiais de XCO, 4 Copas do Mundo e um Ouro Olímpico. Em 2017, o atleta concluiu sua temporada perfeita, com vitórias em todas as etapas da Copa do Mundo, título na geral, campeonato mundial e também o Cape Epic - vale destacar que, em boa parte destas vitórias, Nino estava a bordo de uma Spark.


12 anos de evolução

A Spark nasceu há 12 anos como uma bike de alta tecnologia, com uma pegada especial para quem deseja andar muito em competições de XC, mas também gosta de um comportamento agradável e capaz em trilhas. Ao longo dos anos, a bike evoluiu em todos os sentidos, mas sem nunca perdeu essa característica tão marcante.

Por isso, se você também é fã da Spark, nos conte qual bike é a sua ou qual modelo você gostaria de ter.

Mais informações no site da Scott Brasil.


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Comentários

Legal que aqui ao se falar da Scott Aparo o engajamento dobrou falando da Left Cannondale.

Pensando em comprar uma Cannondale Left Ocho, ainda mais, dps disso!! ??

No mais bike é bike, cada um com seu gosto. Não tem certo ou errado ou Left or right. ?? paz e bom pedal.

Tenho uma spark 920 /2013 desde da primeira vez trilha até hj ela é muito divertida com um controle incrível e atropela os obstáculos . Só tenho a dizer obrigado a Scott .

Acho que nenhum avião decola ou pousa, já que a Lefty é baseada nos trens de pouso dos aviões.

Minha é uma spark pro rc 2020 top demais

Tenho uma spark 415 e gostaria que comentasse sobre Ela.

Nunca ouvi tanta asneira a respeito da Lefty. Uma busca simples no YouTube e verá que a lefty torce muito menos que as suspensões normais. Uma sid também aparece no DH, BMX etc. Comparações sem nexo.

Spark é tudo de bom. Tenho uma Spark 40 2011 aro 26, com 30.000 km, que não troco por nada...

Sidinei

Digo e repito. Não ten como dar certo. Eu acho que Avancini se daria melhor numa bike normal. Me diz quantas Lefty correm no rampage? Quantas no ciclocross, na pista, no DH, no BMX... Não tem como ser unilateral e não ter uma força que promova a torção. Ou tem?

Agora... nunca deve ter andado numa bike dessas. Quá quá quá ... Não sou da turma que tem mais equipamento que perna.

Tô louco por uma full, mas como sou amadorzão, vou de Spark 960 ou Spz Stumpjumper ST... Vou pensar mais uns 2 anos até comprar uma delas. kkk

Caro Amigo altus ... Lefty é um projeto Diferenciado... e fisicamente tem mais leitura doque qualquer suspensao , pelo comentario acredito que vc numca fez um pedal com uma bike dessa.... seguinte se fosse tao ruim Avancini nao teria sido campeao mundial de xcm 2018 ... lembrando que nao é só a suspa e sim o conjunto ...(quadro, Angulacao, SAVE , etc..)

Por isso sempre me irrito ao ver a Lefty... Aquilo não tem como dar certo. Fisicamente.

Tenho uma dessa ano 2014. A bike é fenomenal. Se pudesse com certeza teria uma 2020.

Realmente a bike das bikes na minha opinião, tenho uma scale 910 2016, um avião hard trail , não podendo comprar uma spark surgiu a oportunidade de pegar uma Audax Full, a fs-900 ótima bike mas meu sonho era a spark, mas a diferença de preço não permitiu, seguimos com o sonho. #scottrealizameusonho RS...

Gosto muito da BMX PANTERA.

Tenho spark RC 910 ultimo modelo 2016 antes da evolução, bike fina, muito boa