Prestes a disputar seu terceiro IronBiker Itália, o mineiro Hugo Prado Neto explica as dificuldades e os segredos desta grande competição.
Serão mais de 22 mil metros de desnível, mais de 660km e 8 dias de competições nos Alpes Itálo-franceses, mais precisamente na região de Piemonte na Itália. A competição de mountain bike considerada a mais difícil do mundo vai largar na cidade de Entraque no Norte do país e terá a participação de um brasileiro que é forte candidato ao título, Hugo Prado Neto (OCE-treine.net/Specialized/Empac/Keico/Damatta/BWA).
O desafio contará com atletas de 17 países e Hugo Prado Neto, que é o único latino americano a subir no pódio do Iron Itália (3º em 2006) terá a difícil missão de tentar desbancar um dos maiores ultramaratonistas de mountain bike do mundo, o checo Sibl Radoslav. Além de Sibl, Hugo enfrentará também seu gregário de luxo, o também checo Miroslav, 2º nos últimos dois anos. Em 2007 Hugo chegou a ficar apenas 15seg de Sibl, mas um tombo em um castelo o tirou da prova e Sibl foi campeão pela 5ª vez! Esse ano a convite da organização italiana, Hugo tem a dificílima missão de vencer o Iron Bike Itália 2009. Hugo já confirmou também sua participacao em outra grande ultramaratona, Cape Epic 2010 na África do Sul.
Logo após o Iron da Itália acontecerá a clínica de Ciclismo OCE na Suíça, ministrada pelo mineiro Hugo Prado Neto. Aproximadamente 9 triatletas e ciclistas participarão do evento que terá pedaladas pelos Alpes Suíços, passando por exemplo pelo Col de Mosses, aonde a 15ª etapa do Tour de France passará esse ano. Muitos ciclistas de nível mundial moram na região por causa da variedade de terreno para treinos, ar puro e é claro pelas magníficas estradas dos Alpes. Fabian Cancellara (atual campeão olímpico de contra relógio), Cadel Evans (2x vice campeão da Volta da França) e Cristoph Sauser (campeão mundial de MTB) são alguns dos atletas que vivem na região.
:: 15 Minutos com Hugo Prado Neto:
1- Quando embarca para Itália para disputar o IronBiker?
Hugo - Embarco dia 22 de Julho e a corrida começa dia 25 com um prólogo e termina dia 1 de Agosto, aonde embarco direto para Gstaad na Suíça para realizar a Clínica de Ciclismo da OCE.
2- Qual é sua expectativa no evento?
Hugo - O maior motivo da minha ida foi o incentivo e o carinho da maneira como sou tratado pelos organizadores da corrida. Eu fui convidado para tentar bater o checo Sibl Radoslav que é 5 vezes campeão do evento. Para mim ele é um dos melhores atletas de ultra maratonas do mundo. A idéia do pessoal do Iron é que alguém bata ele e em 2007 cheguei pertíssimo disso.
Acontece que o Iron da Itália é uma corrida MUITO dura, possivelmente a mais dura do mundo. É uma tarefa dura vencer a prova mas com certeza estou indo com o objetivo de vencer. Sou o único latino americano a subir no pódio do evento em 14 anos. Com certeza leva tanto para vencer que seu eu vencer sei que vai demorar MUITO tempo para um brasileiro repetir o feito.
3- Comente sua experiência passado no Iron Itália e como pode se beneficiar disso neste ano?
Hugo - Essencial ter ido no Iron Bike duas vezes já. O Iron da Itália é como se fosse o Tour de France em vários aspectos. É uma corrida que como o Tour você tem que se preparar exclusivamente, no mínimo de 6 meses. Segundo, no meu caso são 8-9 horas por dia pedalando lado a lado com Sibl e seu compatriota Miroslav, outro fortíssimo atleta de ultra maratona. Não é exatamente um passeio de bike pelos Alpes. É uma corrida de no mínimo 56-60 horas em 7 dias, ou seja, 2/3 do tempo total do Tour de France em apenas uma semana, sendo que o Tour são 3 semanas. Muitos atletas vão ao Iron da Itália e nunca mais querem voltar.
4 - Por quê?
Hugo - Porque a corrida além de ter uma demanda absurda fisicamente, mentalmente ela te eleva a outro patamar ou te faz você sentir menor que uma formiga, tamanha a dimensão de distância, mudanças climáticas, subidas de até 64km, aonde você tem que ligar com você para não surtar. Não tem uma equipe com rádio perguntando o que você precisa. Existem montanhas nos Alpes durante a prova que nem o helicóptero da prova consegue ter acesso.
É você contra você. E o adversário mais difícil que um ser humano tem é ele mesmo.
Então o Iron Bike te força a você ter contato com você mesmo de uma intensidade absurda. Você é obrigado a enfrentar os seus conflitos internos no meio dos Alpes, a 3000m de altitude. Conhecer a Itália e a cultura italiana de ciclismo também é muito importante. Eu sou um fã do Giro de Itália e os organizadores dos eventos gostam de espetáculos, gostam de ver atletas com garra então eles dificultam tudo propositalmente. Saber disso tudo e muito mais é essencial para o meu sucesso na prova.
5- Qual será o equipamento (bike, alimentação, bebida etc) que vai utilizar e como será sua estrutura na prova?
Hugo - Na verdade das três vezes que eu fui, agora talvez esteja com a bike ideal para o Iron Biker Itália. Aliás, fiz um atleta meu que vai competir comprar a bike igual a minha porque é a ideal para a prova. Em 2006 fui com uma Specialized Epic S-Works 06. Me dei muito bem, mas analisando friamente os checos estavam com bikes mais leves. Em 2007 tentei andar com uma S-Works HT (hardtail) e me dei muito bem também. Mas agora em 2009 o que aconteceu é que os engenheiros da Specialized aliaram o conforto de uma Full (que usei em 2006) com a leveza e a agilidade de uma HT (que usei em 2007). Então tenho agora o melhor dos dois mundos.
Outro detalhe é que em 2007 eu arrisquei tudo para tirar tempo do Sibl em uma descida em uns túneis dentro de um castelo. Eram mais de 9mil degraus para descer e pus pra baixo diminuindo a vantagem dele de 7min para 15seg em uma prova de 60 horas. Não consegui andar no dia seguinte do mesmo jeito por causa do tombo que levei, mas como sei que descer é um ponto fraco dele, pode ter certeza que a nova Epic S-Works sendo full vai me ajudar, porque a agressividade nas descidas vai ter que existir se eu realmente quiser ganhar dele.
6 - Como foi sua preparação para o Iron Itália?
Hugo - Estou focado em por volume, está sendo um treino mais mental do que físico. Acredito que o físico eu já tenho, apenas aumentar e fazer dias seguidos com volume alto pegando montanha. Mas meu treino está sendo muito mais mental. Eu subo a montanha e começo e sentir dor ou ficar em pé e falo pra mim mesmo: " no Iron é 60 vezes pior e se você resolver voltar pra trás demora mais". Faço uma corrida de XC e falo, no Iron vai demorar mil vezes mais pra acabar, a dor vai ser bemmmm mais longa". O mental estando lá não terei problemas com o físico. Dormir na tenda que simula altitude é também uma
prioridade, vou dormir nela 4 semanas seguidas a 2.300m de altitude. Além disso faço treinos longos depois de competições de final de semana aqui no Brasil.
7- Além do Iron Itália, você vai participar de outras provas na Europa?
Hugo - Depois do Iron da Itália vou direto para a Suíça ficar por conta dos ciclistas e triatletas que vão participar da clinica de ciclismo que eu ministro todo ano. Meu grande amigo e atleta Fernando Nabuco tem um chalé lá e teve a bondade de me introduzir o local, que considero o melhor lugar do mundo para treinamento. Quero descansar uns 5 dias e ficar por conta de analisar cada passo desses atletas e oferecer para eles toda a minha experiência. É um projeto fantástico e lá com o ar mais puro do mundo consigo recuperar mais rápido e preparar para as maratonas do 2º semestre. Um dia eu ainda venço o Brasileiro de Maratona e o Iron Biker do Brasil!
8 - Deseja acrescentar algum comentário?
Hugo - Quero agradecer aos organizadores do Iron Bike Italia e aos meus patrocinadores (Specialized, Keico, BWA, Damatta, EMPAC) e meus pais e todos que me apoiaram na minha carreira até aqui. Espero escrever mais um grande capítulo e motivar assim cada vez mais pessoas a pedalar, a praticar esporte e -é claro- a vencer LIMPO na vida!
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