O empresário paulista, Fabiano Nyheuins é outro grande exemplo de ser humano que faz parte da família OCE-treine.net a um bom tempo. Além de empresário, pai de família, e morar na 3ª maior metrópole do mundo, ele é também atleta amador dedicado.
Além disso, apóia e patrocina alguns atletas de MTB, tais como o representante olímpico Rubens Donizette. Ele já completou várias ultramaratonas pelo mundo: Iron Bike Itália, Cape Epic e no último dia 16, teve a honra de competir na mesma competição de Lance Armstrong. 
Fabiano nos conta sua experiência de ter terminado a ultra maratona de 1 dia mais dura do mundo, A Leadville 100 no Colorado, EUA. Confiram seu depoimento e sigam seu exemplo, pois treinar, dar contas das responsabilidades do dia a dia e ter sucesso em vários segmentos da vida são meros hábitos de seres humanos que estão aqui pra fazer uma diferença positiva no mundo!
O atleta já está inscrito também na ultramaratona dos Transalpes, junto com o profissional da OCE Felipe Miranda.
“A emoção de terminar a mais dura Ultra-Maratona de MTB de um dia do mundo, as 100 milhas de Leadville, é das mais exclusivas que um atleta amador pode ter. Para mim, um brasileiro que vive em na altitude 700m (Leadville está a 3000m, e o ponto Culminante a mais de 4.000m de altitude), que só pedala a 4 anos e vive em São Paulo, com todas as dificuldades que temos para treinar, foi tão grande que chorei como poucas vezes chorei na minha vida!
Cheguei em Leadville, dois dias antes da prova, e a todo momento ouvia comentários à respeito da aclimatação à altitude. Sentia a surpresa de pessoas que estavam na cidade a mais de 10 dias se aclimatando, e quando eu dizia que tinha feito uma simulação de altitude em um aparelho, todos sem exceção reagiam com pouco entusiasmo...
Minha chegada já começou bem tumultuada, pois assim que comecei a montar minha bike, percebi que havia uma torção no quadro, bem no suporte do freio traseiro. Foi um desespero total. Levei imediatamente a bike à uma loja da cidade (excelente por sinal) e disse ao atendente: “Preciso de um milagre”! Quando eu mostrei o problema é que ele entendeu do que eu estava falando. Mas com muita técnica e com muito cuidado, ele conseguiu resolver o problema e eu pude correr!
A largada aconteceu pontualmente às 6h30 min do sábado com um frio de 2º C. Pouco depois de largarmos começou um chuva de média intensidade. Poucas vezes senti tanto frio na vida! Como eu estava bastante preocupado com os efeitos da altitude, minha estratégia era seguir as primeiras 50 milhas de forma bastante conservadora, e tentar me manter forte o suficiente para pressionar nas 50 milhas finais, já que o ponto crítico da prova é a escalada da Columbine Mine, um trecho de 12km, com um desnível superior a 1000 m de altura, muito técnico em algumas partes e atingindo trechos de 17% de inclinação. A chegada a Columbine, foi regada a uma leve nevasca, com muito vento, afinal estávamos a mais de 4.000m de altura. Essa estratégia se mostrou acertada, pois realmente a “escalada” foi muito dura. O suficiente para me fazer duvidar se realmente seria possível completar a prova. Cheguei ao cume muito debilitado e então descansei um pouco, aproveitei para tomar uma sopa quente, comer o que pude e me hidratar bem no posto de apoio estrategicamente disponibilizado lá. Poucos minutos depois comecei a sentir minhas forças voltarem para seguir em frente. Fiz um “down hill” muito forte e consegui voltar para a briga. Daí para a frente, fiz um ritmo muito mais forte e consegui fechar a prova em 12h10min. Quarenta minutos acima do meu target, mas ainda assim, consegui terminar e pegar minha medalinha!
Quando passei a linha de chegada com todo apoio da população gritando meu número (Good job 248!), a emoção começou a tomar conta de mim e vi que seria impossível segurar as lágrimas. Assim que peguei minha medalha de finisher, pensei em tudo que treinei para chegar lá, de todo apoio e torcida da minha família e amigos, de toda abdicação de festas, boas comidas e sobremesas, em meses de treino. Chorei de lavar a alma! E me fez muito bem, pois senti que eram lágrimas da mais pura felicidade e emoção. Já fiz muitas provas duras, como Iron Bike Itália e Cape Epic, mas as 100 milhas de Leadville, são sem dúvida um desafio à altura, mesmo sendo um só dia.
Parte muito importante para realizar esta prova, são equipamentos especiais que dificilmente são encontrados no Brazil. Um deles é uma capa impermeável que envolve a sapatilha, com um “cano alto” dando a impressão de que você está calçando uma pequena bota. Se chama “Bootie No Water” e foi comprado meses antes aqui nos EUA. A vantagem que se tem com esse equipamento é que seus pés vão ficar secos e aquecidos. Num ambiente inóspito, onde pode chover a qualquer momento e fazer muito frio depois, essa é uma estratégia que pode ajudar muito. Uma ótima luva para inverno, mas para o inverno abaixo de 0ºC, não para o inverno brasileiro, também é indispensável, assim como uma jaqueta ultra leve, dobrável o suficiente para ser colocada no bolso traseiro da camiseta e à prova da água, fecham a lista básica. Em Leadville há um ditado: “Se houver alguma possibilidade de chover, pode se preparar por que vai chover, e se não há nenhuma possibilidade, leve uma jaqueta a prova d´água”. O tempo muda com uma velocidade impressionante, como eu nunca havia visto. A prova teve largada com frio próximo de 0ºC, choveu, saiu sol e a temperatura atingiu mais de 30ºC, caiu para próximo de 0ºC novamente com uma leve nevasca, subiu para 30ºC novamente, choveu mais ma vez e por fim terminei a prova seco, com a temperatura em 12ºC. Isto é muito difícil de ser ver em alguma outra prova do mundo!
A grande estrela da prova foi novamente Lance Armstrong, 2º colocado em 2008, e com a promessa de vencer em 2009. A torcida estava dividida entre o grande ídolo americano e o grande ídolo local, Dave Weins, 6 vezes campeão consecutivo da prova. Os locais torciam entusiasticamente para Dave, enquanto que os corredores de fora da região de Leadville, torciam para Lance. As lojas vendiam camisetas Amarelas com os dizerem “Go Lance” e também camisetas Azuis “Go Dave”.Por fim deu Armstrong, com direito a Show! Pulverizou o recorde anterior de 2008 de Weins em 17 minutos, fechando a prova em 6h28min50s. Em segundo lugar ficou Dave Weins com 6h57min02s.
Como a prova é um trajeto “ida e volta”, cruzei com Armstrong a certa altura da e isso foi uma emoção à parte, já que sou um grande fã do 7 vezes campeão do Tour da França.”
Quem quiser participar em 2010 tem que ficar atento ao processo de inscrição, que é por sorteio e acontece em Janeiro. Acompanhe pelo site http://www.leadvilletrail100.com e nos vemos lá! Sim, por que se eu for sorteado novamente, vou com tudo para fechar a prova abaixo de 12h.
A OCE-treine.net parabeniza Fabiano por mais essa grande conquista e pelo seu exemplo de ser humano e atleta! Valeu demais Fabiano!
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