FREIOS
Existem 4 tipos diferentes de freios, em ordem crescente de preço:
cantilevers (mais antigos), v-brakes (estão se tornando os mais
populares), hidráulicos e freios a disco. Só você sabe
qual é o freio mais adequado para você. Mas tenha na cabeça
de que não vale nem um pouco a pena colocar freios a disco numa
bicicleta com quadro ruim e sem suspensão, mesmo porque esses freios
iriam custar muito mais que a própria bicicleta.
Os cantilevers são freios de bicicletas amadoras e não
aguentam uma freiada pesada e rápida, além disso eles são
desconfortáveis, pois é preciso aplicar muita força
à alavanca para uma freiada decente.
Os V-brakes são muito bons porque eles te dão uma boa
freiada e não custam nenhum absurdo. Você consegue travar
a roda puxando a alavanca com apenas 1 dedo, mas também possui uma
boa modulação, isto é, você pode frear bastante
antes de travar a roda. Um dos melhores V-brakes que existem hoje em dia
é o Shimano XTR (foto da direita) e o Avid Arch Supreme. Os problemas
desses freios são: com o tempo ele começa a ficar com folga
e perde a precisão (existe maneiras de consertar a folga depois),
a alavanca não retorna tão rápido depois de uma freiada
quanto a dos freios hidraulicos e as vezes voce não pode controlar
o quanto voce quer freiar, eles não tem a precisão máxima
exigida para downhill. Apesar disso, são os melhores freios em custo/benefício.
Os
freios hidraulicos são muito bons e custam bem menos que os freios
a disco. Eles funcionam da seguinte maneira: Ao invés de cabo de
aço pra acionar as pastilhas do freio, é usado um cabo com
um óleo dentro. Acionado , um pouco do óleo que fica armazenado
na alavanca (e não so no cabo) é empurrado, forçando
o óleo, que ja está comprimido dentro do cabo, a se expandir
e consequentemente empurrar as pastilhas de freio. Existe muita polêmica
quanto a esses freios, pois apesar deles serem teóricamente melhores
que os v-brakes, muita gente não gosta de usá-los. Talvez
pelas suas desvantagens: muito pesado; para tirar a roda você precisa
esvaziar os pneus (se tiver usando brake booster); muito complicado para
ajustar e para fazer manutenção e a manete é muito
grande. Custa em torno de $100 lá fora (o par, incluindo as manetes)
e aqui no Brasil é muito difícil de achar. São conhecidos
como Magura e fabricados na Alemanha.
Os freios a disco seriam os melhores freios se não fosse pelo
seu preço. Os modelos bons são muito caros ainda. O peso
não é um problema grave quando usados numa bicicleta de downhill,
que normalmente é pesada, porém é um motivo suficiente
para excluí-los das bicicletas de cross-country, porém hoje
em dia já foram lançados modelos mais leves especialmente
para cross-country. Apesar desses dois problemas, é o melhor dos
4 tipos de freio. Ele consegue desacelerar a roda rapidamente a velocidades
altas (grande modulação), o que é importante em bicicletas
de downhill que chegam facilmente a 80 km/h. Os melhores freios a disco,
são os hidraulicos, porém existem uns que são acionados
a cabo, mas que não são muito bons. Os melhores modelos são
os da Hayes e os da Formula.
QUADROS
Talvez seja a parte mais importante da bicicleta. É o que vai
dar, ou não, a você a possibilidade de fazer upgrades. Em
outras palavras, só é válido fazer um upgrade se você
tiver um quadro muito bom. Não vale a pena, por exemplo, tentar
trocar todas as peças da sua bicicleta com o objetivo de diminuir
o peso, se você tiver um quadro que pesa muito. É importante
também porque é uma parte que se não for bem escolhida,
será muito dificil trocar depois. Existem vários tipos de
quadros: aço, cromo, alumínio, fibra de carbono, metal matrix
e titânio. Porém, o material usado não é decisivo
na performance de um quadro e sim sua geometria. Portanto fique atento
ao tamanho de quadro ideal para você.
Ninguém que queira levar cross country a sério usa quadro
de aço. É uma âncora! Porém é usado,
mas mesmo assim muito raramente, em algumas bicicletas.
O quadro de cromo (ou cromolibidênio) já está ficando
pra trás. Ele era muito usado na época em que os quadros
de aluminio eram fracos. Eram bons pois eram mais fortes que o aluminio
e mais leves que o aço. Uma outra vantagem é que o quadro
de cromo absorve melhor os impactos que o quadro de aluminio, mas o peso
não compensa.
O alumínio é o material mais popular hoje em dia. Com
as novas técnicas de produção é possivel fazer
quadros leves e fortes. Há muito tempo atrás eram mal vistos,
pois eram fracos e tinham risco de quebrar, mas a tecnologia superou esse
problema. Hoje em dia, as grandes marcas dão garantias de pelo menos
2 anos em seus quadros de alumínio, os quadros da Giant, por exemplo,
tem garantia de 5 anos. Além do mais, a maioria das bicicletas de
downhill (que com certeza são as que mais sofrem desgaste), são
feitas de alumínio.
A fibra de carbono também é muito boa. Pesa pouco e é
resistente. Tem uma vantagem sobre os quadros de metal: ele absorve mais
impactos deixando a bicicleta com menos "turbulencias". Só vejo
2 problemas nesse material: custa caro e com o desgaste, se ocorrer algum
impacto grande, o quadro não vai empenar, como aconteceria com um
metal, vai quebrar ou rachar, tornando impossível o reaproveitamento.
O metal matrix é um composto de liga de alumínio com cerâmica
e são fabricados pela Specialized pelo nome de M2. Dizem ser mais
fortes e tão leves quanto o alumínio comum (6061). É
o mesmo material usados em foguetes e satélites, mas não
faz muita diferença em um quadro de bicicleta, é mais uma
jogada de marketing que um benefício.
Os quadros de titânio são os que parecem ser os melhores
na minha opinião (apesar de eu nunca ter testado um). Eles são
muito leves e resistentes. São mais fortes que os de aluminio e
pesam menos, dependendo do quadro. Só tem um problema sério:
custam de $700 à $2000 lá fora.
Outro ponto que deve ser observado na escolha do quadro é sua
utilidade. Se você quiser uma bicicleta de passeio, sem suspensão,
não gaste dinheiro num quadro de titânio. Se você quer
uma bicicleta somente com suspensão dianteira, escolha o quadro
mais leve e fique atento a promoções, normalmente se vende
quadros junto com suspensões por preços menores. E se você
quiser uma bicicleta de downhill, com duas suspensões, escolha o
quadro mais forte.
SUSPENSÕES

Existem
dois tipos de suspensão. A dianteira (foto da esquerda) e a traseira
(foto da direita). Além disso existem vários modelos diferentes.
Uma suspensão é considerada boa quando ela é leve,
resistente, rígida e tem uma boa compressão/retorno. As melhores
marcas são: Manitou, Rock Shox, Marzocchi, Fox e RST.
<>Existem vários tipos de suspensão dianteira. Cada
uma delas funciona de maneira bem diferente e as vezes é bem difícil
saber qual delas é a melhor. Para absorver os impactos é
usado: elastômero ou ar ou óleo/mola ou óleo/ar. O
elastômero é o pior sistema, poís só absorve
impactos moderados, deixando passar leves e pesados impactos. Ar é
mais interessante porque além de ser leve, absorve os pequenos impactos
e os moderados, porém deixa passar os grandes impactos, tem risco
de estourar e desregula muito rápido. É mais usada em cross-country.
Óleo/mola e óleo/ar é bem interessante, pois consegue
absorver impactos leves, moderados e pesados, não tem risco de falha
e não desregula facilmente. Outro ponto importante na suspensão
é o curso. Normalmente o máximo que uma suspensão
de cross-country necessita é de 1 a 3 polegadas. Daí pra
cima é mais usado para downhill, chegando até 8 polegadas.
O peso também é um fator muito importante na hora de escolher
a suspensão, mas entre as melhores marcas não há uma
diferença tão significativa. Os melhores garfos atualmente
são: Rock Shox Boxer(downhill), Marzocchi Bomber e Rock Shox Sid
(ar). As suspensões traseiras funcionam do mesmo jeito que as dianteiras
e usam basicamente os mesmo sistemas para absorver os impactos. As melhores
marcas são: Fox e Rock Shox.
CÂMBIO/PASSADOR
<>O que as pessoas chamam de marcha é, na verdade, dividida
em 3 partes: câmbio traseiro, câmbio dianteiro e passador.
O câmbio é o que faz com que a corrente mude de peão
ou coroa. E o passador é o mecanismo por qual essa mudança
é feita.
<>O câmbio traseiro é o que faz a corrente mudar de
um peão pra outro, ou seja, mudar de marcha. É considerado
bom aquele que faz com que essa mudança seja rápida, suave
e precisa. As melhores marcas
são:
Shimano XTR (foto da esquerda) e ESP 9.0.
<>O câmbio dianteiro faz com que a corrente mude de coroa.
Assim como o câmbio traseiro, é considerado bom aquele que
faz uma mudança rápida, suave e precisa. As melhores marcas
são: Shimano XTR (foto mais em baixo) e ESP 9.0.
<>Existem três tipos de passador: thumbshift, gripshift e rapidfire.
O thumbshift, apesar de ser o pior, ainda é muito usado nas bicicletas
amadoras. É aquela alavanca que fica em cima do guidão e
você precisa gira-la para mudar de marcha. Não vale a pena
tentar descobrir qual é a melhor marca. O gripshift é aquele
passador que faz parte do guidão. Funciona que nem um acelerador
de moto: você gira uma parte do guidão (mais precisamente
parte da manopla) e a marcha muda. A melhor marca é: ESP 9.0. O
rapidfire
é aquele passador que fica preso a baixo do guidão. São
dois pares de alavancas, um par em cada extremo do guidão, uma para
"subir" e outra para "descer" de marcha. Para mudar de marcha você
"clica" esta alavanca. A melhor é: Shimano XTR (foto mais em cima).
Não é possivel definir qual dos dois sistemas, gripshift
ou rapidfire, é o melhor. Os dois tem a mesma eficiência,
só depende do gosto de cada um.
PEÕES, COROAS E PEDIVELA
Existem 4 tipos de peões (as engrenagens que ficam na parte de
trás do quadro): os de 6 velocidades (ou engrenagens), os de 7,
os de 8 e os de 9. Para saber o número de marchas da bicicleta multiplica-se
o número de peões pelo número de coroas. A principal
diferença entre os peões bons e os ruins é o peso.
Ja existem peões de titânio, mas apesar de eles pesarem menos,
eles gastam muito rápido, pois a corrente (que é de aço)
é mais resistente que eles. Se você não precisa diminuir
o peso da bicicleta, não é necessario colocar peões
muito leves. Se você anda com muita frequencia, é bom trocá-los
de 6 em 6 meses. Não se esqueça de trocar também a
corrente ao trocar os peões, porque também há um desgaste
e uma folga na corrente e ela fica "adaptada" aos peões, ou seja,
se você trocá-los sem trocar a corrente, eles vão ficar
desgastados mais rápido. Outra diferença é o numero
de dentes. Há dois tipos diferentes de peões de 8 velocidade,
os de 11-28 e 11-30, isto é, 11 dentes na engrenagem menor e 28
ou 30 na maior. Quanto mais dentes no peão, mais leve a pedalada.
As coroas (engrenagens da parte da frente) também são julgadas
pelo seu peso. Ao contrário dos peões, as coroas quase não
ficam desgastadas e não é necessário trocá-las,
mesmo se vc andar com frequência (há não ser que você
seja um profissional). Existem coroas de diferentes tamanhos (numeros de
dentes), cada uma para um caso diferente. Para cross-country usa-se três
coroas, normalmente com 22, 32 e 42 dentes. As bikes de downhill só
possuem uma coroa que tem muitos dentes (mais de 46). Existem dois tipos
básicos de pedivela: os de 4 e os de 5 braços. Prefira os
de 5 braços porque eles dão menos problemas e é mais
fácil de trocar as coroas, caso você precise. Os melhores
peões são os Shimano XT e os pedivela e coroas são
os da Raceface, Coda, Kooka e Ritchey.
RODAS E PNEUS
As rodas são compostas de 4 itens principais: aro, cubo, raios
e pneu. Existe muita diferença entre esses itens e essa diferença
pode ser decisiva na hora de comprar uma roda nova.
Existem vários tipos de aros diferentes. O tamanho do aro de
uma mountain bike é 26
polegadas. O mais importante num aro é a sua resistência e
peso. Podem ser feitos de aluminio, fibra de carbono, titânio e outras
ligas. A resistência é uma caracteristica muito importante
porque num impacto a primeira coisa que irá empenar é a roda.
Portanto, para diversas modalidades existem diferentes aros. Para cross-country,
o melhor é possuir um aro mais leve, logo menos resistente, pois
a bicicleta não estará sujeita a muitos obstáculos.
Já no downhill, o mais importante é ter um aro mais resistente,
pois o percurso possui mais quedas, pedras e outros obstáculos.
A resistência também está ligada a duração
do aro, pois talvez essa seja a parte que mais precisa ser trocada numa
bicicleta (fora os pneus e a sapata do freio). As melhores marcas são:
mavic 217 (foto de cima), mavic 121 e D max (para downhill) e spinergy
(roda completa).
<>O cubo
é a parte central da roda (o eixo). É considerado bom aquele
que seja leve e ao mesmo tempo seja resistente a impactos. Normalmente
se compra um aro já com os raios e o cubo, tudo montado, porém
se você comprar separado, tenha certeza se o cubo vai funcionar bem
com o seu aro, pois existem cubos de 32 e de 36 furos, cada um pra um aro.
Um dos melhores cubos é o DT Hugi, porém são muito
caros (quase $400 o par no Brasil).
<>O pneu é escolhido de acordo com a modalidade. Para downhill
usa-se pneus mais grossos e que deem mais tração e que podem
ser usados com pressão mais baixa, pois os obstáculos tem
um alto grau de dificuldade. Para XC (cross-country), usa-se pneus menos
grossos para diminuir o peso e mais lisos para ter menos atrito de rolamento.
Para corridas em asfalto (fora de mountain biking) usa-se pneus slick (lisos),
que oferecem menos resistencia ao solo. Essa regra não é
sempre cumprida porque tudo depende da pista, podem existir provas de cross-country
onde o pneu grosso é mais vantajoso ou até mesmo onde o slick
ou semi-slick é usado. Um dos melhores pneus para downhill é
o IRC missile e IRC Kujo, que além de deixar a bicicleta grudada
no chão, protege também as camaras contra furos (até
mesmo snake bits), permitindo que o ciclista ande com pressão baixa
nos pneus (para aumentar a tração).
<>Se você tiver dinheiro sobrando o melhor a fazer é
comprar um par de rodas mavic crossmax (foto de cima) ou spinergy(foto
da direita).
Na
Spinergy os aros são feitos de fibra de carbono e ao invés
de raios ela tem quatro lâminas de fibra de carbono. Ela é
mais leve e resistente que as rodas comuns. Dura 20 vezes mais que uma
roda comum e cada uma pesa pouco mais de 1 quilo (a traseira 1235g e a
dianteira 1035g). Possui um cubo de titânio que absorve os choques
recebidos. É muito boa porque como ela é feita de fibra de
carbono, ela absorve os pequenos impactos que as suspensões não
conseguem absorver. O único problema é o preço: 500
dólares o par.
<>A mavic CrossMax é uma roda tão boa (ou melhor) quanto
a spinergy, mas com uma importante vantagem: é feita de raios ao
invés de lâminas de carbono. A vantagem disso é que
se acontecer alguma coisa com a roda, é só trocar os raios.
Caso aconteça alguma coisa com a spinergy, já era! (mesmo
porque fibra de carbono quebra ao invés de empenar). É uma
das rodas mais resistentes que existem, cada raio aguenta 110Kg. Ela é
usada para cross-country e por isso é muito leve. Além disso
o aro tem uma camada especial de um material de cerâmica que aumenta
o atrito com os freios. Prepare-se para pagar um pouco mais de $800 pelo
par.
PEDAIS
Existem vários tipos de pedais com caracteristicas e para fins
diferentes, porem a principal diferença entre eles é ser
de encaixe (pedais clip in) ou "normais".
Os pedais normais são aqueles que todos conhecem. Existem vários
tipos diferentes, mas são diferenças pouco significativas
porque quando as pessoas começam a se preocupar demais com os pedais,
elas não pensam duas vezes antes de mudar para clipless. A diferença
entre os tipos normais de
pedais está no peso. Os mais leves e mais resistentes são
os preferidos. Existe também um diferença de tamanho, tem
gente que gosta de pedal grande e gente que gosta de pedal pequeno, um
não é melhor que o outro. Muita gente gosta de usar pedaleiras
pra prender o pé no pedal e ter um maior controle sobre a bicicleta.
<>Os pedais clip in são pedais que prendem no seu pé
através de um sapato especial. O sapato tem um bloquinho de metal
que se encaixa no pedal, onde existe uma espécie de "gancho" com
molas. Quando você encaixa o pé, o pedal fica bem fixo ao
seu pé. Existem vários modelos pra diferentes fins, os tipos
mais comuns são: os pequenos (normalmente para cross-country), os
que tem um lado clip e outro lado normal (mas não são muito
populares) e os grandes (foto), que permitem que vc pedale quase normalmente
se não conseguir encaixar o pé.
<>Dado importante: Como Shimano é a marca mais
famosa, tome cuidado ao escolher. Não compre um modelo ruim achando
que é bom só porque é Shimano. Aqui vai a ordem dos
componentes Shimano dos melhores para os piores: XTR, Deore XT, Deore LX,
STX-RC, STX, Alivio, Acera X, Altus. Abaixo do STX não vale a pena
comprar se você quiser uma boa performance.